América Latina é a região mais violenta do mundo para mulheres, diz ONU

A região que inclui América Latina e Caribe é a que tem maior índice de violência contra as mulheres no mundo, uma situação que é mais crítica na América Central e no México, destaca um relatório da ONU apresentado no Panamá nesta quarta-feira (22).

De acordo com o relatório da ONU Mulheres e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o fenômeno de agressão a mulheres persiste apesar da aprovação de leis severas para freá-lo na região.

“O tema da violência contra a mulher na América Latina é crítico. É a região mais violenta do mundo contra as mulheres fora de um contexto de guerra”, declarou à AFP Eugenia Piza-López, líder da equipe de gênero do PNUD para a América Latina.

Estupro e feminicídio em alta

Segundo o relatório, América Latina e Caribe apresentam a maior taxa do mundo de violência sexual contra as mulheres fora de um relacionamento e a segunda maior por parte do parceiro atual ou anterior.

Três dos 10 países com as taxas mais altas de estupro de mulheres e meninas estão no Caribe, enquanto o feminicídio “está tomando uma magnitude e crueldade devastadora na América Central”, onde duas em cada três mulheres assassinadas morrem simplesmente por serem mulheres.

“Em alguns países se tornou uma crise severa. No Triângulo Norte (Honduras, El Salvador e Guatemala) e no México, o problema do feminicídio e da violência contra a mulher está representando níveis epidêmicos, muitas vezes relacionados ao crime organizado”, advertiu Piza-López.

Em um exemplo da violência de gênero na região, a representante da ONU Mulheres na Guatemala, a colombiana Adriana Ordóñez, alertou para a situação das mulheres no país centro-americano, onde proliferam os feminicídios e a gravidez na adolescência, a maior parte resultante de abuso sexual.

“Reduzir a brecha da violência é um dos maiores desafios na Guatemala, onde, em média, 88 mulheres e meninas foram assassinadas a cada mês até outubro deste ano”, disse Ordóñez, durante coletiva de imprensa na Cidade da Guatemala.

De acordo com dados oficiais, em 2016 foram registrados 1.161 feminicídios no país, número que superou as cifras de 2014 e 2015, respectivamente de 876 e 867 casos.

Leis insuficientes

O relatório regional do PNUD constata que 24 dos 33 países de América Latina e Caribe contam com leis contra a violência doméstica, mas somente nove deles sancionaram leis que tipificam uma variada gama de expressões de violência contra as mulheres.

Também destaca que 16 países tipificaram penalmente o feminicídio e alguns enquadraram na legislação os novos contextos de criminalidade, como narcotráfico, crime cibernético, expressões de violência política e ataques com ácido.

Mas “apesar dos valiosos avanços” dos governos para enfrentar a violência contra as mulheres, “este flagelo continua sendo uma ameaça” para os direitos humanos, a saúde pública e a segurança cidadã, indica o documento.

Para enfrentar o problema, a ONU recomenda reforçar as instituições, dar continuidade às políticas públicas que combatam a violência e empoderem as mulheres, além de fornecer mais recursos para executá-los.

Também pede a mudança dos “padrões culturais patriarcais” que, baseados em tradições e crenças religiosas, “estão fundados nas relações de desigualdade entre homens e mulheres”.

O relatório da ONU assinala que em todo o mundo 35% das mulheres foram vítimas de violência por parte de seu parceiro, ou de agressão sexual por pessoas diferentes de seu parceiro.

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Fotos chocantes de pessoas que vivem em ”quartos” minúsculos no Japão

Todos nós já ouvimos falar sobre os extraordinários “hotéis de cápsulas” do Japão, mas as fotos íntimas do fotógrafo Won Kim nos dão uma noção pessoal em um conjunto de quartos fechados – um hotel escondido em Tóquio que foi projetado como uma pousada para mochileiros.

Kim tropeçou no hotel ao passar pelo Japão e retornou 2 anos depois para fotografá-lo. Ele morou lá por vários meses, fazendo amizade com os moradores e fotografando os pequenos espaços que eles chamam de lar.

Todo o hotel está localizado em um único andar de um prédio de escritórios à nordeste de Tóquio. Alguns dos residentes são visitantes de curto prazo, enquanto outros, dizem kim, são residentes permanentes.

