Itamaraty não pode interferir em possível inquérito contra brasileiros na Rússia

Brasileiros protagonizam polêmicas durante a Copa do Mundo em solo russo

VIA: ESTADÃO

O Ministério das Relações Exteriores acompanha o caso dos brasileiros que geraram polêmica ao constranger uma mulher russa, mas ressalta que não pode interferir em uma possível abertura de inquérito na Rússia. “Denúncias sobre qualquer tipo de infração à legislação russa são recebidas e apuradas pelas autoridades daquele país”, disse trecho de nota enviada ao Estado.

O Itamaraty destaca que elaborou em conjunto com o Ministério do Esporte um guia consular para orientar torcedores e turistas brasileiros em viagem à Rússia durante a Copa do Mundo. O guia traz recomendações expressas contra atos de violência verbal, visual ou física, em especial que insultem ou humilhem pessoas em razão de gênero, raça, etnia, origem social, religião e orientação sexual. O documento fala inclusive de canções que violem normas de decoro.

O guia possui 138 páginas e tem dicas sobre as leis do país, costumes, idioma, moeda, documentação e transporte. Trecho da carta ressalta que “comportamento interpretado como assédio sexual enseja multa e prisão de até um ano”.

Outra parte do documento lembra que não cabe às autoridades diplomáticas brasileiras “evitar detenção de cidadão brasileiro ou garantir sua liberação, quando acusado de crime ou infração, ou providenciar-lhe tratamento diferenciado, em prisão, daquele prestado a nacionais russos”.

Seis escritórios de assistência consular auxiliam os brasileiros durante a Copa do Mundo em Moscou, São Petersburgo, Sochi, Rostov, Samara e Kazan. O Brasil é o terceiro país que mais comprou ingressos para o Mundial. Cerca de 66 mil bilhetes foram vendidos para residentes no País.

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MÍDIA FRANCESA REPERCUTE VÍDEO DE TORCEDORES BRASILEIROS COM RUSSA

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Da RFI O site da rádio France Info relata o escândalo envolvendo torcedores brasileiros que levam uma russa a repetir frases degradantes como se fosse um canto de torcida.

Uma jovem loira é rodeada por um grupo de homens vestidos à caráter como torcedores da seleção. Eles incitam a russa a repetir as palavras “boceta rosa!”, sem conhecer a tradução.

A France Info lembra que o Brasil é um dos dez países do mundo onde mais se cometem crimes contra a mulher. A reportagem reproduz declarações de várias personalidades femininas. A manequim Fernanda Lima, por exemplo, disse no Instagram que “não é engraçado, é machismo, misoginia e é uma vergonha”. O texto também traz a declaração da atriz Bruna Marquezine, namorada de Neymar: “que vergonha”.

A repercussão do incidente foi tão grande, que o ministério das Relações Exteriores do Brasil chegou a relatar à Agência France-Presse que divulgou um “guia consular”, com diretivas para evitar todo tipo de excesso. “Este guia recomenda expressamente evitar toda violência verbal, visual ou física, particularmente atos insultantes ou humilhantes”, precisa o Itamaraty. “Toda acusação de infração à legislação russa fará objeto de uma investigação da parte das autoridades desse país”, acrescenta o ministério.

Os internautas já deixaram comentários. LeKyfran diz: “Que exagero, todo mundo faz esse tipo de piada, com homens e com mulheres. Relaxem, é só amor”. Cuirmoustaque retruca: “Quando se é obrigado a divulgar um guia consular para explicar aos cidadãos como se comportar no exterior, é que existe um problema grave de base”. Já anisetoilé não se conforma: “os neurônios desses idiotas estão na cueca”.

Outra rádio de grande audiência, a Europe1, diz em seu site que o incidente não é o primeiro do gênero, com torcedores de outros países, citando argentinos e peruanos que foram vistos tentando fazer com que russas dissessem que iam ter relações sexuais com eles.

Latam demite funcionário envolvido em vídeo machista na Rússia

Grupo de torcedores brasileiros constrange uma mulher estrangeira, tentando fazer com que ela repita termos chulos em português

Via: VEJA

A Latam anunciou nesta quarta-feira, 20, a demissão do funcionário Felipe Wilson, supervisor da empresa no aeroporto de Guarulhos. Ele é um dos envolvidos no segundo vídeo machista gravado durante a Copa do Mundo da Rússia. No vídeo, ao menos três homens ensinam três mulheres a falar em português: “Eu quero dar a b***** para vocês”.

