Presidente da Eletrobras chama funcionários de ‘vagabundos’

Declaração é estopim para guerra interna no órgão

 

A divulgação de uma gravação em que o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, chama funcionários de “vagabundos” foi o estopim para que o sindicato do órgão declarasse guerra.

“São 40 % caras que é inútil (sic), não servem para nada. Tá aqui ganhando uma gratificação, um telefone, uma vaga de garagem, uma secretária. Esse tipo de coisa a sociedade não pode pagar por vagabundo, em particular no serviço publico”, disse.

Em resposta, o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) iniciou uma paralisação nesta quinta (22), em protesto contra Ferreira. Segundo a entidade, a gestão é pautada pelo assédio aos funcionários, assim como se nega a dialogar com os diferentes setores.

O CNE diz ainda que o presidente comete infrações administrativas, como a contratação de serviços sem a utilização de pregão eletrônico. A medida, afirmam, fere a lei de licitações.

LISTA COM NOMES E CONTATOS DOS SENADORES QUE COMPÕEM A CCJ. LIGUEM E PRESSIONEM


Da Redação do Blog Verdades Ocultas                                  Em 21/06/1017

Depois de a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitar por 10 votos a 9, o texto principal da reforma trabalhista, o PLC 38/2017 segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde o relator é o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Infelizmente, apesar do grande alívio a batalha ainda não chegou ao fim. Agora é a vez do povo pressionar os senadores de seus estados e exigir que votem contra a Reforma Trabalhista, pois só assim, nesse caso em questão, provarão que estão do lado do povo, caso votem a favor da reforma o povo os terão por inimigos de suas causas. Todos os argumentos do governo Temer para justificar as reformas já se esgotaram, não há nada mais que possam dizer para convencer o povo de que as reformas são em benefício dos trabalhadores. “O POVO NÃO É BOBO” já faz parte das palavras de ordem ecoadas em manifestações, só falta o governo entender isso.

O povo é contra as reformas, e não apoiará nenhum senador que votar a favor desse massacre de direitos contra o povo brasileiro. Qualquer senador que votar contra os direitos do povo brasileiro será visto como inimigo da pátria e com certeza nunca mais será eleito, a paciência da nação brasileira chegou ao fim e é bom que os parlamentares tenham ciência disso.

O senador Paulo Paim (PT) RS admite que mudanças possam ser feitas, ajustes se forem para o bem de todos, mas  é contra as Reformas Trabalhista e da Previdência do jeito que estão sendo propostas e pede ao povo brasileiro que procure os três senadores dos seus estados, mandem mensagens através das redes sociais, whatsapp ou email e façam pressão para que eles votem contra a Reforma Trabalhista. O povo tem o poder de decidir isso, basta que se manifeste. Pressão é a palavra chave nesse momento. A luta continua!

ABAIXO, LISTA COM NOMES E CONTATOS DOS SENADORES QUE COMPÕEM A COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO, JUSTIÇA E CIDADANIA – CCJ. LIGUEM E PRESSIONEM:

Screenshot_9.png

Nova pesquisa traz Lula isolado na liderança, Bolsonaro em 2º e Doria estacionado em 3º

Do Poder360:

Pesquisa do DataPoder360 mostra que a soma dos votos brancos e nulos (31%) com os eleitores indecisos (12%) totalizaria 43% se a eleição presidencial fosse hoje. A taxa é maior do que o percentual obtido por qualquer nome testado no levantamento.

O estudo do DataPoder360, divisão de pesquisas do Poder360, foi realizado de 17 a 19 de junho de 2017. Foram entrevistados 2.096 pessoas com 16 anos de idade ou mais, em 217 municípios. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

O candidato conservador Jair Bolsonaro (PSC), 62 anos, parece ter atingido seu teto. Nos 2 cenários testados pelo DataPoder360, Bolsonaro não cresceu. Ao contrário, seus percentuais oscilaram para baixo (dentro da margem de erro).