“Para mim, o interesse real dos retratos é a forma como cada residente usou um espaço tão pequeno e confinado”, escreve Kim. “Em cada caso, o espaço bem definido e seus conteúdos dizem algo sobre a personalidade do seu ocupante e sua capacidade de funcionar em um ambiente tão estranho e fechado”.

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Festival de Berlim financiará filme sobre impeachment de Dilma

‘O Processo’ foi escolhido entre 171 projetos.

Via: TERRA

festival de Berlim anunciou os seis projetos contemplados com o World Cinema Fund, um financiamento para obras de ficção e documentário no mundo inteiro.Este ano, um filme brasileiro foi selecionado: O Processo, documentário da cineasta Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Rousseff. A obra “busca compreender e refletir sobre o atual momento histórico brasileiro através de um processo que revela uma crise estrutural do Estado e do próprio regime democrático”, afirma o texto oficial de sua plataforma de financiamento coletivo pela Internet.

O Processo , junto de cinco outros projetos do Chile, Paraguai, Argentina e Vietnã, foi escolhido entre 171 candidatos. O filme brasileiro receberá €25.000 (aproximadamente R$100.000) para sua finalização, e depois tem passagem garantida no prestigioso festival alemão.

A cineasta brasiliense passou muitos meses em Brasília nos últimos anos, filmando coletivas de imprensa, votações e disputas nos corredores do Congresso Nacional. Ela já recebeu diversos prêmios por obras engajadas como Justiça (2004), Juízo (2007), Morro dos Prazeres (2013) e Futuro Junho (2015).

Judith Butler escreve sobre sua teoria de gênero e o ataque sofrido no Brasil

RESUMO A filósofa norte-americana Judith Butlerescreve sobre sua recente passagem pelo Brasil. Ela comenta os ataques que sofreu, explica sua teoria de gênero e procura entender o ódio dirigido a um pensamento que defende a dignidade e os direitos sexuais e que condena a violência contra mulheres e pessoas trans.

Via: ESTADÃO

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Desde o começo, a oposição à minha presença no Brasil esteve envolta em uma fantasia. Um abaixo-assinado pedia ao Sesc Pompeia que cancelasse uma palestra que eu nunca iria ministrar. A palestra imaginária, ao que parece, seria sobre “gênero”, embora o seminário planejado fosse dedicado ao tema “Os fins da democracia” (“The ends of democracy”).

Ou seja, havia desde o início uma palestra imaginada ao invés de um seminário real, e a ideia de que eu faria uma apresentação, embora eu estivesse na realidade organizando um evento internacional sobre populismo, autoritarismo e a atual preocupação de que a democracia esteja sob ataque.

Não sei ao certo que poder foi conferido à palestra sobre gênero que se imaginou que eu daria. Deve ter sido uma palestra muito poderosa, já que, aparentemente, ela ameaçou a família, a moral e até mesmo a nação.

Para aqueles que se opuseram à minha presença no Brasil, “Judith Butler” significava apenas a proponente de uma ideologia de gênero, a suposta fundadora desse ponto de vista absurdo e nefasto, alguém —aparentemente— que não acredita em restrições sexuais, cuja teoria destrói ensinamentos bíblicos e contesta fatos científicos.

Como tudo isso aconteceu e o que isso significa?

A TEORIA

Consideremos o que eu de fato escrevi e no que de fato acredito e comparemos isso com a ficção interessante e nociva que deixou tanta gente alarmada.

No final de 1989, quase 30 anos atrás, publiquei um livro intitulado “Gender Trouble” (lançado em português em 2003 como “Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade”, Civilização Brasileira), no qual propus uma descrição do caráter performativo do gênero. O que isso significa?

A cada um de nós é atribuído um gênero no nascimento, o que significa que somos nomeados por nossos pais ou pelas instituições sociais de certas maneiras.

Às vezes, com a atribuição do gênero, um conjunto de expectativas é transmitido: esta é uma menina, então ela vai, quando crescer, assumir o papel tradicional da mulher na família e no trabalho; este é um menino, então ele assumirá uma posição previsível na sociedade como homem.