“A Latam Airlines Brasil repudia veementemente qualquer tipo de ofensa ou prática discriminatória e reforça que qualquer opinião que contrarie o respeito não reflete os valores e os princípios da empresa. A partir deste pressuposto, a companhia informa que tomou as medidas cabíveis, conforme seu código de ética e conduta”, diz a nota oficial da empresa.

Vídeo:

Este foi ao menos o segundo vídeo que mostra brasileiros constrangendo mulheres na Rússia a viralizar na internet. No primeiro, um grupo de ao menos cinco homens tenta convencer uma russa a gritar uma frase com referência constrangedora às suas partes íntimas. Trata-se da velha piada de mau gosto de fazer estrangeiros repetirem termos chulos em português. Claramente sem entender o significado do que é dito, ela tenta acompanhar os torcedores.

Ao menos três integrantes do grupo foram identificados: Luciano Gil Mendes Coelho, ex-membro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (Crea-PI); Diego Jatobá, ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE); Eduardo Nunes, tenente da Polícia Militar em Lages, Santa Catarina.

Na segunda-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Pernambuco, divulgou nota de repúdio à atitude dos brasileiros.

“Dentre os protagonistas do lamentável episódio, identifica-se o advogado Diego Valença Jatobá, regularmente inscrito nesta seccional”, diz a nota, referindo-se a um dos homens que aparecem no vídeo. Jatobá também foi secretário de Turismo de Ipojuca (PE), onde está a praia de Porto de Galinhas, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

“A preconceituosa atitude é causa de vergonha para todos nós, brasileiros, e vai na contramão do atual contexto de luta contra a desigualdade de gênero, em que cada dia mais as instituições públicas e privadas estão em busca de soluções conjuntas para que nenhuma mulher sofra qualquer tipo de violência ou discriminação pelo fato de ser mulher”, diz a nota.

A OAB-PE salienta que o Brasil é o quinto país no ranking mundial de violência contra as mulheres e que uma mulher é vítima de violência física ou verbal no país a cada dois segundos. “As estatísticas são alarmantes e nos levam a uma profunda reflexão sobre a necessidade de uma mudança urgente da cultura machista e patriarcalista em que nossa sociedade ainda está, infelizmente, inserida.”

Por assédio, autoridades russas avaliam abrir inquérito contra brasileiros

Denúncia apresentada contra torcedores poderia significar multa, impedimento de entrar na Rússia ou mesmo um processo criminal

Via: ESTADÃO

O Ministério do Interior da Rússia está avaliando a possibilidade de abrir um inquérito contra torcedores brasileiros que geraram polêmica ao constranger uma mulher russa na Copa do Mundo, num vídeo que difundiram pela internet.

Uma denúncia foi apresentada contra os envolvidos e ativistas querem que a polícia local abra um inquérito. “Ainda estamos avaliando e não podemos ainda confirmar se haverá um inquérito ou não”, explicou um assessor do Ministério do Interior ao Estado. Ele, porém, confirmou ter recebido informações sobre o caso.

Torcedores assédio

Torcedores estão sendo apontados como racistas e misóginos. Foto: Reprodução/ Facebook

Além disso, uma queixa formal será apresentada à embaixada brasileira em Moscou e uma petição contra os brasileiros já conta com quase 900 assinaturas. Nela, os ativistas ainda consideram que “cidadãos estrangeiros deveriam pedir desculpas publicamente, e para a menina, e todos cidadãos russos diante do sexismo, da falta de respeito às leis da Federação Russa, o desrespeito por um cidadão russo, insultos, humilhação da honra e dignidade de um grupo de pessoas com base em seu gênero”.

Caso sejam considerados culpados, podem sofrer sanções que vão desde multas até a proibição de voltarem a entrar em território russo.

A autora da denúncia é Alyona Popova, advogada e ativista russa. Na comunicação, ela cita artigos das leis russas que apontam para punições quanto à humilhação ou insulto. Nesse caso, a multa pode chegar a 3 mil rublos (R$ 175). Mas também existiria a possibilidade de que os brasileiros sejam denunciados por violência da ordem pública e abusos sexuais.