Bolsonaro teve 14%, no cenário em que o candidato do PSDB é o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, 64 anos, e 15% quando o tucano testado é o prefeito da capital paulista, João Doria, 59. Há 1 mês, Bolsonaro chegou a 21% no cenário com Alckmin e 17%, quando o adversário é Doria.

O prefeito de São Paulo deslizou de 13% para 11% (dentro da margem de erro). No período, Doria teve menos exposição na mídia nacional. Ainda assim, continua sendo o tucano mais competitivo. Alckmin seria escolhido por apenas 7% dos eleitores. O governador de São Paulo não evoluiu em relação às pesquisas anteriores. Oscilou dentro da margem de erro –teve 8% em abril e 4% em maio.

A transferência dos votos entre os tucanos nas diferentes projeções não é automática. Apenas 26% dos eleitores de Alckmin votariam em João Doria no 2º cenário. A maior parte (44%) escolheria Jair Bolsonaro como candidato quando o governador não está na disputa. Por outro lado, Bolsonaro perderia 20% de votos para Doria caso este fosse o candidato do PSDB.

Isolado na liderança está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 71 anos, com 27% das intenções de voto nos 2 cenários testados pelo DataPoder360. O desempenho do petista segue estável, com ligeira tendência de alta –ele teve pontuações positivas em relação a estudos anteriores, mas sempre dentro da margem de erro.

Em abril, Lula pontuou 24% e 25% da preferência do eleitorado, nos 2 cenários. Em maio, foi o escolhido por 25%.

Na lanterna, os pré-candidatos Marina Silva (Rede), 59, e Ciro Gomes (PDT), 59, tiveram ambos 5% no cenário 1 (com Alckmin) e 6% no cenário 2 (com Doria).

Na maior naturalidade Globo News noticia que PMDB de Temer salvará Aécio de ser cassado e preso

salvar-mandato-aécio.jpg

Sem cassar o mandato do senador Aécio Neves fica difícil efetuar sua prisão

O governo Temer já provou que é corrupto, ao oferecer cargos e jantares em troca de apoio, mas agora se superou ao dizer claramente que fará tudo pra defender Aécio das acusações da lava-jato se os tucanos do PSDB apoiarem seu mantado .

Imagine agora se fosse com Lula, naturalmente haveria muitas panelas e revoltas nas ruas…

Médico preso por desviar milhões do SUS pedia o “fim da corrupção” e prisão de Lula

erich-650x330.jpg

Nas redes sociais, um discurso moralista em defesa da ética e várias imagens em passeatas “contra a corrupção, a favor do impeachment de Dilma, da prisão de Lula e da extinção do PT”. Na vida cotidiana, o neurocirurgião Erich Fonoff integrava esquema fraudulento no SUS. O médico foi preso pela Polícia Federal

O neurocirurgião do Hospital das Clínicas (SP), Erich Fonoff, especializado em Mal de Parkinson, foi um dos presos em condução coercitiva na última segunda-feira (18) na operação Dopamina, da Polícia Federal.

De acordo com os investigadores, Fonoff e outros médicos faziam parte de um esquema criminoso de desvio de recursos públicos para a compra de equipamentos médicos.

São estimados cerca de R$ 18 milhões de prejuízos aos cofres públicos.

Apesar de, supostamente, ter se beneficiado com desvios de recursos públicos, o neurocirurgião é um assíduo ‘militante’ anti-corrupção.

Desde que a presidente Dilma Rousseff foi eleita em 2014, Fonoff tem frequentado inúmeros protestos pró-impeachment e, pelas redes sociais, pedia o “fim da corrupção”, pregando a prisão do ex-presidente Lula e espalhando boatos como de que o governo federal cortaria o Bolsa Família de quem não votasse em Dilma nas eleições de 2014.

Confira algumas postagens do médico antes de ser preso:

111
333

Entenda o caso

As investigações apontaram que os pacientes com mal de Parkinson eram orientados pelo neurocirurgião Erich Fonoff e pelo diretor administrativo do setor de neurocirurgia do hospital, Waldomiro Pazin, a procurarem a Justiça para conseguir marcapassos cerebrais. Com decisões judiciais, o hospital adquiria equipamentos sem a necessidade de licitação, que custavam cerca de quatro vezes mais que o preço real.