No entanto, muitas pessoas sofrem dificuldades com sua atribuição —são pessoas que não querem atender aquelas expectativas, e a percepção que têm de si próprias difere da atribuição social que lhes foi dada.

A dúvida que surge com essa situação é a seguinte: em que medida jovens e adultos são livres para construir o significado de sua atribuição de gênero?

Eles nascem na sociedade, mas também são atores sociais e podem trabalhar dentro das normas sociais para moldar suas vidas de maneira que sejam mais vivíveis.

E instituições sociais, incluindo instituições religiosas, escolas e serviços sociais e psicológicos, também deveriam ter capacidade de apoiar essas pessoas em seu processo de descobrir como viver melhor com seu corpo, buscar realizar seus desejos e criar relações que lhes sejam proveitosas.

Algumas pessoas vivem em paz com o gênero que lhes foi atribuído, mas outras sofrem quando são obrigadas a se conformar com normas sociais que anulam o senso mais profundo de quem são e quem desejam ser. Para essas pessoas é uma necessidade urgente criar as condições para uma vida possível de viver.

LIBERDADE E NATUREZA

Assim, em primeiro lugar e acima de tudo, “Problemas de Gênero” buscou afirmar a complexidade de nossos desejos e identificações de gênero e se juntar àqueles integrantes do movimento LGBTQ moderno que acreditavam que uma das liberdades fundamentais que precisam ser respeitadas é a liberdade de expressão de gênero.

O livro negou a existência de uma diferença natural entre os sexos? De maneira nenhuma, embora destaque a existência de paradigmas científicos divergentes para determinar as diferenças entre os sexos e observe que alguns corpos possuem atributos mistos que dificultam sua classificação.

Também afirmei que a sexualidade humana assume formas diferentes e que não devemos presumir que o fato de sabermos o gênero de uma pessoa nos dá qualquer pista sobre sua orientação sexual. Um homem masculino pode ser heterossexual ou gay, e o mesmo raciocínio se aplica a uma mulher masculina.

Mas o objetivo dessa teoria era gerar mais liberdade e aceitação para a gama ampla de identificações de gênero e desejos que constitui nossa complexidade como seres humanos.

Esse trabalho, e muito do que desenvolvi depois, também foi dedicado à crítica e à condenação da violação e da violência corporais.

Além disso, a liberdade de buscar uma expressão de gênero ou de viver como lésbica, gay, bissexual, trans ou queer (essa lista não é exaustiva) só pode ser garantida em uma sociedade que se recusa a aceitar a violência contra mulheres e pessoas trans, que se recusa a aceitar a discriminação com base no gênero e que se recusa a transformar em doentes e aviltar as pessoas que abraçaram essas categorias no intuito de viverem uma vida mais vivível, com mais dignidade, alegria e liberdade.

Meu compromisso é me opor às ofensas que diminuam as chances de alguém viver com alegria e dignidade. Assim, sou inequivocamente contra o estupro, o assédio e a violência sexual e contra todas as formas de exploração de crianças.

Liberdade não é —nunca é— a liberdade de fazer o mal. Se uma ação faz mal a outra pessoa ou a priva de liberdade, essa ação não pode ser qualificada como livre —ela se torna uma ação lesiva.

VIOLÊNCIA DE GÊNERO

De fato, algo que me preocupa é a frequência com que pessoas que não se enquadram nas normas de gênero e nas expectativas heterossexuais são assediadas, agredidas e assassinadas.

As estatísticas sobre feminicídio ilustram o ponto. Mulheres que não são suficientemente subservientes são obrigadas a pagar por isso com a vida.

Pessoas trans e travestis que desejam apenas a liberdade de movimentar-se no mundo público como são e desejam ser sofrem frequentemente ataques físicos são mortas.

Camile Sproesser
Ilustração de Camile Sproesser para a Ilustríssima

Mães correm o risco de perder seus filhos se eles saírem do armário; muitas pessoas ainda perdem seus empregos e a relação com seus familiares quando saem do armário. O sofrimento social e psicológico decorrente do ostracismo e condenação social é enorme.