Uma responsabilidade criminal apenas poderia ser atribuída se ficar constatado que o ato tem uma relação com discriminação de sexo, de raça ou nacionalidade.

Para Popova, deve haver uma pedido oficial de desculpas por parte dos brasileiros envolvidos. Além da denúncia, ela ainda quer iniciar uma petição para criar uma pressão popular diante do caso.

Num texto publicado pela ativista, ela alerta que um dos envolvidos tinha um cargo público e que “não podem humilhar” a mulher russa. Ela se referia ao tenente da Polícia Militar de Santa Catarina Eduardo Nunes, um dos identificados no vídeo. Segundo a advogada, a ofensa tem uma relação direta com “nacionalidade e gênero”. “Gostaria que esses cidadãos fossem punidos”, escreveu.

A embaixada do Brasil em Moscou afirma que não recebeu até o momento a queixa da ativista. Pela manhã, ela apenas indicou que tem recebido e-mails de brasileiros protestando contra a atitude dos torcedores brasileiros. Mas considera que o caso é “isolado” e que a maioria tem tido uma postura exemplar.

Continuar lendo: https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,autoridades-russas-avaliam-abrir-inquerito-contra-brasileiros,70002357473

“Copa do Mundo não mobiliza mais o Brasil”, diz Le Monde

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Vista da favela da Rocinha durante o jogo Brasil x Suíça pela Copa do Mundo da Rússia, em 17 de junho de 2018.REUTERS/Bruno Kelly

Os franceses estão surpresos, e não é pra menos. Em uma reportagem publicada na edição deste domingo (17), a correspondente do jornal Le Monde em São Paulo, Claire Gatinois, entrevistou uma série de brasileiros e especialistas para entender porque a competição não faz vibrar em 2018 os pentacampeões do mundo.

Segundo o jornal francês, a Copa não dissimula os casos de corrupção de dirigentes políticos brasileiros e do futebol. Rafael Marum, brasileiro de 35 anos, normalmente “apaixonado por futebol”, declarou a Le Monde que estava “pouco ligando [para a competição] este ano”. “E eu não posso mais vestir essa coisa verde e amarela. Virou o símbolo de uma manipulação política”, explica ele ao diário.

Le Monde conta ainda que os camelôs brasileiros tentaram oferecer uma “versão vermelha” da camisa da seleção, com “as cores do PT”, mas que também “não deu certo”. “O país não vibra mais como nas outras Copas. As ruas normalmente pintadas com as cores nacionais continuam cinzas”, constata a reportagem, que completa dizendo que “as conversas ficam mais em torno da corrupção política em Brasília do que do quinto metatarso do pé direito de Neymar, que sofreu uma fissura no fim de fevereiro”.

53% dos brasileiros não possuem interesse pela Copa

“O país do futebol parece virar as costas para sua paixão, e a derrota por 7 X 1 para a Alemanha, em 2014, é apenas uma pequena parte disso”, analisa a correspondente do Le Monde no Brasil, Claire Gatinois. “Segundo uma pesquisa do Instituto Datafolha de 12 de junho, 53% dos brasileiros afirmam não ter interesse pelo evento”, lembra.

O jornal francês publica que as estatísticas são ainda mais surpreendentes “quando sabemos que a equipe brasileira está entre as favoritas para vencer o Mundial, após ter vencido a Olimpíada em agosto de 2016, em casa”. Segundo o sociólogo Ruda Ricci, entrevistado por Le Monde, “a Copa do Mundo sempre foi uma válvula de escape para o país. Um momento coletivo, de comunhão nacional. Mas, hoje em dia, a imagem deste coletivo está destruída. O Brasil não tem mais autoestima”, diz.

O jornal publica que “a ferida é profunda”. “Envergonhados de um país que continua a descer em direção ao abismo de uma crise política, econômica e ética, os brasileiros não têm vontade de celebrar uma equipe com as cores de sua bandeira”, diz. “O país está apagado”, declara a Le Monde o comentarista esportivo Paulo Calçade, da ESPN. “O mundo do futebol se tornou um espelho das misérias brasileiras. Encontramos dentro dos clubes as mesmas intrigas e cambalachos que na vida política”, conclui.

