Alta no preço do botijão faz pobres trocarem gás por lenha: “Fogão faz falta”

  • Maria Lúcia da Silva e Weverton dos Santos vivem com os dois filhos em favela em Maceió; ao lado, a grelha improvisada
    Maria Lúcia da Silva e Weverton dos Santos vivem com os dois filhos em favela em Maceió; ao lado, a grelha improvisada

Via: UOL

No barraco onde vive o casal Maria Lúcia da Silva, 50, e Weverton dos Santos, 30, o botijão de gás vazio está guardado debaixo da cama.

A pequena moradia tem um vão só, onde se espremem sofá, eletrodomésticos e as duas camas, onde o casal dorme com os dois filhos.

Em cima do antigo fogão, não há nada a não ser poeira. Para cozinhar, a família improvisou dois tijolos e uma grelha. O fogo vem da madeira velha –ou de restos dela– que Santos consegue catar na rua.

Há mais de um mês, os dois, que vivem na favela Sururu de Capote, na periferia de Maceió, não conseguem comprar um botijão de gás por conta do preço alto. Na região, não sai por menos de R$ 70.

“E já mandaram avisar que vai subir para R$ 80. Eu não tenho opção: ou compro o gás, ou a comida”, conta Santos, que é catador de latinhas e não tem renda mensal fixa.

O último reajuste da Petrobras ocorreu no dia 4, quando foi anunciada uma alta de 4,5% no preço no botijão de 13 kg. Desde junho, quando a estatal mudou a forma de políticas de preço, foram cinco aumentos, que somaram 54% de alta.

Sem esgoto, sem tijolo e agora sem gás

A favela Sururu de Capote reúne pescadores às margens da lagoa Mundaú e é marcada pela miséria: sem esgoto, com energia elétrica improvisada e barracos normalmente feitos de papelão, madeira ou lona. Poucas moradias são de tijolos, visto que a área é invadida.

Nesse cenário, o reajuste do botijão de gás excluiu do consumo dezenas de famílias, que hoje catam madeira para usar como lenha. “É difícil demais, um sofrimento grande. Um fogão faz falta. Mas não temos o que fazer a não ser se apegar a Deus para ver se a vida melhora”, relata Maria Lúcia.

Beto Macário/UOL

A marisqueira Renilza de Araújo conta que vai aposentar o botijão de gás de vez

Ela conta que até o meio do ano ainda conseguia comprar um botijão a cada três meses pelo menos. O fogo a lenha era usado, mas apenas quando o botijão acabava e o dinheiro estava curto. “Comprava botijão a R$ 45, R$ 50 antes; agora, a R$ 70 e R$ 80, não podemos mais pagar”, diz.

Estou esperando meu gás acabar para aposentar o fogão de vez. Não tenho mais condições de comprar

Renilza de Araújo, marisqueira

Beto Macário/UOL

Maria Ferreira dos Santos raciona o gás do botijão: “Uso o fogão só para esquentar uma coisa, cozinhar algo rápido”

Em vários barracos da comunidade visitados pelo UOL a situação é semelhante. “Quem me dera eu ter R$ 80 para comprar um botijão. Isso é metade da minha renda. Estou esperando meu gás acabar para aposentar o fogão de vez. Não tenho mais condições de comprar”, relata a marisqueira Renilza de Araújo, 42.

Com uma renda de aproximadamente R$ 150 por mês e sem receber benefícios do governo federal –como o Bolsa Família– há um ano, ela conta que a situação da comunidade ficou tão difícil que até madeira está faltando. “Nem sempre a gente acha lenha. Todo mundo está pegando. Tem gente que tira do mangue madeira verde. Usam também pó de serra”, diz.

Na casa de Maria Ferreira dos Santos, 45, o gás do botijão está sendo racionado ao máximo. “Eu uso o fogão só para esquentar uma coisa, cozinhar algo rápido. Para fazer feijão, coisa que demora mais, já estou usado lenha. E não vou conseguir comprar mais botijão daqui para a frente”, conta a beneficiária do Bolsa Família, que recebe R$ 164 por mês e mora na favela com as duas netas.

Procurado pela reportagem, o Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) disse que não iria dar entrevistas sobre reajuste de preço nem sobre uso de lenha causado pela alta dos preços.

Segundo a entidade, existem hoje 99 milhões de botijões em circulação em todo o país. Por dia 1,5 milhão de botijões são adquiridos pelos consumidores.