Waldomiro Pazin, Erich Fonoff (responsável por 75% das cirurgias investigadas), Vitor Dabbah, dono da empresa Dabasons, que importava os equipamentos, e Sandra Ferraz, funcionária da empresa, foram alvos de condução coercitiva. De acordo com a PF, os beneficiados com as decisões tinham quadros semelhantes ou até menos graves que outras pessoas que estavam na fila para conseguir o tratamento.

O esquema funcionou de 2009 a 2014, nas gestões tucanas de José Serra e Geraldo Alckmin. Nesse período foram feitas 154 cirurgias de implante para tratamento de Parkinson com recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) com ordem judicial. Neste período não houve licitação para compra de marcapassos de maneira regular, e 82 pessoas não conseguiram operar de maneira regular.

A defesa do neurocirurgião Erich Fonoff afirmou que “como médico cirurgião, ele nunca deteve poder para influenciar o processo de compra de equipamentos no Hospital das Clínicas”.

com informações de Folha e Revista Brasileiros

URGENTE! Liderada pelo PT, oposição barra a Reforma Trabalhista no Senado

temer.jpg

Por 10 votos a 9 o relatório de Ricardo Ferraço (PSDB-ES) sobre a reforma trabalhista foi rejeitado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Senadores da oposição comemoraram com gritos de “Fora, Temer”.

Com a derrota do relatório, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) – presidenta da sessão -, designou o senador Paulo Paim (PT-RS) para suceder Ferraço.

Matéria vai à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para prosseguimento da tramitação com um novo relatório apresentado pelo petista.

Nova Cracolândia altera rotina de colégios na região central de SP

Um mês após migração de usuários para Princesa Isabel, alunos relatam crimes, busca de transporte e roteiros alternativos

Via: ESTADÃO

Nova Cracolândia altera rotina de colégios na região central de SP
Medo. ‘Não podemos nem ir ao bar’, afirma Gabriela Pires Foto: GABRIELA BILO / ESTADAO

SÃO PAULO – O surgimento de uma nova Cracolândia na Praça Princesa Isabel, no centro, já mudou a rotina de escolas da região. A Escola de Música do Estado (Emesp), por exemplo, teve aulas suspensas à noite nos primeiros dias após a ação policial na Cracolândia, há um mês. Com medo de assaltos, alunos saem das aulas mais cedo e em grupos, além de fazer caminhos alternativos.

Segundo a Secretaria da Cultura, as aulas também foram encerradas mais cedo entre os dias 21 e 28 na Emesp e têm sido repostas segundo “a disponibilidade dos professores e alunos”.

Em maio, um grupo de alunos já havia sido alvo de arrastão na saída da escola e teve instrumentos musicais e pertences roubados. “Foi tudo muito rápido, demos três passos e já nos agarraram. Queriam levar o meu violino, mas eu consegui agarrar, só quebrou o case (estojo)”, afirmou o estudante Marcus Held, de 24 anos. Dois colegas que estavam com ele tiveram os instrumentos roubados – um violino e uma flauta.

Alunos da Emesp se mobilizaram para ajudar o músico Victor Tamarindo, de 24 anos. Eles organizaram uma “vaquinha” por meio do site Catarse e, em um dia, conseguiram arrecadar R$ 3.940. O jovem acabou ganhando um novo violino de uma mulher que se sensibilizou com a situação.

Na Senai Informática, na Alameda Barão de Limeira, no centro, estudantes relatam que os usuários de droga na região ficaram “mais violentos” e, para evitar abordagens, estão indo embora em grupos para as estações de metrô. “Vamos em conjunto de oito pessoas e andando o mais rápido possível”, afirmou Matheus Santos, de 17 anos, que sai da aula por volta das 17 horas.

Já na Rua Guaianases, na Escola Técnica Doutora Maria Augusta Saraiva, estudantes pediram à direção que solicitasse uma viatura para ficar na frente do colégio, uma vez que as aulas acontecem à noite. Procurado, o Centro Paula Souza, responsável pelas Etecs, disse que repassou a demanda à Secretaria da Segurança Pública (SSP).