A injustiça radical do feminicídio deveria ser universalmente condenada, e as transformações sociais profundas que possam tornar esse crime impensável precisam ser fomentadas e levadas adiante por movimentos sociais e instituições que se recusam a permitir que pessoas sejam mortas devido a seu gênero e sua sexualidade.

No Brasil, uma mulher é assassinada a cada duas horas. A tortura e o assassinato recente de Dandara dos Santos, em Fortaleza, foi apenas um exemplo explícito da matança generalizada de pessoas trans no Brasil, uma matança que valeu ao Brasil a fama de ser o país mais conhecido pelo assassinato de pessoas LGBT.

São esses os males sociais inequívocos e atrocidades aos quais me oponho, e meu livro —bem como o movimento queer no qual ele se insere— procura promover um mundo sem sofrimento e violência desse tipo.

IDEOLOGIA

A teoria da performatividade de gênero busca entender a formação de gênero e subsidiar a ideia de que a expressão de gênero é um direito e uma liberdade fundamentais. Não é uma “ideologia”.

Em geral, uma ideologia é entendida como um ponto de vista que é tanto ilusório quanto dogmático, algo que “tomou conta” do pensamento das pessoas de uma maneira acrítica.

Meu ponto de vista, entretanto, é crítico, pois questiona o tipo de premissa que as pessoas adotam como certas em seu cotidiano, e as premissas que os serviços médicos e sociais adotam em relação ao que deve ser visto como uma família ou considerado uma vida patológica ou anormal.

Quantos de nós ainda acreditamos que o sexo biológico determina os papéis sociais que devemos desempenhar? Quantos de nós ainda sustentamos que os significados de masculino e feminino são determinados pelas instituições da família heterossexual e da ideia de nação que impõe uma noção conjugal do casamento e da família?

Famílias queers e travestis adotam outras formas de convívio íntimo, afinidade e apoio. Mães solteiras têm laços de afinidade diferentes. A mesma coisa se dá com famílias mistas, nas quais as pessoas se casam novamente ou se juntam com famílias, criando amálgamas muito diferentes daqueles vistos em estruturas familiares tradicionais.

Encontramos apoio e afeto através de muitas formas sociais, incluindo a família, mas a família é também uma formação histórica: sua estrutura e seu significado mudam ao longo do tempo e do espaço. Se deixamos de afirmar isso, deixamos de afirmar a complexidade e a riqueza da existência humana.

IGREJA

A ideia de gênero como ideologia foi introduzida por Joseph Ratzinger em 1997, antes de ele se tornar o papa Bento 16. O trabalho acadêmico de Richard Miskolci e Maximiliano Campana1 acompanha a recepção desse conceito em diversos documentos do Vaticano.

Em 2010, o argentino Jorge Scala lançou um livro intitulado “La Ideologia de Género”, que foi traduzido ao português por uma editora católica [Katechesis]. Esse pode ter sido um ponto de virada para as recepções de “gênero” no Brasil e na América Latina.

De acordo com a caricatura feita por Scala, aqueles que trabalham com gênero negam as diferenças naturais entre os sexos e pensam que a sexualidade deve ser livre de qualquer restrição. Aqueles que se desviam da norma do casamento heterossexual são considerados indivíduos que rejeitam todas as normas.

Vista por essa lente, a teoria de gênero não só nega as diferenças biológicas como gera um perigo moral.

No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, uma das mulheres que me confrontaram começou a gritar coisas sobre pedofilia. Por que isso? É possível que ela pense que homens gays são pedófilos e que o movimento em favor dos direitos LGBTQI nada mais é do que propaganda pró-pedofilia.

Então fiquei pensando: por que um movimento a favor da dignidade e dos direitos sexuais e contra a violência e a exploração sexual é acusado de defender pedofilia se, nos últimos anos, é a Igreja Católica que vem sendo exposta como abrigo de pedófilos, protegendo-os contra processos e sanções, ao mesmo tempo em que não protege suas centenas de vítimas?

Será possível que a chamada ideologia de gênero tenha virado um espectro simbólico de caos e predação sexual precisamente para desviar as atenções da exploração sexual e corrupção moral no interior da Igreja Católica, uma situação que abalou profundamente sua autoridade moral?