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Coisa de preto é ser o primeiro neurocirurgião a conseguir separar gêmeos siameses

Ben Carson foi o primeiro neurocirurgião a conseguir separar gêmeos siameses que nasceram unidos pela cabeça, o ato é tão memorável que rendeu filme protagonizado por Cuba Gooding Jr. ” Mãos Talentosas.”

Carson estudou durante 4 meses a fórmula para conseguir o feito com sucesso, pois era algo inédito até então. A cirurgia durou aproximadamente 22 horas e envolveu mais de 50 especialistas da medicina. A cirurgia foi concluída com sucesso.
Foi também o primeiro médico a fazer cirurgia em um feto ainda na barriga para retirada de um tumor no tronco.
Após trajetória de sucesso, Carson é médico aposentado, mas mantém junto com sua esposa uma ONG “The Carson Scholares Fud”, recompensa e reconhece os jovens estudiosos.

PÓS GOLPE: Preço do gás de cozinha chega a R$ 100 no Pará

No Pará, um botijão com gás de cozinha de 13 quilos pode chegar a custar até R$ 100. É o segundo Estado brasileiro com o valor mais elevado, ficando atrás somente do Mato Grosso, onde se paga até R$ 115 pelo produto. A constatação é de um levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no período de 5 a 11 deste mês. Entre os municípios paraenses, o gás mais caro pode ser encontrado no município de Altamira, a R$ 100.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo – GLP do Estado do Pará (Sergap), Francinaldo de Oliveira, os constantes reajustes praticados pela Petrobras ocorrem devido a uma nova política de preços adotada pela companhia, que consiste em praticar reajustes mensais tanto no valor do gás de cozinha quanto nos combustíveis, podendoelevar ou reduzir o preço.

Contudo, neste ano, houve somente uma redução. Entre janeiro e setembro, o reajuste nas refinarias foi de R$ 4,44. Quando é feito o repasse aos distribuidores e revendedores, esse valor aumenta devido aos insumos que são acrescidos ao valor repassado ao consumidor. Segundo Oliveira, cada revendedor é livre para estipular o preço que será cobrado do consumidor, já que não existe tabelação.

CUSTOS

“No valor está embutido IPTU, aluguel, mão de obra, aluguel, transporte, manutenção de motocicletas, energia elétrica. Isso é permitido pela legislação como em qualquer outro tipo de negócio”, explica, ao acrescentar que, caso exista uma disparidade de preços, o consumidor deve procurar saber o motivo.

A advogada do Sergap, Camila Souza, ressalta que, caso se sinta lesado devido ao valor cobrado pelo produto, o consumidor pode procurar os órgãos competentes para fazer a denúncia. “Pode formalizar uma denúncia no Procon ou na Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público, por exemplo.”

(Pryscila Soares/Diário do Pará)

Aparecem as provas da ligação da Globo com delator que a acusa de propina

A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa Torneos Y Competencias, que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos; informação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo jornalista Rodrigo Mattos; a Torneos, empresa de Burzaco, era dona de parte da empresa T & T Sports Marketing BV, que adquiriu todos os direitos da Libertadores; documentos obtidos no caso ‘Panama Papers’ mostram que a Globo e a T & T mantinham relação contratual por 11 anos, de 2005 a 2016 quando foi rompido elo pelo escândalo na Conmebol; em média, a emissora pagou US$ 16 milhões por ano pela Libertadores, preço bem abaixo do padrão do mercado brasileiro pela competição

247 – A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa Torneos Y Competencias, que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo jornalista Rodrigo Mattos, do UOL.

Segundo Mattos, a Torneos, empresa de Burzaco, era dona de parte da empresa T & T Sports Marketing BV, com sede na Holanda. Essa empresa adquiriu todos os direitos da Libertadores. Documentos obtidos no caso ”Panama Papers” mostram que a Globo e a T & T mantinham relação contratual por 11 anos, de 2005 a 2016 quando foi rompido elo pelo escândalo na Conmebol.

Em média, a emissora pagou US$ 16 milhões por ano pela Libertadores. Segundo o jornalista, a emissora brasileira pagava um valor abaixo do padrão do mercado brasileiro pela competição.

Ainda de acordo com o jornalista Rodrigo Mattos, o último contrato entre as partes gerou uma disputa judicial no Brasil. Pelo acordo, a emissora só pagava o valor de US$ 10,8 milhões anuais entre 2015 e 2018 por toda a Libertadores. Era metade do montante dado pela Globo pelo Campeonato Paulista neste período.