“Não podemos nem ir ao bar depois da aula, está todo mundo com medo”, disse a aluna de Comunicação Visual Gabriela Pires, de 20 anos. Ela relatou que menos alunos têm participado das aulas após o intervalo, pois preferem ir embora cedo.

Eles também deixaram de ir a pé para o metrô desde a “mudança” de lugar da Cracolândia e agora pegam um ônibus até a estação. “As pessoas ficaram receosas”, admitiu a estudante de Segurança do Trabalho Noelia Duarte, de 28 anos.

Procurada, a SSP informou que “o 13.º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, responsável pela região da Nova Luz, realiza o policiamento preventivo na área da Praça Princesa Isabel com o objetivo de coibir os crimes, inclusive em torno de escolas, com o destacamento de equipes de Ronda Escolar”.

Melhoria

Enquanto isso, nos colégios que ficavam no centro da antiga Cracolândia, o clima é de otimismo. Na Escola Estadual João Kopke, por exemplo, que fica na Alameda Cleveland, bem no meio do antigo “fluxo”, o professor de Língua Portuguesa Denis Clemente comemora a mudança. “Já aconteceu de precisar suspender aula quando tinha confrontos com a polícia. Deixávamos os alunos dentro da escola até acabar tudo.”

A uma quadra da João Kopke, pais de alunos do Liceu Coração de Jesus, também viram melhorias. “Fui a uma festa junina da escola no fim de semana e até conseguimos tirar fotos na rua”, disse a auxiliar administrativa Diana Oliveira, de 35 anos.

O atual isolamento do Brasil decorre essencialmente de uma política externa equivocada, que colide com as grandes tendências geopolíticas mundiais

Papel-brasil-1170x819.jpg

Via: PT no Senado

Com o golpe, o Brasil se tornou um pária das relações internacionais. Com efeito, ninguém quer muita conversa com um governo que surgiu da “assembleia-geral de bandidos” de Eduardo Cunha e que já foi definido como a “quadrilha mais perigosa” do país.

Em cenário inconcebível há pouco tempo, líderes mundiais vêm à América do Sul sem passar pelo Brasil, o maior país do subcontinente. Angela Merkel visitou a Argentina há poucas semanas e voou direto para o México, sem sequer fazer uma pequena escala em Brasília. Sergio Matarella, presidente italiano, também esteve recentemente em Buenos Aires e Montevidéu, mas evitou contatos com governo da “turma da sangria”. Em janeiro, François Hollande esteve no Chile e na Colômbia, mas recusou-se a fazer visita oficial aos golpistas. Mesmo o generoso Papa Francisco tem se recusado a vir ao Brasil, maior país católico do mundo, por receio a uma associação espiritual e moralmente condenável.

Até agora, o governo do golpe só conseguiu ser anfitrião de Macri, que se dispôs a vir ao Brasil para alinhar-se ao governo golpista com o intuito de expulsar a Venezuela do Mercosul. Nas pouquíssimas viagens internacionais, a situação não é melhor. Em sua estreia no cenário mundial, a imagem patética percorreu o mundo: Temer, anônimo, desconfortável, literalmente escanteado na foto oficial do G20, a qual revelou, de forma crua, incontestável, o isolamento de um governante sem um único voto, que causa constrangimento e embaraço por onde passa.

No cenário internacional, o “fora Temer” sempre foi uma realidade.

A viagem à Rússia não mudará esse fato. Moscou está preocupado com a guinada escancarada pró-EUA da política externa brasileira. Quer preservar uma relação estratégica com um Estado que faz parte do BRICS. Engole Temer para continuar próximo ao Brasil.

Enquanto em quase todo o mundo há questionamentos referentes à globalização assimétrica guiada pelo fracassado neoliberalismo, o governo do golpe investe numa arcaica e ingênua integração às “cadeias internacionais de valor”, que nos fará chutar a escada do desenvolvimento, convertendo-nos definitivamente num país pequeno e periférico.