Será que precisamos compreender como funciona “projeção” para compreendermos como uma teoria de gênero pôde ser transformada em “ideologia diabólica”?

BRUXAS

Talvez aqueles que queimaram uma efígie minha como bruxa e defensora dos trans não sabiam que aquelas que eram chamadas de bruxas e queimadas vivas eram mulheres cujas crenças não se enquadravam nos dogmas aceitos pela Igreja Católica.

Ao longo da história, atribuíram-se às bruxas poderes que elas jamais poderiam, de fato, ter; elas viraram bodes expiatórios cuja morte deveria, supostamente, purificar a comunidade da corrupção moral e sexual.

Considerava-se que essas mulheres tinham cometido heresia, que adoravam o diabo e tinham trazido o mal à comunidade em lugares como Salem (EUA), em Baden-Baden (Alemanha), nos Alpes Ocidentais (Áustria) e na Inglaterra. Com muita frequência esse “mal” era representado pela libertinagem.

O fantasma dessas mulheres como o demônio ou seus representantes encontra, hoje, eco na “diabólica” ideologia de gênero. E, no entanto, a tortura e o assassinato dessas mulheres por séculos como bruxas representaram um esforço para reprimir vozes dissidentes, aquelas que questionavam certos dogmas da religião.

Quem pôs fim a esse tipo de perseguição, crueldade e assassinato foram pessoas sensatas de dentro da Igreja Católica, que insistiram que a queima de bruxas não representava os verdadeiros valores cristãos. Afinal, queimar bruxas era uma forma de feminicídio executado em nome de uma moralidade e ortodoxia.

Embora eu não seja estudiosa do cristianismo, entendo que uma de suas grandes contribuições tenha sido a doutrina do amor e do apreço pela preciosidade da vida —muito longe do veneno da caça às bruxas.

DEMOCRACIA

Embora apenas minha efígie tenha sido queimada, e eu mesma tenha saído ilesa, fiquei horrorizada com a ação.

Nem tanto por interesse próprio, mas em solidariedade às corajosas feministas e pessoas queer no Brasil que estão batalhando por maior liberdade e igualdade, que buscam defender e realizar uma democracia na qual os direitos sexuais sejam afirmados e a violência contra minorias sexuais e de gênero seja abominada.

Aquele gesto simbólico de queimar minha imagem transmitiu uma mensagem aterrorizante e ameaçadora para todos que acreditam na igualdade das mulheres e no direito de mulheres, gays e lésbicas, pessoas trans e travestis serem protegidos contra violência e assassinato.

Pessoas que acreditam no direito dos jovens exercerem a liberdade de encontrar seu desejo e viverem num mundo que se recusa a ameaçar, criminalizar, patologizar ou matar aqueles cuja identidade de gênero ou forma de amar não fere ninguém.

Essa é a visão do arcebispo Justin Welby, da Inglaterra, que destacou recentemente o direito dos jovens explorarem sua identidade de gênero, apoiando uma atitude mais aberta e acolhedora em relação a papéis de gênero na sociedade.

Essa abertura ética é importante para uma democracia que inclua a liberdade de expressão de gênero como uma das liberdades democráticas fundamentais, que enxergue a igualdade das mulheres como peça essencial de um compromisso democrático com a igualdade e que considere a discriminação, o assédio e o assassinato como fatores que enfraquecem qualquer política que tenha aspirações democráticas.

Talvez o foco em “gênero” não tenha sido, no final, um desvio da pergunta de nosso seminário: quais são os fins da democracia?

Quando violência e ódio se tornam instrumentos da política e da moral religiosa, então a democracia é ameaçada por aqueles que pretendem rasgar o tecido social, punir as diferenças e sabotar os vínculos sociais necessários para sustentar nossa convivência aqui na Terra.

Eu vou me lembrar do Brasil por todas as pessoas generosas e atenciosas, religiosas ou não, que agiram para bloquear os ataques e barrar o ódio.

São elas que parecem saber que o “fim” da democracia é manter acesa a esperança por uma vida comum não violenta e o compromisso com a igualdade e a liberdade, um sistema no qual a intolerância não se transforma em simples tolerância, mas é superada pela afirmação corajosa de nossas diferenças.

