MPF denuncia dono da Riachuelo por crimes contra a honra de procuradora trabalhista

VIA: UOL

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A procuradora do trabalho Ileana Neiva Mousinho e Flávio Rocha, dono da Riachuelo

O empresário Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, foi denunciado na terça-feira (11) pelo MPF/RN (Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte) por coação no curso do processo, calúnia e injúria contra a procuradora regional do Trabalho Ileana Neiva Mousinho.

De acordo com a denúncia, Rocha utilizou as redes sociais para acusar a procuradora de perseguição contra a Guararapes, controladora da Riachuelo e da qual é vice-presidente, além de ter se referido a ela como “louca”, “perseguidora” e “exterminadora de empregos”.

A Riachuelo afirmou que não iria comentar a denúncia, pois Flávio Rocha ainda não foi notificado pelo MPF.

As ofensas à procuradora, publicadas em páginas do empresário em redes sociais, se deram após Ileana e outros nove procuradores do trabalho terem ajuizado uma ação civil pública, no dia 19 de maio, contra a empresa Guararapes Confecções S/A.

O MPT (Ministério Público do Trabalho), na ação, responsabiliza a companhia por irregularidades em confecções que prestam serviços terceirizados ao grupo varejista e pede uma indenização coletiva de R$ 37,7 milhões.

A ação foi feita após o órgão ter feito inspeção em mais de 50 confecções em 12 municípios, onde foi constatado que os empregados terceirizados destas oficinas de costura recebem remuneração mais baixa e possuem menos direitos trabalhistas que os empregados contratados diretamente pela Guararapes Confecções.

Acusações à procuradora

No dia 17 de setembro, o empresário publicou em seu perfil do Facebook uma carta dirigida à procuradora Ileana Neiva acusando-a de ser autora de uma perseguição sistemática à empresa por meio de denúncias infundadas à Delegacia do Trabalho.

O empresário também sugeriu que a procuradora estivesse intencionalmente prejudicando a empresa, já que ela não havia feito “exigências absurdas que não faz a nenhum dos nossos concorrentes”.

Em outras postagens, Rocha chamou-a de “louca”, “perseguidora” e “exterminadora de empregos”, chegando a sugerir o afastamento da procuradora. “A proposta é simples. Tirem a doutora Ilena Mousinho de nossa vida e nós vamos transformar o Rio Grande do Norte”, afirmou.

Campanhas e manifestações

Além dos ataques à procuradora, Rocha também lançou, em redes sociais, as campanhas “#mexeuComPainhoMexeuComNósTudinho”, em referência a Nevaldo Rocha, fundador da Guararapes e pai de Flávio Rocha, e “#ExterminadoraDeEmprego”, em referência à procuradora Ileana Neiva.

O empresário também liderou uma manifestação, com cerca de 5.000 funcionários do grupo Guararapes, em frente à sede do Ministério Público do Trabalho, em Natal, no dia 21 de setembro. Por conta do protesto, o expediente da Procuradoria teve que ser reduzido, por questões de segurança. Na ocasião, o empresário postou frases como “o nosso povo está animado…” e “entendeu o recado, doutora?”.

Ação “em defesa dos direitos coletivos dos trabalhadores”

De acordo com o MPF, a ação civil movida contra a Guararapes Confecções se dá “em defesa dos direitos coletivos dos trabalhadores, sempre instrumentalizada por meios de provas, submetendo suas imputações ao diálogo e à possibilidade de ser firmado compromisso de ajustamento de conduta entre as partes (MPT e empregador) –dentro dos parâmetros legais– ou ao amplo contraditório, no âmbito da Justiça do Trabalho”.

O MPF ainda afirma que “não é contrário a qualquer forma de manifestação de liberdade de expressão”, mas ressalta que o empresário “teria transbordado os limites constitucionais, atingindo deliberadamente a honra de servidora pública no exercício da função”.

“Mais uma vez, Flávio Gurgel Rocha atribuiu à procuradora regional do Trabalho ser autora de comportamento típico de natureza penal, consistindo além de crimes de abuso de autoridade, previstos expressamente na Lei nº 4898/1965, no crime de prevaricação, previsto no art. 319 do Código Pena”, destaca a denúncia. O crime de prevaricação consiste em deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra a disposição expressa em lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Outro lado

Antes da denúncia do MPF, no dia 20 de setembro, o empresário afirmou, por meio do Facebook, que “ao defender os interesses da Guararapes Confecção”, não teve a intenção de “atingir a honra da procuradora Ileana Mousinho” e que foi “enfático” nas críticas a ela porque o emprego de milhares de pessoas “estava em jogo”.