Ninguém pode culpar a comunidade internacional por evitar contatos maiores com um governo ilegítimo e corrupto, fruto de um anacrônico golpe de Estado, que nos fez retroceder ao lamentável status de uma república bananeira. Mas a questão maior não é essa. O atual isolamento do Brasil decorre essencialmente de uma política externa equivocada, que colide com as grandes tendências geopolíticas mundiais.

Nos anos pré-golpe, a política externa “ativa e altiva” dos governos progressistas alterou profundamente a inserção internacional do país. As relações bilaterais foram diversificadas, ampliaram-se as parcerias estratégicas com países emergentes, investiu-se mais na integração regional e a cooperação Sul-Sul adquiriu centralidade. Abandonou-se a ideia ingênua de que a submissão aos desígnios da única superpotência e a inclusão acrítica no processo de globalização nos faria aceder a um Brave New World de independência e prosperidade. Enterrou-se a agenda regressiva da ALCA assimétrica, e o Brasil passou a criar espaços próprios de influência, articulando-se com outros emergentes em foros como o BRICS. Investimos no multilateralismo e na conformação de um mundo menos desigual.

Com essa política externa, acumulamos superávit comercial de US$ 308 bilhões (até 2014) e reservas líquidas de US$ 375 bilhões e eliminamos nossa dívida externa líquida. Tornamos-nos credores internacionais, inclusive do FMI, aumentamos nossa participação no comércio mundial de 0,88% (2001) para 1,46% (2011) e obtivemos protagonismo mundial inédito, com Lula se convertendo numa liderança internacional cortejada e respeitada, figura central em qualquer foro mundial. Celso Amorim chegou a ser classificado como o melhor chanceler do mundo, pela prestigiada revista Foreign Policy. Ao contrário do que diz o ridículo clichê conservador, foi justamente na época dessa política externa “isolacionista” que o Brasil teve mais influência no mundo.

Agora, contudo, o governo ilegítimo substituiu a política externa altiva e ativa por uma política externa omissa e submissa. Trata-se, na realidade, de mero aggiornamento da fracassada política externa dos tristes e descalços tempos de FHC, que, ao buscar a chamada “autonomia pela integração”, conseguiu apenas mais dependência, menos integração e protagonismo reduzido. Apostando tudo nas relações bilaterais com os EUA nos tornamos um país menor, de escasso prestígio mundial, além de economicamente dependente e débil. Não chegamos ao ponto da Argentina, que conseguiu a proeza de ter “relaciones carnales” com os EUA, mas chegamos perto. Nossa soberania foi bastante bolinada.

No cômputo geral, todo esse disciplinado investimento vira-lata em dependência, combinado com a âncora cambial, resultou em déficit comercial total de US$ 8,6 bilhões em 8 anos, reservas líquidas próprias de minguados US$ 16 bilhões, dívida externa líquida de 37% do PIB, uma participação no comércio mundial de mero 0,9 %, três idas ao FMI para pedir alívio financeiro e um baixo protagonismo internacional.

Entretanto, o retorno à mesma política externa fracassada ocorre num contexto inteiramente diverso. Na época de FHC, o mundo vivia o auge do paradigma neoliberal. O Consenso de Washington dominava corações e mentes. As autoridades europeias e norte-americanas estavam empenhadíssimas na abertura comercial e financeira em todo o mundo, que era socada goela abaixo dos países em desenvolvimento. Os EUA exerciam liderança praticamente inconteste na ordem mundial marcada pelo unilateralismo belicista. Ademais, a economia e o comércio internacional iam de vento em popa, com pequenos sobressaltos causados por crises regionais e locais autocontidas.

Porém, hoje o mundo vive a pior crise econômica desde a Grande Depressão de 1929. Crise profunda e sistêmica causada justamente pela desregulamentação neoliberal, que aprofundou desigualdades e fez colapsar as economias reais. O Consenso de Washington virou uma piada anacrônica e a liderança antes inconteste dos EUA atualmente convive com a ascensão meteórica do BRICS e fraturas entre seus aliados históricos.