Então todos começaremos a viver, a respirar e a nos mover com mais facilidade e alegria —é esse o objetivo maior da corajosa luta democrática que tenho orgulho de integrar: nos tornarmos livres, sermos tratados como iguais e vivermos juntos sem violência.

1. MISKOLCI, Richard; CAMPANA, Maximiliano. “Direito às diferenças: notas sobre formação jurídica e as demandas de reconhecimento na sociedade brasileira contemporânea”. “Hendu “” Revista Latino-Americana de Direitos Humanos”, abril de 2017.

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JUDITH BUTLER, 61, referência nos estudos de gênero e teoria queer, é codiretora do programa de teoria crítica da Universidade da Califórnia em Berkeley. Lança o livro “Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo” pela Boitempo.

CAMILE SPROESSER, 32, é artista plástica.

Refugiados africanos são leiloados e vendidos como escravos por menos de US$ 200

Jornalistas da rede de TV “CNN” foram à Líbia e revelaram esquema de tráfico humano na fronteira do país, já que refugiados acabam nas mãos de contrabandistas por esperança de atravessar o mar e ir para a Europa

Homens
Reprodução/CNN

Homens “jovens e fortes” são vendidos como “escavadeiras humanas” em mercado de tráfico humano na Líbia

“Oitocentos, novecentos, mil… Vendido!”. Um vídeo obtido pela rede de TV norte-americana CNN  mostra o momento em que uma voz anuncia o preço da “mercadoria leiloada” por 1,2 mil dinar líbio – aproximadamente R$ 2,4 mil. O chocante é ver que aquilo que é comerciado não se trata de uma obra de arte, nem de uma joia ou mesmo um eletrodoméstico. Mas sim de seres humanos. Homens vendidos como escravos em pleno ano de 2017.

 

Um dos dois “ escravos ” não identificados, vendido no mercado de tráfico humano na Líbia, teria origem nigeriana e parece estar com vinte e poucos anos, segundo o canal americano. Durante o “anúncio” de seu comércio, ele é apontado como sendo “jovem e forte para trabalhos em fazendas”. O dono da voz que leiloa seres humanos não aparece nas imagens, sendo apenas possível ver sua mão nos ombros de uma das vítimas.

A CNN  trabalhou para verificar a autenticidade do vídeo feito por celular – e enviou repórteres especiais para a Líbia , onde as imagens foram feitas, a fim de investigar mais profundamente o caso. Os repórteres  Nima Elbagir, Raja Razek, Alex Platt and Bryony Jones utilizaram câmeras escondidas em uma área fora da capital Trípoli, no mês passado, ao testemunharem o comércio de dezenas de pessoas – que são “leiloadas” de forma rápida e fria, de acordo com o relato.

“Alguém precisa de uma escavadeira? Este é uma escavadeira, um homem grande e forte, ele poderá cavar fundo”, grita o vendedor, vestido em uma estampa de camuflagem. “Quem dá mais?”, pergunta.

Os possíveis compradores, então, levantam plaquinhas, indicando o lance nos homens à venda. Dentro de poucos minutos, todos estão destinados a trabalhar para seus novos “mestres” para o resto de suas vidas.

Após o leilão, os repórteres se dirigem a dois dos homens que haviam sido vendidos. Segundo afirmam no artigo publicado na CNN , “estavam tão traumatizados com o que tinham passado que não podiam sequer falar”.

Leilões de refugiados na Líbia

Segundo as investigações dos jornalistas americanos, os leilões de escravos acontecem em pelo menos nove localizações diferentes na Líbia, sendo que pode haver muitos outros.

Leilões acontecem em pelo menos nove localizações diferentes na Líbia, sendo que pode haver muitos outros
Reprodução/CNN

Leilões acontecem em pelo menos nove localizações diferentes na Líbia, sendo que pode haver muitos outros

A cada ano, dezenas de milhares de pessoas atravessam a fronteira do país – sendo a maioria de refugiados fugindo de conflitos armados e crises econômicas que desejam chegar à Europa e tentar uma nova vida. Contudo, a repressão da guarda costeira líbia acaba provocando o tráfico humano, já que menos barcos conseguem se lançar ao mar em direção aos países europeus e mais pessoas acabam nas mãos do tráfico humano .