Ex-secretário de Porto de Galinhas é um dos que assediaram garota russa na Copa em vídeo que viralizou

Via: Diário do Centro do Mundo

Em um vídeo publicado na noite de sábado, dia 16, um grupo de homens se aproximou de uma jovem estrangeira, aparentemente russa, e fez um vídeo com ela.

Animados, os brasileiros cantaram “essa buceta é bem rosinha”. A moça, que obviamente não entende uma palavra em português, fazia coro com eles.

Um deles foi identificado: é o ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE), município onde fica Porto de Galinhas. Jatobá era do PSB e próximo do prefeito Pedro Serafim.

Em 2013, uma foto sua manuseando um maço de dólares viralizou. “Era brincadeira de amigos dentro de uma casa de câmbio, que, por descuido, caiu nas redes sociais”, explicou.

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Ultradireitista alemão nada em lago e ativista rouba suas roupas; ‘nazis não merecem diversão’

Alexander Gauland, polêmico político do partido Alternativa para a Alemanha, foi escoltado seminu até sua casa depois do episódio; nas redes sociais, alemães se dividiram entre a gozação e a cautela em relação ao caso

VIA: ESTADÃO

BERLIM – Um proeminente líder da extrema direita da Alemanha, que se refere ao período nazista como “cocô de pássaro” em relação aos mais de 1.000 anos da história do país, teve suas roupas roubadas enquanto nadava em um lago perto de sua casa, em uma tarde recente.

O ladrão teria gritado algo como “nazistas não precisam de mergulhos de diversão”. Quando o político Alexander Gauland, co-líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD, em alemão), saiu da água o ladrão já tinha fugido e alguém tinha chamado a polícia.

Alexander Gauland, co-fundador do ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) foi alvo de pegadinha de ativista político (AP Photo/Michael Sohn)

O episódio desencadeou uma onda de gozação em razão do infortúnio de Gauland, mas também foi alvo de críticas nas redes sociais. Imagens do político encharcado e seminu sendo escoltado de volta para casa usando apenas um calção colorido de natação se espalharam rapidamente na internet e deram origem à hashtag #bathingfun (mergulho de diversão, em tradução livre).

“Meus pertences foram roubados enquanto eu estava na água e outras pessoas que também estavam nadando chamaram a polícia sem me perguntar antes”, relatou Gauland, de 77 anos, ao Märkische Allgemeine, jornal de sua cidade, Potsdam.

Extrema direita alemã cria time de futebol próprio no Parlamento

Foi a segunda vez em menos de uma semana que o líder da extrema direita esteve nos noticiários da Alemanha. No fim de semana, ao falar para uma multidão em festa da ala jovem de seu partido no Estado de Turíngia, ele fez o insólito comentário sobre a era nazista que foi amplamente condenado por menosprezar o Holocausto.

Depois do episódio no lago, ocorrido na semana passada mas relatado apenas recentemente nas redes sociais, os internautas tiveram um dia agitado ao comentar o assunto. “1.000 anos de dignidade em uma imagem”, escreveu um usuário no Twitter. “Forma criativa de resistir à extrema direita na Alemanha”, disse outro.

 

Mas nem todos riram do episódio. “Todas essas pessoas que estão retuitando as fotos de Gauland em roupas de banho hoje e amanhã vão querer defender nossos direitos básicos e dignidade humana: por favor, pensem novamente”, tuitou Jochen Bittner, um comentarista de política e cultura europeia.

Outras pessoas alertaram que as imagens do líder político com pouca roupa, embora divertidas, não podem servir de distração para seus comentários revisionistas. “Não mostraremos a foto indigna de Gauland”, informou Ulf Poschardt, editor do diário Die Welt, principal jornal do império midiático alemão Axel Springer.

+ Helio Gurovitz: O avanço do populismo na Europa

Gauland, ex-membro da conservadora União democrata-cristã (CDU), partido da chanceler Angela Merkel, foi um dos fundadores da AfD e está acostumado a envolver-se em temas polêmicos. No ano passado, ele afirmou que alemães deveriam “ter orgulho” do que os soldados do país conquistaram durante a 1ª Guerra e a 2ª Guerra.

Em outro momento, ele brincou sobre deportar Aydan Özoguz, um político alemão de Hamburgo com origem turca, para Anatólia. Em 2016, ele ofendeu o jogador da seleção masculina de futebol do país Jérôme Boateng, que é negro. “As pessoas consideram Boateng um bom jogador, mas não o querem como seu vizinho”, disse Gauland.