Quando estourou o escândalo na Conmebol, a Globo foi à Justiça para tentar manter seu contrato com a T & T como válido, apesar de a empresa já figurar como envolvida em corrupção. Ao final, a Conmebol reformou os contratos da Libertadores e a Globo fechou novo acordo diretamente com a Fox. A disputa judicial foi extinta. Não se sabe o valor atual pago pela emissora pela competição sul-americana.

Veja cópia do contrato entre a Globo e a T & T:

ATIRADOR ABRE FOGO EM ESCOLA E DEIXA 3 MORTOS NOS EUA

Três pessoas foram mortas em um tiroteio em uma escola primária no norte da Califórnia nesta terça-feira e o atirador foi morto por policiais; Alguns estudantes foram transportados por avião devido ao tiroteio na escola Rancho Tehama perto da comunidade de Corning; uma das vítimas seria uma criança de seis anos de idade

Reuters – Três pessoas foram mortas em um tiroteio em uma escola primária no norte da Califórnia nesta terça-feira e o atirador foi morto por policiais, informou a emissora de televisão de Sacramento KCRA.

Alguns estudantes foram transportados por avião devido ao tiroteio na escola Rancho Tehama perto da comunidade de Corning, segundo a TV, citando uma autoridade policial.

De olho em 2018, senadores golpistas do PMDB pedem desculpas à Lula e dizem que vão apoiá-lo em 2018

Um grupo de senadores do PMDB, considerados da chamada ’velha guarda’ do partido, pretende subir no palanque com o ex-presidente Lula em 2018.

Isso por conta de alianças que vêm sendo costuradas em seus Estados entre os dois partidos, PMDB e PT.

Fazem parte da estratégia os senadores Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Edison Lobão (MA), Roberto Requião (PR) e, mais recentemente, Eunício Oliveira (CE). A exceção de Romero Jucá (RR), aliado fiel do governo Temer no Congress.

No Ceará, Eunício já tenta até se acertar com o adversário que o derrotou em 2014 na disputa para o comando do Estado, o governador Camilo Santana, do PT, para compor uma chapa para 2018;

Além da popularidade de Lula, que é líder disparado na disputa à presidência, especialmente em estados como Norte e Nordeste, outro motivo para a movimentação dos peemedebistas é a indefinição do PSDB.

No Ceará, por exemplo, Eunício já tenta até se acertar com o adversário que o derrotou em 2014 na disputa para o comando do Estado, o governador Camilo Santana (PT), para compor uma chapa para 2018. Isso porque

há uma desconfiança, entre os peemedebistas, dos reais planos do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que se lançou na semana passada candidato a presidente nacional do partido. A suspeita é de que, na verdade, ele queria se lançar também à presidência da República.

 

Via: Plantão Brasil

JUSTIÇA CONDENA FLAVIO MORGENSTERN, AUTOR DA HASHTAG #CAETANOPEDÓFILO

A juíza Flavia Alves, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro, condenou o escritor Flavio Morgenstern por ter criado e disseminado a hashtag #Caetano Pedófilo a partir de sua conta no Twitter; Justiça determinou que sejam retiradas as ofensas já postadas por ele, incluindo a hashtag; mais: ordenou que Morgenstern se abstenha de postar mais ofensas nas redes sociais

A juíza Flavia Alves, da 14ª Vara Cível do Rio de Janeiro, condenou o escritor Flavio Morgenstern por ter criado e disseminado a hashtag #Caetano Pedófilo a partir de sua conta no Twitter.

A Justiça determinou que sejam retiradas as ofensas já postadas por ele, incluindo a hashtag. Mais: ordenou que Morgenstern se abstenha de postar mais ofensas nas redes sociais. As informações são do colunista Lauro Jardim.

CUT-VOX: 85% SÃO CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Nova rodada da pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 27 e 31 de outubro, revela que 85% dos brasileiros discordam da reforma da Previdência do governo Temer e 71% acham que não conseguirão se aposentar se a mudança das regras for aprovada; no Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do País – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – foram registrados os maiores percentuais de rejeição à reforma e apoiada por parlamentares do PSDB, DEM, PP, PSD, PRB e PP; o Nordeste vem em segundo lugar, seguido do Centro-Oeste e, por último, o Sul; embora esteja empacada no Congresso, reforma deve servir de alerta para parlamentares que querem se reeleger em 2014

VIA: BRASIL 247 Nova rodada da pesquisa CUT-Vox Populi, realizada entre os dias 27 e 31 de outubro, revela que 85% dos brasileiros discordam da reforma da Previdência do governo Temer e 71% acham que não conseguirão se aposentar se a mudança das regras for aprovada.

No Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do País – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – foram registrados os maiores percentuais de rejeição à reforma e apoiada por parlamentares do PSDB, DEM, PP, PSD, PRB e PP. Nesta região, 91% dos entrevistados são contra e 78% acham que se a reforma for aprovada, nunca se aposentarão.

O Nordeste vem em segundo lugar, com 85% da população contrária à reforma – 74% acham que não vão se aposentar se a reforma for aprovada. Em seguida, vem o Centro-Oeste/Norte, onde 82% são contra e 69% temem não se aposentar. E por último, vem o Sul, com 70% contra a reforma e 49% que acham que não vão se aposentar.

Para Vagner Freitas, presidente da CUT, Temer não escuta o clamor do povo. “Ouve apenas os empresários, como o Nizan Guanaes que o aconselhou a aproveitar a rejeição para fazer as reformas Trabalhista e Previdenciária, mesmo que seja contra o povo”. A reforma trabalhista já foi sancionada e está em vigor desde o último dia 11. Já a reforma da previdência empacou no Congresso Nacional.

“Até agora, o medo das urnas vem falando mais alto”, analisa Vagner. Para o presidente da CUT, ao contrário de Temer, deputados e senadores temem a resposta que o povo vai dar nas eleições do ano que vem a quem aprovar a reforma da Previdência que penaliza principalmente os/as trabalhadores/as com vínculos mais precários e desconsidera a realidade do mercado de trabalho brasileiro.

“Os brasileiros já entenderam que milhões perderão o direito de se aposentar se for aprovado o desmonte da Previdência e já sabem o que têm de fazer em 2018”, avalia.

A rejeição à mudança das regras da aposentadoria aumenta à medida em que a proposta se torna mais conhecida e, além de todas as regiões do país, atinge todas as classes sociais, gêneros e faixas etárias. Mais uma notícia péssima para os parlamentares.

Segundo a pesquisa CUT-Vox, são contra a reforma 89% dos entrevistados que ganham mais de 2 até 5 salários mínimos. Entre os que ganham até 2 SM e mais de 5 SM, o percentual de rejeição foi o mesmo: 82%.

Entre as mulheres a rejeição é de 86% contra 84% entre os homens. Já por faixa etária, 87% dos adultos, 84% dos jovens e 80% dos maduros discordam da reforma proposta por Temer. Os altos percentuais de discordância se repetem quanto a escolaridade: 88% dos que completaram o ensino médio; 86% ensino superior; e 82% ensino fundamental.

A nova rodada da pesquisa CUT-VOX foi realizada em 118 municípios. Foram entrevistados 2.000 brasileiros com mais de 16 anos de idade, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, em todos os segmentos sociais e econômicos. A margem de erro é de 2,2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

Jorge ‘Platina’ Picciani (PMDB) levou propina de R$ 58,58 mi, diz a Operação Cadeia Velha

VIA: ESTADÃO

O Ministério Público Federal, na 2.ª Região, apontou propina de R$ 58,58 milhões ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), entre 15 de julho de 2010 e 14 de julho de 2015. Deste montante, o peemedebista identificado como ‘Platina’ ou ‘Satélite’ levou R$ 49,96 milhões a mando da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) e R$ 8,62 milhões a mando do ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB).

Jorge Picciani foi levado a depor na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, nesta terça-feira, 14. Seu filho Felipe Picciani foi preso pela Polícia Federal. Ele é irmão do ministro Leonardo Picciani, ministro dos Esportes do Governo Michel Temer.

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O operador financeiro e delator da Lava Jato Álvaro Novis relatou que ‘os pagamentos efetuados a mando da Fetranspor para Picciani iniciaram na década de 90 e perduraram até a véspera da Operação Xepa da Lava Jato, em 2016, mas que só possuía parte das planilhas de pagamentos feitos a Jorge Picciani’.

Segundo o delator, o presidente da Fetranspor José Carlos Lavoura ‘lhe disse que o parlamentar recebia o valor total a ser distribuído entre os deputados da Alerj por ser o presidente do órgão’.