Desse modo, refugiados de diversos países africanos acabam se tornando ‘mercadoria’ nas mãos de contrabandistas. As evidências gravadas pelos repórteres da CNN agora está sob controle de autoridades, que prometem realizar uma investigação sobre o assunto.

Leia também: Mais mortal do ano, terremoto no Irã deixou pelo menos 530 vítimas fatais

O primeiro tenente da Agência de Imigração do governo em Trípoli , Naser Hazam, disse à CNN que, embora ele não tenha assistido a um leilão de escravos, reconhece que há gangues organizadas operando em todo o território da Líbia.

Fonte: Último Segundo – iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2017-11-15/escravos-libia-refugiados.html?utm_source=social-ig&utm_campaign=facebook-ig&utm_medium=2017-11-15-escravos-libia-refugiados

Trump mente 5,5 vezes/dia e deve chegar a 1.999 falsas declarações até o final de 2017

No começo do ano, o jornal The Washington Post criou um projeto para analisar, categorizar e acompanhar cada uma das afirmações falsas ou enganosas feitas por Donald Trump desde sua posse, em 20 de janeiro.

Até a terça-feira, após 298 dias à frente da Casa Branca, a ferramenta desenvolvida pelo diário indicava que Trump havia feito 1.628 afirmações do tipo, uma média de 5,5 mentiras ou meias-verdades por dia – neste ritmo, ele deve chegar a 1.999 falsas declarações até o fim do ano.

No último mês, segundo o Post, a situação foi ainda pior: Trump faltou com a verdade ou usou informações distorcidas, em média, 9 vezes por dia – se seguir esta tendência, passará facilmente das 2 mil mentiras até 31 de dezembro.

O levantamento aponta também que o presidente tem uma tendência a se repetir. Até o momento, ele já contou 50 fatos sem precisão 3 ou mais vezes. No topo da lista, repetida em 60 ocasiões, está alguma variação da alegação de que a reforma da saúde adotada em 2010, e conhecida como Obamacare, está “essencialmente morta”.

Mas, segundo a agência do Congresso responsável pelo orçamento dos EUA, o Obamacare deve permanecer estável no futuro próximo.

Outra atitude que Trump faz rotineiramente é reivindicar para si eventos ou decisões comerciais que ocorreram antes mesmo de ele fazer seu juramento como presidente – em alguns casos, antes mesmo de ele ser eleito. Ele alegou 55 vezes que conseguiu investimentos de empresários e anunciou a criação de empregos que não eram novos e poderiam ser facilmente encontrados numa pesquisa do Google.

Recentemente, com os esforços para aprovar no Congresso uma reforma tributária, duas das reivindicações passaram a ser usadas com mais frequência pelo bilionário de língua solta: a de que sua reforma fará o maior corte de impostos na história do país e a de que os EUA são uma das nações com maior carga tributária do mundo.

A mentira sobre o corte de impostos já foi contada 40 vezes, mesmo com dados do Departamento do Tesouro dos EUA apontando o plano de Trump apenas como o 8.º neste ranking. Já a lorota sobre ser um nação sobretaxada foi contada em 50 ocasiões – para ser preciso, ele afirmou em 19 ocasiões que os EUA têm os maiores impostos corporativos e 31 vezes que são uma das nações mais tributadas. / WASHINGTON POST

Via: ESTADÃO

Coisa de preto é ser o primeiro neurocirurgião a conseguir separar gêmeos siameses

Ben Carson foi o primeiro neurocirurgião a conseguir separar gêmeos siameses que nasceram unidos pela cabeça, o ato é tão memorável que rendeu filme protagonizado por Cuba Gooding Jr. ” Mãos Talentosas.”

Carson estudou durante 4 meses a fórmula para conseguir o feito com sucesso, pois era algo inédito até então. A cirurgia durou aproximadamente 22 horas e envolveu mais de 50 especialistas da medicina. A cirurgia foi concluída com sucesso.
Foi também o primeiro médico a fazer cirurgia em um feto ainda na barriga para retirada de um tumor no tronco.
Após trajetória de sucesso, Carson é médico aposentado, mas mantém junto com sua esposa uma ONG “The Carson Scholares Fud”, recompensa e reconhece os jovens estudiosos.