Assim, a ordem mundial é hoje muito diferente da que prevaleceu na década de 1990, quando os ideólogos do “fim da História” proliferaram como fungos. Além disso, está claro que o novo governo norte-americano e alguns governos europeus não têm mais o menor interesse em promover livre comércio.

Dessa forma, a tragédia de ontem se repete hoje como farsa. Farsa guiada por inacreditável miopia estratégica.

Enquanto em quase todo o mundo há questionamentos referentes à globalização assimétrica guiada pelo fracassado neoliberalismo, o governo do golpe investe numa arcaica e ingênua integração às “cadeias internacionais de valor”, que nos fará chutar a escada do desenvolvimento, convertendo-nos definitivamente num país pequeno e periférico.

Em meio à venda do pré-sal, de terras e do patrimônio público a preço de banana, em meio a exercícios militares conjuntos com os EUA na Amazônia, em meio à ridícula adesão do país à OCDE, em meio à destruição do Mercosul e da integração regional, e, last but not least, em meio aos coices diplomáticos dos folclóricos chanceleres do PSDB, o governo do golpe cava o buraco onde será enterrada a soberania do Brasil.

Quem investe contra si mesmo vira pária. No máximo, vira-lata. Em qualquer cenário, é país a ser pouco visitado.

QUANDO VOCÊ MATA DEZ MILHÕES DE AFRICANOS, VOCÊ NÃO É CHAMADO DE “HITLER”

king-leopold-of-belgium-congo-genocide.jpg

O Seguinte texto foi escrito por Liam O’Ceallaigh para a página Diary of a Walking Butterfly, em dezembro de 2010. O original pode ser acessado aqui

O texto foi retirado e traduzido por http://muitoalemdoceu.wordpress.com/.

Leopoldo II foi Rei da Bélgica de 1865 a 1909, data de sua morte. Ele comandou o Congo de 1885 a 1908, quando cedeu o controle do país ao parlamento belga, após pressões internas e internacionais.

Olhe para essa foto. Você sabe quem é?

A maioria das pessoas não ouviu falar dele.

Mas você deveria. Quando você vê seu rosto ou ouve seu nome, você deveria sentir um enjoo no estômago assim como quando você lê sobre Mussolini ou Hitler, ou vê uma de suas fotos. Sabe, ele matou mais de 10 milhões de pessoas no Congo.

Seu nome é Rei Leopoldo II da Bélgica.

Ele foi “dono” do Congo durante seu reinado como monarca constitucional da Bélgica. Após várias tentativas coloniais frustradas na Ásia e na África, ele se instalou no Congo. Ele o “comprou” e escravizou seu povo, transformando o país inteiro em sua plantação pessoal com escravos. Ele disfarçou suas transações comerciais como medidas “filantrópicas” e “científicas” sob o nome da Associação Internacional Africana. Ele usou o trabalho escravo para extrair recursos e serviços congoleses. Seu reinado foi mantido através de campos de trabalho, mutilações corporais, torturas, execuções e de seu próprio exército privado.

A maioria de nós não é ensinada sobre ele na escola. Não ouvimos sobre ele na mídia. Ele não é parte da narrativa de opressão repetida amplamente (que inclui coisas como o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial). Ele é parte da longa história de colonialismo, imperialismo, escravidão e genocídio na África que se chocaria com a construção social da narrativa de supremacia branca em nossas escolas. Isso não se encaixa bem nos currículos escolares em uma sociedade capitalista. Fazer comentários fortemente racistas recebe (geralmente) um olhar de reprovação na sociedade “educada”; mas não falar sobre genocídios na África cometidos por monarcas capitalistas europeus está tudo bem.