“As entregas para Jorge Picciani, a mando de José Carlos Lavoura, foram feitas, na maior parte das vezes a Jorge Luiz Ribeiro, por meio da Transexpert, que usava veículos normais blindados. Jorge Luiz quando solicitava a entrega do dinheiro dizia para procurarem Manoel, codinome usado por ele”, relata a Procuradoria.

Também são investigados na Cadeia Velha os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi, ambos do PMDB, e outros dez investigados por corrupção e outros crimes envolvendo a Assembleia. A pedido do Núcleo Criminal de Combate à Corrupção (NCCC) do Ministério Público Federal na 2ª Região, o desembargador federal Abel Gomes, relator dos processos da força-tarefa da Lava Jato, no Rio, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ordenou as conduções coercitivas dos parlamentares, seis prisões preventivas e quatro temporárias e buscas e apreensões nos endereços de 14 pessoas físicas e sete pessoas jurídicas. A condução coercitiva dos deputados foi ordenada como alternativa inicial à prisão deles.

A Procuradoria da República investiga o uso da presidência e outros postos da Alerj para a prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A petição do Ministério Público Federal, com 232 páginas, resulta de investigações feitas há mais de seis meses, que incluíram quebras de sigilo bancário, telefônico e telemático, acordos de leniência e de colaboração premiada, além de provas obtidas a partir das Operações Calicute, Eficiência, Descontrole, Quinto do Ouro e Ponto Final.

O Ministério Público Federal sustentou à Corte Federal que são inafiançáveis os crimes dos deputados, que seguem em flagrante delito, sobretudo de associação criminosa e lavagem de ativos, e que não é preciso a Alerj avaliar suas prisões. Os investigados com prisão preventiva decretada são os empresários Lélis Teixeira, Jacob Barata Filho e José Carlos Lavouras, investigados na Operação Ponto Final, além de Jorge Luiz Ribeiro, Carlos Cesar da Costa Pereira e Andreia Cardoso do Nascimento. Os mandados de prisões temporárias expedidos são para Felipe Picciani, Ana Claudia Jaccoub, Marcia Rocha Schalcher de Almeida e Fabio Cardoso do Nascimento.

“Havendo demonstração cabal de ilícitos gravíssimos e até mesmo alguns em estado de flagrância, à vista de sua natureza permanente, e que a liberdade dos referidos alvos implicaria perigo concreto à ordem pública, além da aplicação da lei penal, requer o MPF sejam deferidas prisões preventivas em desfavor dos deputados estaduais ora investigados”, afirmam os procuradores regionais da República Andréa Bayão, Carlos Aguiar, Mônica de Ré, Neide Cardoso de Oliveira e Silvana Batini, do Ministério Público Federal na 2ª Região, que ainda pediram o afastamento dos deputados das funções públicas.

As investigações apontaram que o presidente da Alerj, Jorge Picciani, seu antecessor, Paulo Melo, e o segundo vice-presidente, Edson Albertassi, formam uma organização integrada ainda pelo ex-governador Sérgio Cabral e que vem se estruturando de forma ininterrupta desde a década de 1990. A organização, como apurou o Ministério Público Federal, vem adotando práticas financeiras clandestinas e sofisticadas para ocultar o produto da corrupção, que incluiu recursos federais e estaduais, além de repasses da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor).

Três frentes de apuração embasaram a petição da Procuradoria: os repasses da Fetranspor para deputados; os recursos da Federação para uma conta de Cabral e sua partilha com Picciani e Melo; e as doações da construtora Odebrecht a políticos, depois declaradas em acordos de colaboração já homologados.

O Ministério Público Federal identificou que a indicação de Albertassi para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) pode ter sido uma manobra para que a organização criminiosa retome espaços perdidos com os afastamentos de conselheiros determinados pelo STJ, e também uma forma de atrapalhar as investigações, ao deslocar a competência para a apuração dos fatos e tirar o caso do Tribunal Federal da 2ª Região. Essa é a primeira vez em que uma investigação ligada à Lava Jato é conduzida por um Tribunal Regional Federal.

O Ministério Público Federal ressaltou à Corte Federal que, com seis mandatos de presidente da Alerj, Picciani é imprescindível na organização criminosa, pelo expressivo poder político e influência sobre outros órgãos estaduais. As condutas de Picciani na Alerj incluíram a edição de atos normativos em troca de vantagem indevida e restrições ao funcionamento de CPIs.

