URGENTE: Os votos dos senadores na sessão que salvou Aécio Neves

Por 44 votos a 26, o plenário do Senado decidiu barrar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e devolver o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Não houve nenhuma abstenção; dez senadores não compareceram ao plenário. Para atingir um resultado, eram necessários pelo menos 41 parlamentares a favor ou contra o tucano – caso contrário, a apreciação teria que ser refeita em outra data.

Denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça, o senador foi acusado de pedir e receber propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, delator da JBS preso por violar os termos de sua delação premiada. O tucano foi gravado por Joesley e, nos áudios, emprega linguagem chula e xingamentos para criticar diversas autoridades.

Votação

A votação transcorreu por meio de manobra regimental urdida pela cúpula do Senado para alterar o entendimento de artigo constitucional, com o objetivo de favorecer o senador tucano.

Trata-se da releitura do parágrafo 2º, artigo 53, da Constituição, que fixa em 41 senadores o número mínimo de votos tanto para preservar quanto para reverter a decisão do STF pela manutenção das medidas cautelares aplicadas a Aécio.

O procedimento foi anunciado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), no início da sessão plenária.

Esse modus operandi não foi aplicado na votação que cassou o mandato do ex-senador petista Delcídio Amaral (MS), em maio de 2016.

Essa decisão foi tomada por maioria absoluta em plenário (41 entre 80 votos possíveis), critério válido apenas para reverter a decisão do STF de prender o ex-senador. Naquela ocasião, o número mínimo de votos para manter a prisão de Delcídio não foi exigido.

Nos bastidores, senadores realizaram diversas reuniões para discutir a situação do colega, considerado pelo Palácio do Planalto como peça-chave da manutenção do PSDB na base aliada do presidente Michel Temer.

Cadeira de rodas

Houve ainda quem tenha feito questão de ir ao plenário votar – contra – o tucano mesmo com o ombro quebrado: o líder do DEM na Casa, Ronaldo Caiado (GO), que se acidentou com uma mula neste fim de semana.

“Sou um defensor do direito absoluto às instituições. Decisão judicial não cabe contestação. É para cumprir. Não compactuo com erros. Sou a favor do voto aberto e do respeito à decisão do STF”, havia escrito Caiado nas redes sociais.

Ele chegou ao Senado com o ombro esquerdo imobilizado e em cadeira de rodas, depois de cruzar de carro os mais de 200 quilômetros que separam Goiânia, onde mora, de Brasília.

Partidos

— PMDB, PSDB, PP, PR, PRB, PROS e PTC orientaram os senadores das respectivas bancadas a votar “não”, ou seja, contra o afastamento.

— PT, PSB, Pode, PDT, PSC e Rede orientaram voto a favor da decisão da Turma do Supremo.

— DEM e PSD liberaram os senadores a votar como quisessem.

VEJA COMO VOTARAM OS SENADORES:

(SIM) — Pelo afastamento de Aécio

Acir Gurgacz (PDT-RO)
Alvaro Dias (Pode-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Ângela Portela (PDT-RR)
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
José Medeiros (Pode-MT)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lasier Martins (PSD-RS)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Lúcia Vânia (PSB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Regina Sousa (PT-PI)
Reguffe (Sem partido-DF)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Romário (Pode-RJ)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Walter Pinheiro (Sem partido-BA)

(NÃO) — Pelo não afastamento de Aécio

Airton Sandoval (PMDB-SP)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cidinho Santos (PR-MT)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Dalírio Beber (PSDB-SC)
Dário Berger (PMDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Elmano Férrer (PMDB-PI)
Fernando Coelho (PMDB-PE)
Fernando Collor (PTC-AL)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves Filho
Hélio José (PROS-DF)
Ivo Cassol (PMDB-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino Maia (DEM-RN)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Serra (PSDB-SP)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Chaves (PSC-MS)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roberto Rocha (PSDB-MA)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Telmário Mota (PTB-RR)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vicentinho Alves (PR-TO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wellington Fagundes (PR-MT)
Wilder Morais (PP-GO)
Zezé Perrella (PMDB-MG)

com Congresso em Foco

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Seguidor de Bolsonaro é Preso, por Xingar Juliana Paes em Gravação de Novela

Via: IG

Gravação de ‘A Força do Querer’ termina em confusão:

Morador foi levado pela Polícia Militar após xingar elenco e equipe.

Uma briga agitou os bastidores de ‘A Força do Querer’. Um núcleo da novela está gravando na praia do Foguete, em Cabo Frio, no litoral do Rio. Na cidade, aliás, foram gravadas cenas como a surra de Bibi (Juliana Paes) em Carine (Carla Diaz), conforme a coluna já havia adiantado.