Mark Twain escreveu uma sátira sobre Leopoldo chamada “King Leopold’s Soliloquy; A Defense of His Congo Rule” [Solilóquio do Rei Leopoldo; Uma defesa de seu mando no Congo], onde ele ridiculariza a defesa do Rei sobre seu reinado de terror, principalmente através das próprias palavras de Leopoldo. É uma leitura simples de 49 páginas e Mark Twain é um autor popular nas escolas públicas americanas. Mas como acontece com a maioria dos autores politizados, nós geralmente lemos alguns de seus escritos menos políticos ou os lemos sem aprender por que é que o autor os escreveu. A Revolução dos Bichos de Orwell, por exemplo, serve para reforçar a propaganda anti-socialista americana de que sociedades igualitárias estão fadadas a se tornar o seu oposto distópico. Mas Orwell era um revolucionário anti-capitalista de outro tipo – um defensor da democracia operária desde baixo – e isso nunca é lembrado. Nós podemos ler sobre Huck Finn e Tom Sawyer, mas King Leopold’s Soliloquy não faz parte da lista de leituras. Isso não é por acidente. Listas de leitura são criadas por conselhos de educação para preparar estudantes a seguir ordens e suportar o tédio. Do ponto de vista do Departamento de Educação, os africanos não têm história.

Quando aprendemos sobre a África, aprendemos sobre um Egito caricatural, sobre a epidemia de HIV (mas nunca suas causas), sobre os efeitos superficiais do tráfico de escravos, e talvez sobre o apartheid sul-africano (cujos efeitos, nos ensinam, há muito estão superados). Nós também vemos muitas fotos de crianças famintas nos comerciais dos Missionários Cistãos, nós vemos safáris em programas de animais, e vemos imagens de desertos em filmes. Mas nós não aprendemos sobre a Grande Guerra Africana ou o reinado de terror de Leopoldo durante do Genocídio Congolês. Tampouco aprendemos sobre o que os Estados Unidos fizeram no Iraque e Afeganistão, matando milhões de pessoas através de bombas, sanções, doença e fome. Números de mortos são importantes. Mas o governo dos Estados Unidos não conta as pessoas afegãs, iraquianas ou congolesas.

Embora o Genocídio Congolês não esteja incluído na página “Genocídios da História” na Wikipédia, ela ainda menciona o Congo. O que é hoje chamado de República Democrática do Congo é listado em referência à Segunda Guerra do Congo (também chamada de Guerra Mundial Africana e Grande Guerra da África), onde ambos os lados do conflito regional caçaram o povo Bambenga – um grupo étnico local – e os escravizaram e canibalizaram. Canibalismo e escravidão são males terríveis que certamente devem entrar para a história, mas eu não pude deixar de pensar sobre que interesses foram atendidos quando a única menção ao Congo na página era em referência a incidentes regionais, onde uma pequena minoria das pessoas na África estava comendo umas às outras (completamente desprovida das condições que criaram o conflito, e das pessoas e instituições que são responsáveis por essas condições). Histórias que sustentam a narrativa de supremacia branca, sobre a inumanidade das pessoas na África, são permitidas a entrar nos registros históricos. O homem branco que transformou o Congo em sua plantação pessoal, campo de concentração e ministério cristão – matando de 10 a 15 milhões de pessoas congolesas no processo – não entra na seleção.

Sabe, quando você mata dez milhões de africanos, você não é chamado de “Hitler”. Isto é, seu nome não passa a simbolizar a encarnação viva do mal. Seu nome e sua imagem não produzem medo, ódio ou remorso. Não se fala sobre suas vítimas e seu nome não é lembrado.

Leopoldo foi apenas uma das milhares de coisas que ajudaram a construir a supremacia branca, tanto como uma narrativa ideológica quanto como uma realidade material. Eu não pretendo dizer que ele foi a fonte de todo o mal no Congo. Ele teve generais, soldados rasos e gerentes que fizeram sua vontade e reforçaram suas leis. Ele era a cabeça de um sistema. Mas isso não nega a necessidade de falar sobre os indivíduos que são simbólicos do sistema. Mas nós nem mesmo chegamos a isso. E como isso não é mencionado, o que o capitalismo fez à África e todo o privilégio que as pessoas brancas ricas receberam do genocídio congolês permanecem escondidos. As vítimas do imperialismo, como costuma acontecer, são invizibilizadas.