Segundo os investigadores, tanto Picciani quanto Melo tiveram aumentos exponenciais de seu patrimônio desde o ingresso na política. Em certos períodos, seu patrimônio cresceu mais 100%, patamar superior a qualquer investimento. As investigações identificaram diversas relações societárias suspeitas mantidas pelos deputados, além do repasse clandestino de verbas de empresas para viabilizar a ocultação da origem do dinheiro e o financiamento de campanhas eleitorais.

A operação Cadeia Velha recebeu este nome em virtude de um presídio erguido no século XVII no local onde fica a sede da Alerj, era chamado oficialmente de Cadeia da Relação ou Casa da Relação. No Brasil Colonial, recebia presos políticos e quem mais infringisse as leis da Coroa Portuguesa. O prédio foi usado ainda como o antigo Tribunal da Relação, alojamento para a criadagem da Casa Real e foi cenário da prisão de Tiradentes e outros inconfidentes. Após 1822, a Cadeia Velha abrigou a Assembleia Geral Constituinte brasileira e, em maio de 1826, abrigou o primeiro Congresso Legislativo do país.

A reportagem está tentando contato com todos os citados. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, JORGE PICCIANI

“O que aconteceu hoje com meu filho é uma covardia feita para atingir tão somente a mim. “

“Felipe é um zootecnista, bom pai, bom filho, bom amigo, que trabalha de sol a sol e não tem atuação política. Todos que o conhecem o respeitam e sabem do seu caráter e correção.”

“Nossa família atua há 33 anos no ramo da pecuária, onde ingressei antes de me eleger deputado. Com trabalho duro, nos transformamos numa das principais referências em alta genética do País. Trinta e três anos não são trinta e três dias.”

“A indicação do nome do deputado Edson Albertassi para integrar o TCE foi do governador Luiz Fernando Pezão e aconteceu mediante ao fato de os três auditores a quem caberia a indicação terem decidido não concorrer pelo fato de ainda estarem no período de estágio probatório, o que foi avaliado por eles como insegurança jurídica. Diante da determinação da Justiça, pedindo 72 horas para esclarecimentos, eu já havia inclusive suspendido a votação da indicação que estava prevista para hoje no plenário. “

“Em toda a minha carreira jamais recebi qualquer vantagem em troca de favores. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro não atua a serviço de grupos de interesse, NÃO INTERFERE em aumento de tarifas (que é autorizado pela Agetransp) E NÃO VOTOU ISENÇÃO DE IPVA PARA ÔNIBUS, porque isso foi feito por decreto pelo ex-governador (decreto 44.568 de 17/01/2014), quando eu nem sequer tinha mandato. São portanto falsas as acusações divulgadas.”

“Para quem não compreende o funcionamento da Alerj, é preciso esclarecer.”

“1. A Alerj é uma Casa plural. Há uma série de instâncias decisórias anteriores ao plenário, a começar pelas Comissões Técnicas Permanentes, como a de Constituição e Justiça, Saúde, Educação, Transportes, Direitos Humanos, etc. Os membros das Comissões Técnicas são indicados pelos líderes partidários e a presidência de cada uma delas, eleita por esse colegiado. Há, ainda, o Colégio de Líderes, convocado sempre que há pautas complexas ou com grande número de emendas. As discussões no Colégio de Líderes, que visam a obter consensos mínimos para as votações em plenário, reúnem dezenas de deputados. Por fim, há a instância do Plenário, onde votam os 70 deputados, cujas sessões são televisionadas, abertas ao público e à imprensa.”

“2. Em segundo lugar, nos meus seis mandatos como presidente da Alerj (de 2003-2010 e de 2015 até o presente momento), estabeleci relações institucionais com os setores organizados da sociedade, sobretudo os empresariais. Foi com esse objetivo que, em 2003, criei o Fórum Permanente de Desenvolvimento da Alerj, que hoje reúne 41 entidades da sociedade civil organizada. Desde que foi criado o Fórum, nunca mais houve uma denúncia sequer de CPIs que tentavam extorquir empresários, comuns no passado. Passamos, através do Fórum, a ter um canal de diálogo institucional, que não havia antes.”