Deputada alemã critica refugiados nas redes sociais e mensagem é removida graças a nova lei

O polêmico líder da extrema direita, que nasceu na Alemanha Oriental e fugiu para a Alemanha Ocidental aos 18 anos, também já afirmou que “nem todo mundo que tem um passaporte alemão é (um cidadão) alemão”, ao se referir às pessoas com origem não alemã. Ele também já defendeu um veto a muçulmanos similar ao que o presidente dos EUA, Donald Trump, tentou implementar no país.

Em relação ao ladrão de suas roupas, Gauland disse que pretende dar queixa quando o culpado for localizado pelas autoridades. Ele também precisou trocar todas as chaves de sua casa já que suas chaves estavam na calça que foi roubada, de acordo com suas declarações ao Märkische Allgemeine, jornal do qual já foi editor.

A polícia do Estado de Brandemburgo, que ainda está investigando o caso, afirmou que o caso aparentemente “teve motivação política”. / NYT

NEOLIBERALISMO: Macri acerta com FMI um resgate de 50 bilhões de dólares para salvar Argentina

Governo de Mauricio Macri se compromete a alcançar o superávit fiscal em 2021

Via: EL PAÍS

O Fundo Monetário Internacional veio em socorro da Argentina. Em apenas quatro semanas, a direção da instituição, com o aval de sua titular, Christine Lagarde, aprovou um empréstimo de 50 bilhões de dólares (195 bilhões de reais), equivalentes a quase 10% do PIB argentino, para apoiar a economia do país. Em troca, o Governo de Mauricio Macri se comprometeu a transformar o déficit fiscal de 2018 em superávit em 2021. O dinheiro do FMI, considerado como uma linha de crédito preventiva ante eventuais turbulências, chega depois de um maio sombrio, no qual o peso argentino perdeu 22 pontos de seu valor e as taxas de juros subiram até 40%. O acordo é um grande êxito para Macri, que ratifica assim o apoio internacional a sua política de abertura econômica. Mas o coloca também ante a obrigação de aplicar um duro ajuste que coincidirá com um ano eleitoral e uma oposição peronista cada vez mais unida.

“O FMI pode nos ajudar, mas a solução para nossos problemas depende dos argentinos. Vamos crescer um pouco menos e vamos ter um pouco mais de inflação do que pensávamos no início do ano”, alertou em uma coletiva de imprensa o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, encarregado do anúncio ao lado do presidente do Banco Central, Federico Sturzenegger. A verdade é que o dinheiro do Fundo dará oxigênio a Macri, mas em troca de grandes esforços de poupança, com metas fiscais mais ambiciosas. A de 2019 passará de 2,2% do PIB para 1,3%, a meta de 1,3% de 2020 baixará para zero e em 2021 será alcançado o superávit, segundo o compromisso assumido pela Argentina com o FMI. O dinheiro estará disponível a partir de 20 de junho e haverá um desembolso imediato de 15 bilhões de dólares (59 bilhões de reais). “O restante estará disponível conforme as necessidades”, disse Dujovne.

Apesar da importância do anúncio, Macri decidiu se mostrar somente durante o fim de semana, quando se encontrará com Lagarde na Cúpula do G7, que será realizada no Canadá. A agenda não prevê uma reunião entre ambos, mas a intenção do Governo é que haja uma foto de aperto de mãos que sirva para selar o acordo. “Vai ser um grande acordo para os argentinos, para ajudar as pessoas. Vai gerar mais oportunidades de desenvolvimento, ajudará a fortalecer o desenvolvimento e a criação de empregos”, disse o presidente antes do anúncio de seus ministros. Depois ergueu uma taça de vinho espumante diante da imprensa credenciada na Casa Rosada que nesta quinta-feira festejou o Dia do Jornalista.

“Vai ser um grande acordo para os argentinos”, disse o presidente Macri.