No último fim de semana, porém, uma confusão nada cenográfica interrompeu as gravações da trama de Glória Perez. Segundo testemunhas, um morador de uma das casas vizinhas a locação, xingava Juliana Paes a plenos pulmões da sua varanda. Era só o diretor dar o ‘gravando’, que o médico gritava contra a TV Globo e a favor de Bolsonaro, para atrapalhar o andamento das cenas, que exigiam silêncio.

A confusão foi tanta que a Guarda Municipal teve que acionar a Polícia Militar. As autoridades foram chamadas de ‘bando de merdas’ pelo morador. O médico acabou algemado e preso por desacato a autoridade. A equipe e os curiosos aplaudiram a atuação da PM e, enfim, puderam continuar com as gravações.

ATRASANDO O PAÍS EM DÉCADAS: Pautas de viés conservador avançam na gestão de Michel Temer

Via: FOLHA

Em 16 meses de gestão de Michel Temer, demandas do empresariado e de setores que defendem posições conservadoras tiveram avanço significativo no Executivo e no Congresso.

Propostas encampadas por campos opostos, por outro lado, não registraram movimentação expressiva no governo ou no Legislativo, que nas últimas eleições assistiu a um crescimento das bancadas da bala (segurança pública), evangélica e ruralista.

Assim que assumiu, em 12 de maio de 2016, Temer recebeu uma pauta de reivindicações de representantes do empresariado e dos ruralistas, dois segmentos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff (PT).

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) enviou um documento com 36 “propostas para o Brasil sair da crise”. Pelo monitoramento da entidade, 29 avançaram. Já os ruralistas encaminharam 17 pontos prioritários, dos quais 13 foram atendidos.

“O governo correspondeu plenamente às nossas expectativas. Foram ações de coragem, de um governo que não está pensando nas eleições do ano que vem. Acho que ele ousou em muita coisa”, afirma o deputado federal Marcos Montes (PSD-MG), presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio.

“Não há dúvida de que [o governo] tem tido maior capacidade de condução”, disse o diretor de Política e Estratégia da CNI, José Augusto Fernandes.

Entre os destaques para esses dois setores estão a reforma trabalhista, a regulamentação da terceirização, o fim da obrigatoriedade de participação da Petrobras na exploração do pré-sal, o programa de refinanciamento de débitos tributários das empresas, uma generosa renegociação de débitos dos produtores rurais, a lei de regularização fundiária e a flexibilização das regras de licenciamento ambiental.

Há ainda o “marco temporal”, uma interpretação jurídica da AGU (Advocacia Geral da União) que retira dos índios o direito de reivindicar terra sobre a qual não estavam em outubro de 1988.

Temer não assinou nenhum decreto de homologação, última etapa do processo de demarcação. Segundo levantamento da organização não governamental ISA (Instituto Socioambiental), “o desempenho de Temer já é considerado o pior para os índios desde a redemocratização”, em 1985, abaixo das 21 áreas homologadas por Dilma Rousseff, 87 por Lula, 145 por FHC, 16 por Itamar Franco, 112 por Fernando Collor e das 67 por José Sarney.

Com uma das piores avaliações populares da história, Temer fez acenos a trabalhadores ao liberar o saque de contas inativas do FGTS, fundo que também teve sua rentabilidade elevada em 2017.

Em artigo, o diretor de documentação do Diap (entidade constituída por cerca de 900 entidades sindicais de trabalhadores), Antônio Augusto de Queiroz, afirmou que a atual gestão integra arranjo “em torno da agenda neoliberal”.

A bancada da bala também se diz satisfeita. Alberto Fraga (DEM-DF), presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, afirma que a interlocução com o Planalto “melhorou 1.000%”. Ele cita decretos que suavizam exigências do Estatuto do Desarmamento, como a ampliação de três para cinco anos da validade do registro de arma de fogo.

A bancada tenta votar um projeto que revê boa parte das normas no Estatuto. Se passar na Câmara, irá para o Senado –onde outro projeto polêmico está para ser votado: a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos.

A bancada religiosa segue barrando projetos contrários aos seus interesses. “Queira ou não, temos hoje 86% de cristãos neste país. O governo é laico, mas não o país”, afirma o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, Hidekazu Takayama (PSC-PR). Um projeto de interesse do grupo é o Escola Sem Partido, que acelerou em comissão na qual 15 de 23 membros são religiosos.

“O que está avançando no governo Temer é uma pauta mais moral. Não no sentido de ser contra a corrupção, mas de costumes”, diz o deputado Flavinho (PSB-SP).

Na outra ponta, parlamentares de esquerda relatam dificuldade. Projeto de Jean Wyllys (PSOL-RJ) para regulamentar a prostituição travou desde 2015. O mesmo para o que trata do direito à identidade de gênero.

A agenda de Temer nesses 16 meses mostra que ele se encontrou com representantes de 42 empresas, 5 vezes com a bancada ruralista e 7 com entidades e líderes evangélicos. Na outra ponta, teve 6 reuniões com centrais sindicais e nenhuma com movimentos quilombolas ou indígenas.