“3. A produção legislativa da Alerj é a maior prova da independência da sua atuação em relação a interesses de grupos e setores, prevalecendo o interesse público. Alguns exemplos no que tange especificamente ao setor de transportes:”

“* Gratuidade para estudantes da rede pública, pessoas com deficiência e maiores de 65 anos nos transportes. (Lei 3.339/99, ampliada pela Lei 4.291/04) e reserva de assentos exclusivos para gestantes e pessoas com deficiência (Lei 1.768/90);”

“* Lei 6.712/14, que determina a disponibilização de redes WiFi em todos os terminais de transportes do estado, ficando a instalação a cargo das empresas responsáveis pelos terminais;”

“* Gratuidade para estudantes (vale educação) e para pessoas com deficiência e doença crônica (vale social) nos ônibus; intermunicipais (Lei 4.510/05, ampliada pela Lei 7.123/15);”

“* Controle por biometria de gratuidades e bilhete único nos transportes (Lei 7123/15);”

“* Derrubada do veto do governador a um parágrafo da Lei 5.628/09, que destina as sobras dos cartões eletrônicos ao Fundo Estadual de Transportes. Essa medida havia sido incluída pela Alerj em dezembro de 2016. O veto foi derrubado em abril de 2017 (Lei 7.506/16);”

“* Vagões exclusivos para mulheres em trens da Supervia e Metrô ( Lei 4.733/2006)”

“* Ampliação do prazo para comprovação de renda de usuários do Bilhete Único, de 60 para 90 dias, evitando a perda do direito por usuários que recebem até R$ 3.209. (Lei 7.605/2017). “

“3. A vigilância permanente exercida pelos próprios parlamentares e pela sociedade, através da imprensa, das mídias digitais e dos mecanismos de controle existentes nos deixa permanentemente sob escrutínio público, de quem dependemos, a cada quatro anos, para renovar nossos mandatos.”

“Não tenho nem nunca tive conta no exterior. Não conheço Álvaro Novis, nunca o vi, nem sei onde fica seu escritório. Tampouco conheço seus funcionários.”

“Meu patrimônio é absolutamente compatível com a renda oriunda das minhas atividades empresariais e isso já foi comprovado em investigação que durou dois anos e foi devidamente arquivada, em 2006, pela unanimidade – repito, pela unanimidade – dos votos do Conselho Superior do Ministério Público Estadual.”

“O tempo vai se encarregar de desmascarar essa covardia em curso. A tentativa de me envolver não pode ser maior que os fatos. “

“Atenciosamente,”

“Jorge Picciani”

COM A PALAVRA, JACOB BARATA FILHO

A defesa de Jacob Barata Filho não teve acesso ao teor da decisão que originou a operação de hoje da Policia Federal e, por isso, não tem condições de se manifestar a respeito. A defesa pedirá o restabelecimento das medidas que foram ordenadas pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, que já decidiu que a prisão preventiva do empresário é descabida e pode ser substituída por medidas cautelares, que vêm sendo fielmente cumpridas desde então.

 

Preço da gasolina sobe de novo e bate recorde, mostra ANP

O preço médio do litro da gasolina subiu 1,44% na última semana e atingiu 3,938 reais, segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É o maior valor para o combustível registrado neste ano. O levantamento levou em conta os valores cobrados aos consumidores em 3.097 postos pelo país.

Em relação às distribuidoras, a Petrobras reajustou o preço da gasolina em 6,70% na última semana, segundo dados divulgados pela empresa. Houve cinco alterações no período, como parte da política adotada pela estatal desde julho, que permite reajustes diários – a alta acumulada é de 26,9%.O preço do combustível nas refinarias é um dos componentes do preço cobrado nos postos, e os estabelecimentos têm liberdade para definir os valores.

O etanol também teve alta na última semana, de 2%, chegando a 2,745 reais por litro. A pesquisa da ANP considerou os preços em 2.724 postos, no caso desse combustível. O maior valor cobrado pelo etanol em 2017 foi de 2,931 reais por litro, em janeiro.

Apesar da alta nos preços de combustíveis – grupo que tem pressionado a altados preços recentemente – o setor que teve maior aumento em outubro foi o de energia. A conta de luz, que ficou em média 3,28% mais cara, foi uma das principais responsáveis pelo aumento do IPCA em 0,42% no mês. Em 1º de outubro entrou em vigor a bandeira tarifária vermelha, com cobrança adicional de 3,50 reais a cada 100 kilowatts consumidos.

Fonte: VEJA