O mundo ainda estende os braços a Macri, mas o presidente encontrará resistências na frente interna. A magnitude do montante é a face visível de um acordo que em troca obriga Macri a ajustar as contas do Estado até 1,4 ponto do PIB em 2019. Macri sempre se negou a um corte abrupto porque considerava que os índices de pobreza que herdou, superiores a 30%, não deixavam espaço para isso. Tratou-se, no fundo, de não alimentar o mal-estar social, o verdugo de todos os governos não peronistas da Argentina desde o retorno do país à democracia, em 1983. Aplicou então o que chamou de “gradualismo”, ou seja, uma redução contida do déficit, mas que financiou com endividamento externo. Com o corte do fluxo de dinheiro do exterior, Macri teve que recorrer ao FMI como credor de última instância e acelerar os cortes.

Para evitar protestos de rua, Dujovne esclareceu que o acordo prevê “cláusulas de salvaguardas sociais inéditas”, que permitirão à Argentina relaxar a meta de déficit para aplicar uma porção do gasto adicional em programas sociais”. De qualquer modo, quem sofrerá mais serão as províncias. Buenos Aires reduzirá as transferências de dinheiro para os governos regionais, uma jogada perigosa que porá em risco o apoio político dos governadores no Senado, onde estão representados. Também haverá cortes nos “gastos da política”, ou seja, nos salários dos funcionários públicos.

A pressão da CGT

O anúncio do acordo ocorreu poucas horas depois de outro de grande importância política. O Governo recebeu na Casa Rosada a cúpula da Conferência Geral do Trabalho (CGT), em uma tentativa de última hora de desativar uma iminente greve geral. Os líderes sindicais haviam ameaçado parar o país tão logo se tornasse oficial o acordo com o FMI, mas Macri conseguiu uma trégua.

O problema é que os reajustes salariais de 15% pactuados no início do ano ficaram defasados em meio a uma inflação que este ano superará os 25 pontos, segundo os cálculos mais otimistas. A CGT obteve da Casa Rosada a promessa de aumentos extras de até 5% entre julho e agosto, que serão levados em conta nos acordos que forem alcançados em setembro, quando se inicia de novo a temporada de negociações dos salários. Sobre uma possível greve, Macri conseguiu adiar qualquer decisão pelo menos até a semana que vem, quando haverá outra reunião com a CGT. “Concordamos em prosseguir com o diálogo. Consideramos que a Argentina continuará crescendo e haverá criação de emprego. Transmitimos isso à CGT”, disse Dujovne.

Se forem cumpridas as expectativas de estabilidade do Governo, o problema não será mais econômico, mas político. No ano que vem a Argentina realizará eleições presidenciais e Macri pretende se reeleger. Um ajuste fiscal não é o melhor cenário para uma campanha bem-sucedida. O resgate do FMI, além disso, aglutinou o peronismo oposicionista, dividido até agora em três correntes que pareciam irreconciliáveis. A primeira advertência para o Governo foi a votação pelo peronismo unificado de uma lei que anulou o aumento dos serviços públicos e obrigou Macri a vetá-la. A próxima batalha parlamentar será em setembro, quando se discutirá o orçamento de 2019. Nesse texto estarão os detalhes dos aportes que serão reduzidos e quais setores serão os mais prejudicados.

Morte chocante de adolescente de 17 anos mobiliza internautas: ‘era o coração e a alma dos amigos’

A morte de uma adolescente de 17 anos, que vivia na Pennsylvania, nos Estados Unidos, virou assunto nas redes sociais ao longo dessa terça-feira (5). O caso repercute pelo contexto chocante em que ocorreu. Brianne Marie Rapp ficou com os cabelos presos no ralo da banheira em que tomava banho para ir à escola. As autoridades acreditam que ela tenha morrido afogada. As informações são do The Daily Mail.

De acordo com a publicação, a mãe da estudante, Kimberly, a encontrou submersa na banheira e entrou em desespero. A vítima tomava remédios para um problema na tireoide, mas ainda não se sabe se ela desmaiou durante o banhou ou se escorregou. “Nós acreditamos que ela apagou enquanto estava na banheira, caindo e batendo a cabeça“, contou o pai da jovem, Michael Rapp. “Nós não sabemos se o cabelo dela entupiu o ralo, mas a banheira transbordou”, disse.

Uma autópsia deve determinar a causa da morte de Brianne, que teve o funeral pago por meio de uma campanha nas redes sociais. “A minha filha Brianne Rapp morreu na sexta-feira, 1º de junho de 2018, inesperadamente na casa dela aos 17 anos de idade”, contou o pai. Ele também fez um desabafo sobre perder os movimentos do próprio corpo no início deste ano.