GOVERNO DIZ QUE ATUA ‘SEM DISTINÇÕES’

A Casa Civil, vinculada à Presidência, afirmou que a gestão de Michel Temer atende às demandas de todos grupos, sem distinção.

“Todas as demandas que chegam ao governo pelos efetivos representantes das categorias têm sido respondidas no tempo hábil”, afirma em nota.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a “pauta da Câmara tem dois focos: a reforma do Estado brasileiro e a segurança jurídica pra geração empregos”. Citando a situação do Rio, ele também disse que as pautas de segurança pública não são “da bancada [da bala] e sim da sociedade.”

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV-MA), disse que “não houve retrocesso ambiental no Brasil”. “O ministério tem priorizado a execução de suas atividades finalísticas, especialmente as de comando e controle, que dão suporte à fiscalização ambiental contra o desmatamento, os incêndios e queimadas ilegais”, afirmou, em nota.

O ministério citou 13 pontos em que aponta avanços, entre os quais a “reversão da curva do desmatamento na Amazônia, que era ascendente há cinco anos”, a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), “de 64 mil para 240 mil hectares”, o “desestímulo às usinas termelétricas movidas a carvão mineral e a óleo combustível”, entre outros.

Segundo o ministério, “por recomendação do ministro” Temer “vetou as medidas provisórias que diminuiriam áreas protegidas na Amazônia”.

Sobre o parecer corroborado por Temer que vinculou o chamado “marco temporal” aos processos de demarcação de terras indígenas, em julho a AGU (Advocacia Geral da União) afirmou que a medida vai garantir segurança jurídica.

A respeito da redução da terra indígena Jaraguá, em São Paulo, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou, durante um encontro com indígenas guaranis da região, que trabalha para dar “segurança jurídica” e que era defensor dos direitos indígenas, mesmo sofrendo “pressões imensas” de políticos ligados ao agronegócios, os quais ele não nominou. Na conversa gravada pelos índios, Jardim disse ser contrário à tese do “marco temporal” na forma adotada pelo governo.

O Ministério da Educação afirmou, em nota, ser publicamente contrário ao projeto do Escola Sem Partido. “Além disso, o ministro não discute a Educação sob o ponto de vista político e ideológico.”

*

OS AVANÇOS DE CADA UM

Veja propostas que deslancharam no governo Temer em cada área e os grupos que as defenderam

Empresariado

Reforma trabalhista

Endureceu regras para ações judiciais, flexibilizou exigências trabalhistas e instituiu a prevalência, sobre a lei, do que for negociado entre patrões e empregados

Planos de saúde

Governo criou grupo para discutir a criação de planos de saúde reduzidos. Já ganhou primeiro aval da ANS na última semana. No Congresso, comissão deve propor mudanças em prol das operadoras

Terceirização

Em março/2017, o Congresso aprovou, com apoio de Temer, projeto que liberou a terceirização no país para qualquer ramo das empresas, incluindo o principal, da chamada atividade-fim

Guerra fiscal

Em agosto/2017 foi sancionada lei que convalidou benefícios fiscais concedidos por Estados a empresas sem autorização do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária)

Pré-sal

Em novembro/2016, Temer sancionou projeto aprovado no Congresso que tirou da Petrobras a obrigatoriedade de ser a operadora única do pré-sal, regra criada no governo Dilma Rousseff

Dívidas de empresas

Governo lançou neste ano programa de refinanciamento de débitos tributários de empresas. Apesar de a medida já estar em vigor, Congresso discute alteração das regras

Empresariado e bancada religiosa

Educação e diversidade

Por pressão da bancada evangélica, Ministério da Educação retirou da base nacional curricular todas as menções a “identidade de gênero” e “orientação sexual”

Bancada religiosa

Aborto

Projeto que inclui veto a aborto -incluindo os casos permitidos por lei- tem avançado em comissão na Câmara. Proposta é incluir, na Constituição, que o direito à vida ocorreria “desde a concepção”

Escola sem partido

Proposta da bancada religiosa, que inclui nos princípios do ensino “respeito às convicções do aluno, seus pais e responsáveis”. Está prestes a ter parecer em comissão

Ambientalistas, indígenas, quilombolas

Hidrelétricas

Em agosto/2016, vitória de ambientalistas porque o Ibama negou licença ambiental para hidrelétrica no rio Tapajós. Em novembro/2016, negada autorização para hidrelétrica em SP

Ruralistas

Terras indígenas

Nenhuma terra indígena homologada por Temer em 16 meses, contra 21 no governo Dilma (2011-2016). Parecer da AGU confirmado por Temer instituiu “marco temporal”, tese apoiada pelo agronegócio