Aparecem as provas da ligação da Globo com delator que a acusa de propina

A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa Torneos Y Competencias, que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos; informação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo jornalista Rodrigo Mattos; a Torneos, empresa de Burzaco, era dona de parte da empresa T & T Sports Marketing BV, que adquiriu todos os direitos da Libertadores; documentos obtidos no caso ‘Panama Papers’ mostram que a Globo e a T & T mantinham relação contratual por 11 anos, de 2005 a 2016 quando foi rompido elo pelo escândalo na Conmebol; em média, a emissora pagou US$ 16 milhões por ano pela Libertadores, preço bem abaixo do padrão do mercado brasileiro pela competição

247 – A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa Torneos Y Competencias, que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 15, pelo jornalista Rodrigo Mattos, do UOL.

Segundo Mattos, a Torneos, empresa de Burzaco, era dona de parte da empresa T & T Sports Marketing BV, com sede na Holanda. Essa empresa adquiriu todos os direitos da Libertadores. Documentos obtidos no caso ”Panama Papers” mostram que a Globo e a T & T mantinham relação contratual por 11 anos, de 2005 a 2016 quando foi rompido elo pelo escândalo na Conmebol.

Em média, a emissora pagou US$ 16 milhões por ano pela Libertadores. Segundo o jornalista, a emissora brasileira pagava um valor abaixo do padrão do mercado brasileiro pela competição.

Ainda de acordo com o jornalista Rodrigo Mattos, o último contrato entre as partes gerou uma disputa judicial no Brasil. Pelo acordo, a emissora só pagava o valor de US$ 10,8 milhões anuais entre 2015 e 2018 por toda a Libertadores. Era metade do montante dado pela Globo pelo Campeonato Paulista neste período.

Quando estourou o escândalo na Conmebol, a Globo foi à Justiça para tentar manter seu contrato com a T & T como válido, apesar de a empresa já figurar como envolvida em corrupção. Ao final, a Conmebol reformou os contratos da Libertadores e a Globo fechou novo acordo diretamente com a Fox. A disputa judicial foi extinta. Não se sabe o valor atual pago pela emissora pela competição sul-americana.

Veja cópia do contrato entre a Globo e a T & T:

ATIRADOR ABRE FOGO EM ESCOLA E DEIXA 3 MORTOS NOS EUA

Três pessoas foram mortas em um tiroteio em uma escola primária no norte da Califórnia nesta terça-feira e o atirador foi morto por policiais; Alguns estudantes foram transportados por avião devido ao tiroteio na escola Rancho Tehama perto da comunidade de Corning; uma das vítimas seria uma criança de seis anos de idade

Reuters – Três pessoas foram mortas em um tiroteio em uma escola primária no norte da Califórnia nesta terça-feira e o atirador foi morto por policiais, informou a emissora de televisão de Sacramento KCRA.

Alguns estudantes foram transportados por avião devido ao tiroteio na escola Rancho Tehama perto da comunidade de Corning, segundo a TV, citando uma autoridade policial.

Iraque encontra vala com 400 vítimas do Estado Islâmico

Via: O GLOBO

Fossa comum foi encontrada na cidade de Hawija

ROMA – As forças militares do Iraque encontraram diversas valas comuns usadas pelo Estado Islâmico (EI) para desovar mais de 400 pessoas massacradas pelo grupo terrorista. As fossas ficam em Hawija, a cerca de 280 quilômetros ao Norte da capital Bagdá, região que as tropas iraquianas reconquistaram em outubro.

O governador da província de Kirkuk, Rakan Said, disse que o local costumava ser uma base militar, mas que fora transformado em “zona de execuções” pelo Estado Islâmico. Alguns dos corpos encontrados nas fossas vestiam roupas civis, mas também há vítimas com os macacões laranjas que o EI costumava colocar em prisioneiros antes de executá-los.

No ano passado, a agência de notícias Associated Press publicou um estudo que apontava que poderiam existir 72 fossas comuns usadas pelo EI em todo o Iraque, as quais contabilizariam entre 5 mil e 15 mil corpos.

 

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