“A minha filha era o coração e a alma para muitos de seus amigos. Ela sempre colocou os outros em primeiro lugar. Eu, o pai dela, e Kimberly, sua mãe, gostaríamos de colocar a nossa filha em primeiro lugar para dizer o nosso último adeus”, escreveu.

Rapp ainda disse que, após cobrir os custos do funeral, o dinheiro arrecadado será usado para custear a faculdade dos outros dois filhos, Tyler, de 12 anos, e Maddy, de 4.

Imposto sobre consumo x imposto sobre renda

Via: FOLHA
Imposto sobre consumo x imposto sobre renda
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Saiu na Folha de hoje (2/6/13):

Tributo sobre consumo é o verdadeiro leão
Do total de impostos arrecadados no país, apenas 21% incidem sobre a renda.
A média da OCDE (…) é de 33%. (…) [N]a média da América Latina é 25%.
Por outro lado, nossa tributação sobre o consumo é bem mais elevada, representando 43% da arrecadação e a metodologia da OCDE, que levou a esses dados, não inclui nessa conta as contribuições sociais, que no Brasil são bastante altas (mais 26%) e também acabam sendo repassadas ao consumidor.
Nenhum país rico tem uma taxa tão elevada de impostos sobre o consumo. A média da OCDE é novamente 33%. (…) Latino-americanos cobram 52% (…)
Tributos sobre consumo prejudicam mais os pobres do que os ricos.
É fácil entender o motivo: quem ganha R$ 50 mil por mês provavelmente guarda ou investe boa parte do seu salário, consumindo apenas uma fatia dele. Quem ganha R$ 800, porém, provavelmente consome tudo em produtos básicos no mercado, sem criar poupança alguma (…)
O fato de os países em desenvolvimento tributarem consumo remete a uma questão do tipo ‘ovo ou a galinha’: somos pobres porque tributamos assim ou tributamos assim porque somos pobres?
Por um lado, de fato é difícil para países pobres arrecadar apenas via renda.
Veja o caso do Brasil: todo mundo com renda mensal acima de cerca de R$ 2.000 por mês tem de pagar IR de pessoa física. Embora não se trate de nenhuma fortuna, apenas 25 milhões de pessoas se qualificam para tal ‘honra’. Elas representam só 25% da população economicamente ativa (100 milhões) (…)
Além disso, em um país com muita informalidade como o Brasil, é mais fácil sonegar na declaração do Imposto de Renda do que dizer à caixa do supermercado que não vai pagar a carga tributária embutida no saco de arroz (…)
Por outro lado, também é verdade que as nossas alíquotas de IR não são tão elevadas. Novamente no caso das pessoas físicas, elas variam entre 0% e 27,5%. Mesmo esquecendo países como os da Escandinávia, há muitas nações com taxas maiores.
No caso dos EUA, por exemplo, tanto pobres quanto ricos pagam mais. Não há isenção, mesmo o mais desafortunado assalariado paga 10%.
Por outro lado, o teto é de 39,6% para tudo que ultrapassar US$ 400 mil ao ano (cerca de R$ 70 mil ao mês). No Reino Unido, a taxa também pode chegar a 45% para quem ganha muito bem.
No Brasil, o imposto mais relevante incide sobre o consumo: é o ICMS, dos Estados. Em 2012, sua arrecadação total foi de R$ 327 bilhões.
No quesito impostos sobre patrimônio, segundo a OCDE, nos aproximamos de países desenvolvidos: 4,8% da arrecadação brasileira sai de tributos como IPTU e IPVA, contra 5,4% nos países ricos.

A (ótima) matéria chama a atenção para dois pontos interessantes: a carga de impostos sobre renda no Brasil é baixa em relação a carga de impostos sobre consumo, quando comparados a países desenvolvidos; e carga alta de impostos sobre consumo está correlacionado com um baixo índice Gini (má distribuição de renda).

Mas temos que tratar os dois pontos com alguma cautela antes de simplesmente criticar o sistema brasileiro.