Questão fundiária

Temer sancionou “lei da grilagem”, com legalização de áreas invadidas por particulares “maiores que um módulo fiscal e até 2.500 hectares”. Retira exigências ambientais para regularização fundiária

Meio ambiente

Caso Renca: liberação de áreas protegidas para exploração mineral a grandes empresas do setor. Enfraquecimento do licenciamento ambiental, com projeto avançado na Câmara, de Mauro Pereira (PMDB-RS)

Agrotóxico

Casa Civil elaborou medida provisória para alterar legislação para uso de agrotóxicos, que modifica a forma de avaliação para aprovação de substâncias. Mudança foi elaborada com participação do agronegócio

Venda de terra a estrangeiros

Governo preparou, com bancada ruralista, projeto que autoriza compra de até 100 mil hectares ou mais, desde que o comprador abra seu capital. Senado poderá discutir assunto

Dívidas rurais

Em agosto/2017, governo reduziu alíquota da contribuição do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural) e permitiu parcelamento de dívidas em até 180 vezes com redução de multas e juros

Amazônia

Em junho/2017, Temer recuou de duas medidas que reduziam proteção de 587 mil hectares na Amazônia. Porém, em julho, reenviou ao Congresso proposta que enfraquece proteção da floresta Jamanxim

Quilombolas

Paralisação da demarcação de territórios. Valor gasto com indenização de imóveis caiu de R$ 13,2 milhões (2014) para R$ 3,5 milhões (2017). Para reconhecimento dos territórios, queda de R$ 2,1 milhões

Bancada da bala

Maioridade penal

Senado ensaia votar texto que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal, proposta já aprovada na Câmara; o projeto está pronto para votação na Comissão de Constituição e Justiça e já foi incluído na pauta

Armas de fogo

Por meio de decretos, o Executivo flexibilizou pontos do Estatuto do Desarmamento, aumentando prazos de validade de licenças de porte. Projeto já aprovado em comissão na Câmara pretende esvaziar outros

Grupos de defesa lgbt e de defesa dos direitos das mulheres

Direitos das mulheres

Como ocorre todo ano na semana do Dia Internacional da Mulher, Câmara aprovou projetos da bancada feminina, como o que proíbe revista íntima de mulheres em empresas e em órgãos públicos

NENHUMA NOVIDADE: “O AÉCIO É BANDIDÃO”, DIZ JOESLEY

VIA: VEJA

DELATORES NEGOCIAM DIVISÃO DE TAREFAS: “VAMOS PEGAR O AÉCIO TAMBÉM. ELE VAI FICAR CHATEADO”, DISSE SAUD

Em um dos trechos da gravação que encaminharam na última quinta-feira à Procuradoria-Geral da República, os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud discutem reservadamente quais autoridades deveriam ser gravadas por eles para compor o acervo do acordo de delação premiada que negociavam com o Ministério Público Federal. Na divisão de tarefas, Saud teria ficado com a incumbência de gravar o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, enquanto a Joesley cabia registrar em áudio conversas com o presidente Michel Temer, o que efetivamente foi feito. “Então vai ser o cerco no Zé e eu com o Temer”, resumiu Joesley.

Na discussão sobre quais autoridades estariam na mira dos delatores, os dois afirmam ter informações que comprometem o senador tucano Aécio Neves(MG). “Vamos pegar o Aécio também. Ele vai ficar chateado”, diz Saud.

Embora Joesley considere Aécio um político de importância menor diante de alvos como Michel Temer, o empresário dono da JBS se justifica: “Ele ficou pequenininho… (risos). Não, nós vamos, só porque ele é bandidão mesmo. Você sabe que esse aqui, os outros vai ficar pequenininho, pequenas causas, não vai precisar”.

Ao longo das investigações, o Ministério Público afirmou que a jornalista Andrea Neves, irmã de Aécio, pediu 40 milhões de reais ao empresário Joesley Batista. A justificativa dada por Andrea, disse o delator, era a de que o dinheiro era o valor que deveria ser pago pelo apartamento da mãe, no Rio de Janeiro. A transação para o futuro repasse de dinheiro envolveu também Aécio, que, conforme depoimentos da delação de Joesley Batista, teria afirmado que, no caso de emplacar Aldemir Bendine na presidência da companhia Vale, o próprio Bendine “resolveria o problema dos 40 milhões pedidos por Andrea Neves”. Aécio disse, na sequência, que já tinha indicado outra pessoa e depois ofereceu a Joesley a escolha de uma de quatro diretorias da Vale. Depois o senador pediu que o empresário esquecesse o assunto dos 40 milhões de reais.

Aldemir Bendine foi presidente do Banco do Brasil e da Petrobras e hoje está preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava-Jato. Segundo os delatores Marcelo Odebrecht e Fernando Santos Reis, entre 2014 e 2015 o ex-presidente do BB e da Petrobras pediu “vantagem indevida” para atuar em nome dos interesses da Odebrecht Ambiental. Em outra ocasião, delatores detalharam que o dinheiro que deveria ser pago seria equivalente a 1% da dívida alongada da Odebrecht Ambiental perante o Banco do Brasil e serviria para “permitir” a renegociação de um débito da empresa junto à instituição financeira.