Rocha disse, também, na ocasião, que não incitava a violência e que reafirmava sua posição a favor de “práticas trabalhistas mais modernas”, como as aprovadas recentemente pelo Congresso Nacional, que entrarão em vigor em novembro.

Procurada pela reportagem do UOL, a assessoria de imprensa da Riachuelo disse que Flávio Rocha ainda não foi notificado sobre a denúncia do MPF e que não irá comentar o assunto.

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Pobre longe dos Aeroportos: Após cobrança por bagagens, preços das passagens aéreas sobem no país

VIA: UOL

Ao contrário do que se esperava quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitiu que as companhias aéreas passassem a vender passagens que não dão direito a despachar bagagem, o preço das tarifas tem subido desde que as empresas começaram a adotar a prática. Entre junho e setembro, essa alta chegou a 35,9%, segundo dados da FGV. De acordo com levantamento do IBGE, entretanto, a elevação foi mais moderada, de 16,9%.

O preço das passagens aéreas está no centro de uma discussão entre o governo federal e as companhias do setor. No fim de setembro, o Ministério da Justiça instaurou averiguação sobre um estudo da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) que apontou tendência de queda no preço das passagens nos últimos meses.

Segundo o levantamento da entidade feito com base em dados preliminares, entre junho e o início de setembro, as tarifas recuaram de 7% a 30% nas rotas domésticas das companhias que adotaram a cobrança da mala despachada (Azul, Gol e Latam).

Os números da FGV e do IBGE, porém, mostram queda apenas em agosto, de 2,07% e 15,16%, respectivamente. A divergência de 13 pontos porcentuais entre os índices de agosto revela a complexidade que as entidades enfrentam para calcular o preço médio das passagens e as diferentes metodologias adotadas por cada uma – é também sobre a metodologia adotada que o Ministério da Justiça questionou a Abear.

De acordo com Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE, os preços de passagem aérea e telefonia estão entre os mais complicados de se analisar, pois variam muito. “São dados muito detalhados, que requerem cuidado na hora da coleta.”

A divergência no acumulado de junho a setembro dos índices de passagem aérea da FGV e do IBGE chega a 19 pontos porcentuais, enquanto, no mesmo período, os índices de preço geral das entidades se diferem em 0,54 ponto porcentual.

Só lazer

Tanto os dados coletados pelo IBGE como os pela FGV são de passagens destinadas ao turismo de lazer, cujas tarifas costumam ser mais baratas, já que a compra é realizada com antecedência. Passagens corporativas, adquiridas próximo da data da viagem, acabam não sendo consideradas pelos índices das entidades.

A FGV faz sua coleta de dados considerando o preço das passagens para uma viagem que ocorreria dentro de 30 dias, enquanto o IBGE utiliza o prazo de 60 dias.

Outra divergência importante entre as metodologias da FGV e do IBGE diz respeito à inclusão da bagagem nas tarifas analisadas. Enquanto a primeira optou por considerar tanto o preço da passagem com ou sem mala, a segunda considera sempre a inclusão da bagagem, mesmo no caso das tarifas mais baratas – nesses casos, o preço da mala é acrescido no final.

Rotas

As diferenças ocorrem ainda nas rotas dos voos cujos preços são analisados. A FGV coleta dados em sete pontos de partida e considera os destinos mais procurados pelos turistas brasileiros de acordo com uma pesquisa da Embratur. O IBGE, por sua vez, pesquisa 13 cidades como ponto de saída e os destinos foram definidos por um levantamento feito pelo próprio instituto entre 2008 e 2009 com famílias entrevistadas.

“É por causa dessa seleção de cidades que acontece de, às vezes, uma pessoa não se identificar com a variação (dos preços). Ela possivelmente mora em uma região que a pesquisa não alcança”, diz o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da FGV, André Braz.

Discussão

A regra da Anac que permitiu a cobrança por bagagem atendeu a uma demanda antiga do setor aéreo, que defendia o fim da franquia da mala gratuita com o argumento de aproximar as normas brasileiras aos padrões internacionais. Hoje, apenas Venezuela, Rússia e México exigem que as companhias aéreas transportem pelo menos uma bagagem sem cobrar, segundo a própria Anac.

Antes de entrar em vigor, a medida foi questionada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, que afirmou que o setor era pouco competitivo no País, “sem grande disputa por tarifas mais baixas”.

Procurada, a Abear informou que seu levantamento foi feito levando em conta as tarifas mais econômicas ofertadas entre junho e o início de setembro deste ano e de 2016. A entidade destacou que os dados foram apurados após as divulgações de pesquisa da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que mostrou queda de 2,56% no primeiro semestre deste ano e do IPCA-15 de setembro, do IBGE, que registrou recuo de 12,99% no acumulado do ano.