Primeiro, uma questão de pura matemática. Em uma divisão, se o denominador é formado pela soma do numerador e outro número, se diminuirmos o numerador, diminuiremos também o denominador, mas a um ritmo menor. Ou seja, ao diminuirmos o numerador, o resultado da divisão será maior. E se aumentarmos o numerador, o resultado da divisão será menor. Complicou? Pense nesse exemplo:

Imagine que em um país o governo arrecade R$2 através de impostos sobre a renda e outros R$2 através de impostos sobre o consumo. No total, ele arrecada 50% (2/(2+2)) através de impostos sobre a renda e outros 50% (2/(2+2)) através de impostos sobre o consumo.

Agora imagine que o valor da alíquota dos impostos sobre a renda caia e que o governo agora só arrecade R$1 através de impostos sobre a renda. Agora os impostos sobre a renda representam apenas um terço do valor total arrecadado (1/(1+2)), enquanto os impostos sobre o consumo representam dois terços (2/(1+2)). Sim, a participação do imposto sobre o consumo aumentou em relação à arrecadação total (de 50% para 67%), mas o total de imposto caiu (de R$4 para R$3).

E note que o aumento da participação dos impostos sobre o consumo na arrecadação total não teve nada a ver com uma mudança nestes impostos, mas foi consequência da diminuição da carga tributária sobre a renda.

E é justamente isso que ocorre no Brasil. O total dos impostos sobre o consumo é alto não porque eles sejam altos por si só (por exemplo, o ICMS no Brasil – que é um imposto sobre o consumo – não é mais alto que o seu equivalente europeu (o chamado VAT)), mas porque cobramos pouco imposto sobre a renda.

Ou seja, um dos fatores que torna o percentual de impostos sobre o consumo alto no Brasil quando olhamos a carga tributária total é que os impostos sobre a renda e propriedade são relativamente baixos. Se eles estivessem no mesmo nível dos países desenvolvidos, o percentual de participação dos impostos sobre consumo na arrecadação total cairia. Mas estaríamos todos pagando muito mais imposto.

O segundo ponto é que correlação não é causalidade. O fato de países em desenvolvimento (como o Brasil) terem cargas maiores de impostos sobre a renda não quer dizer que esses impostos sejam, necessariamente, culpados por eles não serem desenvolvidos. Tampouco significa que uma diminuição da carga tributária sobre o consumo faria com que tais países se tornassem desenvolvidos.

Correlação são duas coisas que ocorrem ao mesmo tempo. Causalidade é quando uma coisa é consequência da outra. Por exemplo, sofrer enjoos e ganhar peso são muitas vezes consequências de uma mesma causa: estar grávida. Embora as duas coisas – enjoo e ganho de peso – tendam a ocorrer juntas (estão correlacionadas), uma não é causa ou consequência da outra. Você pode sofrer enjoos sem ganhar peso (sofre de bulimia ou bebeu demais na noite anterior, por exemplo) e pode ganhar peso sem sofrer enjoos. Ambas são, na verdade, consequências de uma terceira variável: a gravidez. A gravidez é que é a verdadeira causa.

O mesmo ocorre no caso dos impostos sobre o consumo. A verdade é que não sabemos se eles causam discrepância social ou se tais discrepâncias e tais impostos são ambos apenas consequências de uma outra causa comum. Por exemplo, é possível que a falta de coesão social que gera a forte desigualdade que existe no Brasil também gere a sonegação e acabe forçando o governo a optar por tributos sobre o consumo, que são mais difíceis de serem sonegados.

E é até possível que de fato haja, sim, uma relação de causalidade, mas em sentido contrário. Ou seja, as desigualdades sociais em países em desenvolvimento forçam o governo a cobrar mais impostos sobre o consumo justamente para punir quem consome mais.

Mas a matéria não disse que tais impostos punem justamente os mais pobres? Sim! Mas isso só é verdade se todos os produtos sofrem a mesma tributação, o que não ocorre no Brasil. Produtos e serviços de primeira necessidade são isentos ou têm uma alíquota muito mais baixa que produtos supérfluos. Enquanto o ICMS no arroz gira em torno de 7%, em um perfume ele gira em torno de 25%. Ou seja, o rico – que é quem consome produtos supérfluos – paga alíquotas maiores porque consome produtos com alíquotas maiores (aliás, é por isso que você vê perfumes e cigarros em free shop/duty free de aeroporto, e não arroz e feijão: a carga tributária no segundo grupo é muito baixa, logo, haveria pouca diferença entre o preço cobrado naquelas lojas e no preço cobrado nas ruas).