Na delação de Joesley Batista, o empresário se declarou como “o maior doador de Aécio Neves” e afirmou que doou caixa dois para a campanha do tucano. Ele revelou ainda que, mesmo depois da campanha, vendeu um imóvel superfaturado por 17 milhões de reais a uma pessoa indicada por Aécio para que, na transação, o dinheiro pudesse chegar ao tucano. Ao Ministério Público, o dono da JBS também detalhou, no acordo de delação premiada já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o apetite de Aécio Neves ao pedir recursos. Ele relatou que em 2016, o senador pediu 5 milhões de reais extras, mas Joesley disse não ter dado o dinheiro.

Também em depoimento de delação, o diretor de Relações Institucionais da holding J&F Ricardo Saud afirmou que o grupo JBS “comprou” dívidas de Aécio Neves com terceiros. Embora o tucano tenha recebido cerca de 80 milhões de reais para a campanha, “ele continuou pedindo mais dinheiro”.

 

Nenhuma novidade: “O Aécio é bandidão”, diz Joesley

Via: VEJA

Delatores negociam divisão de tarefas: “Vamos pegar o Aécio também. Ele vai ficar chateado”, disse Saud

Em um dos trechos da gravação que encaminharam na última quinta-feira à Procuradoria-Geral da República, os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud discutem reservadamente quais autoridades deveriam ser gravadas por eles para compor o acervo do acordo de delação premiada que negociavam com o Ministério Público Federal. Na divisão de tarefas, Saud teria ficado com a incumbência de gravar o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, enquanto a Joesley cabia registrar em áudio conversas com o presidente Michel Temer, o que efetivamente foi feito. “Então vai ser o cerco no Zé e eu com o Temer”, resumiu Joesley.

Na discussão sobre quais autoridades estariam na mira dos delatores, os dois afirmam ter informações que comprometem o senador tucano Aécio Neves(MG). “Vamos pegar o Aécio também. Ele vai ficar chateado”, diz Saud.

Embora Joesley considere Aécio um político de importância menor diante de alvos como Michel Temer, o empresário dono da JBS se justifica: “Ele ficou pequenininho… (risos). Não, nós vamos, só porque ele é bandidão mesmo. Você sabe que esse aqui, os outros vai ficar pequenininho, pequenas causas, não vai precisar”.

Ao longo das investigações, o Ministério Público afirmou que a jornalista Andrea Neves, irmã de Aécio, pediu 40 milhões de reais ao empresário Joesley Batista. A justificativa dada por Andrea, disse o delator, era a de que o dinheiro era o valor que deveria ser pago pelo apartamento da mãe, no Rio de Janeiro. A transação para o futuro repasse de dinheiro envolveu também Aécio, que, conforme depoimentos da delação de Joesley Batista, teria afirmado que, no caso de emplacar Aldemir Bendine na presidência da companhia Vale, o próprio Bendine “resolveria o problema dos 40 milhões pedidos por Andrea Neves”. Aécio disse, na sequência, que já tinha indicado outra pessoa e depois ofereceu a Joesley a escolha de uma de quatro diretorias da Vale. Depois o senador pediu que o empresário esquecesse o assunto dos 40 milhões de reais.

Aldemir Bendine foi presidente do Banco do Brasil e da Petrobras e hoje está preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava-Jato. Segundo os delatores Marcelo Odebrecht e Fernando Santos Reis, entre 2014 e 2015 o ex-presidente do BB e da Petrobras pediu “vantagem indevida” para atuar em nome dos interesses da Odebrecht Ambiental. Em outra ocasião, delatores detalharam que o dinheiro que deveria ser pago seria equivalente a 1% da dívida alongada da Odebrecht Ambiental perante o Banco do Brasil e serviria para “permitir” a renegociação de um débito da empresa junto à instituição financeira.

Na delação de Joesley Batista, o empresário se declarou como “o maior doador de Aécio Neves” e afirmou que doou caixa dois para a campanha do tucano. Ele revelou ainda que, mesmo depois da campanha, vendeu um imóvel superfaturado por 17 milhões de reais a uma pessoa indicada por Aécio para que, na transação, o dinheiro pudesse chegar ao tucano. Ao Ministério Público, o dono da JBS também detalhou, no acordo de delação premiada já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o apetite de Aécio Neves ao pedir recursos. Ele relatou que em 2016, o senador pediu 5 milhões de reais extras, mas Joesley disse não ter dado o dinheiro.

Também em depoimento de delação, o diretor de Relações Institucionais da holding J&F Ricardo Saud afirmou que o grupo JBS “comprou” dívidas de Aécio Neves com terceiros. Embora o tucano tenha recebido cerca de 80 milhões de reais para a campanha, “ele continuou pedindo mais dinheiro”.

 

Em conversa gravada, delatores falam em ‘dissolver’ o Supremo

Via: ESTADÃO

Nos novos áudios da delação de executivos da J&F entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR), na semana passada, obtidos pela  Veja, os delatores da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud falam sobre “dissolver o Supremo” e sugerem que para isso irão usar o Zé ( o ex-ministro da Justiça do governo Dilma, José Eduardo Cardozo, que supostamente teria ainda influência na Suprema Corte).

“Manda quem pode e obedece quem tem juízo, somos obedientes”, diz Joesley em um dos trechos do áudio. “Eles vão dissolver o Supremo. Eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé e o Zé vai entregar o Supremo. Na miúda, não tem que falar mais nada pro Zé, chamar ele pra vir aqui, dizer que ele precisa trabalhar conosco e dizer que precisamos organizar o Supremo. Única chance que temos de sobreviver é isso. Você tem quem? A, B, C, D, F… Como é cada um, qual influência que vc tem nesse fdp, como a gente grampeia, o Zé vai entregar tudo. Vai falar de dois só, só vamos entregar o Judiciário e o Executivo. A Odebrecht moeu o Legislativo, nós vamos moer ( Executivo e Judiciário).”

Joesley diz que eles irão fazer um serviço tão bem feito que não vai precisar chamá-los. “As gravações, não vai precisar de nós. O Zé vai entregar o Supremo. Eu vou chamar o Zé e dizer, a casa caiu, velho, preciso de você, vamos montar nossa tática de guerra aqui, por onde a gente chega e vamos botar tudo na conta do Zé. E, ó, tchau. Por isso que nós dois temos de estar alinhados, nós dois e o Marcelo. Temos de operar o Marcelo ( Miller-ex-procurador que deixou a força-tarefa da Lava Jato para trabalhar em escritório de advocacia que negociou delação dos executivos) direitinho pra chegar ao Janot (procurador-geral da República). É o que eu falei pra Fernanda, não podemos ser o primeiro, temos de ser a tampa do caixão. Não vamos dar nem o primeiro e nem o último tiro, vamos bater o prego da tampa (do caixão).” A reportagem procurou o ex-ministro Cardozo e aguarda o retorno.

No áudio, Joesley fala também que não teme ser preso e que a chance disso ocorrer é “zero”. “Não tem nenhuma chance. Nenhuma chance. Sabe qual a chance de eu ser preso? Nenhuma. Zero. Não precisa dar explicação nenhuma. Por quê? Porque não vai. Não tem nenhuma chance. Queria tranquilizar todo mundo, eu não vou ser preso, ninguém vai ser preso”, diz o empresário dono da JBS, na conversa com Ricardo Saud.

Com a Condenação de Bolsonaro no STJ, Bolsominions não usam o Bordão; Bandido Bom É Bandido Morto!

Bastou sair a Condenação de Bolsonaro por Incitação ao Estupro, cometido contra Maria do Rosário, que os Seguidores de Bolsonaro não postam mais a frase tão citada: Bandido Bom é Bandido Morto?

Leia aqui a Condenação: https://www.cartacapital.com.br/politica/pela-terceira-vez-bolsonaro-e-condenado-a-indenizar-maria-do-rosario

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LISTA COM NOMES E CONTATOS DOS SENADORES QUE COMPÕEM A CCJ. LIGUEM E PRESSIONEM


Da Redação do Blog Verdades Ocultas                                  Em 21/06/1017

Depois de a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitar por 10 votos a 9, o texto principal da reforma trabalhista, o PLC 38/2017 segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o relator é o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Infelizmente, apesar do grande alívio a batalha ainda não chegou ao fim. Agora é a vez do povo pressionar os senadores de seus estados e exigir que votem contra a Reforma Trabalhista, pois só assim, nesse caso em questão, provarão que estão do lado do povo, caso votem a favor da reforma o povo os terão por inimigos de suas causas. Todos os argumentos do governo Temer para justificar as reformas já se esgotaram, não há nada mais que possam dizer para convencer o povo de que as reformas são em benefício dos trabalhadores. “O POVO NÃO É BOBO” já faz parte das palavras de ordem ecoadas em manifestações, só falta o governo entender isso.

O povo é contra as reformas, e não apoiará nenhum senador que votar a favor desse massacre de direitos contra o povo brasileiro. Qualquer senador que votar contra os direitos do povo brasileiro será visto como inimigo da pátria e com certeza nunca mais será eleito, a paciência da nação brasileira chegou ao fim e é bom que os parlamentares tenham ciência disso.

O senador Paulo Paim (PT) RS admite que mudanças possam ser feitas, ajustes se forem para o bem de todos, mas  é contra as Reformas Trabalhista e da Previdência do jeito que estão sendo propostas e pede ao povo brasileiro que procure os três senadores dos seus estados, mandem mensagens através das redes sociais, whatsapp ou email e façam pressão para que eles votem contra a Reforma Trabalhista. O povo tem o poder de decidir isso, basta que se manifeste. Pressão é a palavra chave nesse momento. A luta continua!

ABAIXO, LISTA COM NOMES E CONTATOS DOS SENADORES QUE COMPÕEM A COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO, JUSTIÇA E CIDADANIA – CCJ. LIGUEM E PRESSIONEM:

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Jurista diz que Gilmar Mendes é o Cunha do Judiciário

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Após ser atacado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o jurista pernambucano Marcelo Neves, professor da Universidade de Brasília (UnB), um dos autores do pedido de impeachment contra o ministro, contra-atacou, nesta segunda-feira (19), comparando o ministro ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), preso. “Gilmar Mendes está para o Judiciário como Eduardo Cunha está para o Legislativo”, ironizou.

Em nota, Neves afirmou que o ministro “se afastou há muito tempo da conduta compatível com a honra, a dignidade e o decoro do seu cargo”. Ademais, disse que o ministro “chegou ao STF bajulando políticos como [ex-presidente Fernando] Collor e FHC”, este último o responsável por sua nomeação ao cargo na Suprema Corte. À época, Mendes chefiou a Advocacia-Geral da União (AGU) no governo do tucano.

Procurado pelo Diario, o jurista Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República, disse que preferia não se pronunciar. Limitou-se a dizer que “os autos falam por si”.

Ao ser questionado nesta segunda sobre o pedido de impeachment, Mendes desqualificou os dois autores, chamando-os de “falsos juristas”. A declaração foi dada após palestra sobre os desafios da governabilidade, no Lide Pernambuco, na Imbiribeira, Zona Sul do Recife.

* Com colaboração de Aline Moura

Abaixo a nota de Marcelo Neves na íntegra:

O sr. Gilmar Mendes é useiro e vezeiro em desviar a atenção dos seus malfeitos com ataque às pessoas. Ele não responde objetivamente ao conjunto de graves infrações que lhe imputamos em duas denúncias por crime de responsabilidade perante o Senado (impeachment), uma reclamação disciplinar perante o STF e uma notícia de crime perante a Procuradoria Geral da República. Foge de tudo, com ataques pessoais.

Ele já se afastou há muito tempo da conduta compatível com a honra, a dignidade e o decoro do cargo de Ministro do STF. Exerce ilegalmente atividades partidárias, julga em casos nos quais advogados do escritório de sua esposa atuam como advogado da parte, encontra-se a portas fechadas com o sr. empresário Joesley Batista acompanhado do seu advogado, um empresário investigado criminalmente pelo STF à época. Recebe dinheiro desse empresário via IDP, do qual é sócio. O IDP tem sido de fato ilegalmente administrado por ele, como é público e notório e constava na Receita Federal até novembro de 2016. Ataca injuriosamente colegas, as partes, membros do Ministério Público, instituições etc. Ele já praticou praticamente todos os crimes de responsabilidade previsto no art. 39 da Lei nº 1.079/1950.

Ele deveria esclarecer sua amizade com Riva e Sival no Mato Grosso e a venda da Faculdade de seu irmão nesse Estado, que dependeu de uma emenda à constituição estadual. Como foi isso?

Do ponto de vista de carreira, é bobagem o que diz o Ministro sobre mim. Comparem meu currículo com o dele no Lattes. Ele é um mero manualista do direito, que chegou ao STF bajulando políticos como Color e FHC. Um colega disse que ele é a Ivete Sangalo do direito. Eu entendo que isso é uma agressão a Ivete Sangalo.

Fui demitido injustamente da FGV em 2005. Pela injustiça da demissão recebi indenização por dano moral em torno de R$ 1.000.000 (um milhão de reais). Além disso, a FGV teve que se retratar na imprensa, inclusive no CONJUR, que é do grupo do Sr. Gilmar. 

Afastei-me dele porque me convenci que é um ser de baixíssima estatura moral, indigno de conviver comigo. Gilmar Mendes está para o Judiciário como Eduardo Cunha está para o Legislativo. Quem são os amigos dele: Riva, Sival, Aécio, Temer, Jucá, entre outros. Eu sou amigo de Fonteles. Tirem as suas conclusões“.

MBL apaga post em que chamava professores universitários de vagabundos

mbl-apaga-post-professores-vagabundos.jpgMBL diz que professor de universidade pública não trabalha, apaga postagem após repercussão negativa mas internautas resgatam imagem. Crítica foi feita após professor-doutor reclamar de salários atrasados.

Lola Aranovich, em seu blog

Eu lembro quando, uns cinco ou seis anos atrás, um reaça patrocinado pelo governo Alckmin para atacar pessoas de esquerda veio no meu Twitterdizer que professor universitário não trabalha. Eu só joguei pra torcida — olha o que esse cara tá falando. A reação foi forte, e o sujeito teve que apagar o tuíte rapidinho. Afinal, qualquer pessoa minimamente inteligente sabe que professor (seja universitário, seja do ensino fundamental ou do ensino médio, seja da rede pública ou privada) trabalha pacas.

O tempo passa, o tempo voa, o Brasil está infinitamente pior do que há meia década, mas os reaças não mudam. Continuam odiando professores, que querem controlar através da Lei da Mordaça, também conhecida como Escola Sem Partido. Acreditam que todo professor é de esquerda, o que me faz pensar se essa gente já entrou numa sala de aula ou, no mínimo, numa sala de professores.

Semana passada foi a vez de outros reaças manifestarem seu ódio por professores.

Começou assim: o professor de Engenharia Química Evandro Brum Pereira, 61 anos, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), um dos 207 mil servidores que não receberam o salário de abril, foi para a rua com um cartaz mostrando suas credenciais (mestrado, doutorado e pós-doutorado no exterior, professor na UERJ há 19 anos, fluente em inglês, francês e espanhol) e pedindo: “Alguém pode me arrumar um trabalho? Afinal, preciso pagar minhas contas”.

A atitude de Evandro gerou grande repercussão, e ele recebeu várias propostas — uma delas para lecionar no exterior. Mas recusou. Justificou-se: “Eu sou professor com dedicação exclusiva da Uerj. Amo o que faço, amo dar aula. Continuo na Uerj sim. É um apelo que a gente faz: olhem com carinho nossa situação. Tentem solucionar isso o mais rápido possível. Precisamos comer”.

Evandro é um dos funcionários públicos que está sem receber seu salário depois que o Rio, enterrado pela corrupção, decretou estado de calamidade. Hoje foi publicada uma reportagem sobre aposentadas que tiveram que voltar a trabalhar (vendendo bala, por exemplo), porque seu benefício deixou de ser pago. Vários auxiliares acumularam dívidas (e, consequentemente, problemas de saúde) e vivem de doações. Grande parte ainda não recebeu o 13º salário de 2016. É uma situação desesperadora: imagine trabalhar e não ganhar salário? Não ter dinheiro para pagar as contas, que não deixam de chegar?

Bom, o MBL (Movimento Brasil Livre) decidiu pegar carona na repercussão do cartaz do professor para criar um de seus memes. Usando a imagem de Evandro (certamente sem sua autorização), o movimento escreveu: “Professor concursado recusa proposta da iniciativa privada. Lá tem que trabalhar pra receber”.

mbl chama professores vagabundos esquerda ódio

Ironicamente, ninguém sabe ao certo o que o MBL faz da vida ou como sobrevive. Sabemos que o MBL é aquele grupo que organizava manifestações para derrubar um governo legitimamente eleito e combatia a corrupção, enquanto posava ao lado de Eduardo Cunha e outros políticos não exatamente honestos. Ninguém sabe quem patrocina o MBL, pois suas contas não são nada transparentes. Obviamente não é um grupo apartidário. Uma de suas metas é o fim do PT. Há fortes suspeitas que eles têm apoio de grupos internacionais de direita (como os bilionários irmãos Koch) e de caixa 2 de partidos como o PMDB, PSDB, DEM e Solidariedade.

É um movimento de direita, isso está claro. E sabemos que a direita é contra universidades públicas e gratuitas. Um de seus líderes, Kim Kataguiri, alegou ter largado o curso de Economia na UFABCporque não tinha nada a aprender com seus professores. O guru de toda a direita brazuca, Olavo de Carvalho, é também um sem-diploma que vive falando mal das universidades brasileiras e seus professores.

Porém, o meme do MBLdialogando” com o professor da Uerj bate recordes de mau caratismo. Não é que o professor se nega a trabalhar e quer receber. É contrário, estúpido: o professor trabalha, e não recebe. Mas a ideologia do MBL vai além: ela é contra professor concursado.

Ué, reaças não são a favor da meritocracia? E querem acabar com concursos? Querem que professores e demais servidores sejam contratados como, por QI (Quem Indica)?

Depois, quando essa gentinha minúscula é chamada de “golpista” num aeroporto, vem choramingar nas redes sociais, dizendo-se hostilizada. Quando algum professor perguntar pra um desses pilantras: “Foi o seu movimento que escreveu que professor não trabalha?”, o MBL vai fazer algum manifesto contra a doutrinação comunista nas salas de aula.

Mas acho importante você que é professor ou aluno ou simplesmente alguém que valoriza a educaçãopública saber: reaças odeiam professores. E mentem em alto e bom tom que não trabalhamos.