“Importante ressaltar, ainda, que as informações foram obtidas por meio das companhias em um período de custos estáveis durante o ano”, informou em nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

FMI comprova que o Governo Temer criou a maior dívida fiscal entre 40 países

O relatório elaborado pela organização, chamado de “Monitor Fiscal”, considera 40 países emergentes, aponta reportagem do Globo publicada nesta quinta-feira 12.

Neste ano, o indicador deverá subir de 78,3% para 91,1%, já fazendo com que pulemos para o posto de terceiro emergente mais endividado, diz ainda o documento.

O ministro da Fazenda do governo Temer, Henrique Meirelles, minimizou, no entanto, as previsões do FMI. Segundo ele, “o importante, no caso do Brasil, é análise da dívida líquida”.

O histórico mostra que a dívida brasileira caiu com o governo Lula, se manteve estável com Dilma Rousseff e disparou com o golpe.

Com Brasil 247

Investigação chega a Ratinho e rombo milionário de 74 milhões, choca o Brasil

Apresentador do SBT é alvo de investigação importante e assusta telespectadores.

O apresentador Carlos Massa, o popular Ratinho, acabou passando por momentos difíceis na última semana. O comunicador do #SBT acabou sendo alvo de uma investigação que envolve a Procuradoria-Geral da Fazenda brasileira. A apuração envolve o órgão que faz pare do Ministério da Fazenda e tenta entender o que teria acontecido com uma quantia de dinheiro milionária. O caso veio à tona através da coluna ‘Expresso’, que faz parte da Revista Época.

Ratinho se vê em situação problemática e é alvo de blitz do governo federalO comunicador é acusado de dar uma espécie de golpe na Receita Federal e não ter pago quantias referentes ao ‘Leão’, popular nome dado ao imposto de renda.

O valor que #Ratinho estaria devendo à Receita Federal chega a R$ 74 milhões. A quantia estaria sendo devida em tributos e ligada ao comunicador do SBT, conhecido por dar esporros em políticos famosos em seu programa na emissora de Silvio Santos.

Ratinho vive outro lado e é denunciado em blitz da Justiça por suposta sonegaçãoPor isso, agora o órgão do Ministério da Fazenda tenta dar uma resposta à altura em meio ao que acontece em torno da celebridade, que tem relação direta com muitos políticos brasileiros. Para garantir o pagamento, o órgão acabou penhorando alguns dos bens do famoso. Um desses bens, como mostra uma matéria do site TV Foco neste domingo (8), seria uma fazenda no Acre. A propriedade é avaliada em mais de 200 milhões de reais.

Aeronaves ligadas a Ratinho também viram alvo de investigação da JustiçaA Agência Nacional de Aviação Civil, a ANAC, também está no alvo da apuração.

Isso porque o Ministério da Fazenda pede que informações de aeronaves ligadas ao comunicador sejam repassadas ao órgão. A metodologia usada pelo Ministério, no entanto, virou alvo de contestação dos advogados do comunicador, que não concordam com a forma como os advogados estão fazendo as cobrança e do valor que Ratinho deveria. Enquanto toda essa pendência fica na Justiça, os telespectadores mostram-se chocados em torno do assunto.

Emissora de televisão vira polêmicaAlém de apresentador, Ratinho também é empresário. Ele é dono, inclusive, de uma emissora de televisão filiada ao SBT, a Rede Massa. Seu contrato com o SBT é diferenciado, em forma de parceria. A emissora de Ratinho não teria virado alvo de penhora para garantir o pagamento à Receita Federal. No entanto, o dado certamente está chamando a atenção de todo o país.

Gás de cozinha ficará 12,9% mais caro

O Grupo Executivo de Mercado e Preços (Gemp) da Petrobras decidiu elevar em 12,9%, em média, os preços do gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso residencial vendido em botijões de até 13 kg, a partir desta quarta-feira, segundo comunicado.

O percentual de reajuste foi calculado de acordo com a política de preços divulgada em junho e reflete, principalmente, “a variação das cotações do produto no mercado internacional”, afirmou a estatal nesta terça-feira.

Como a lei brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, as revisões feitas nas refinarias podem ou não se refletir no preço final ao consumidor, destaca a Petrobras. Se for integralmente repassado aos preços ao consumidor, a companhia estima que o preço do botijão de 13 Kg pode ser reajustado, em média, em 5,1% ou cerca de R$ 3,09 por botijão, isso se forem mantidas as margens de distribuição e de revenda e as alíquotas de tributos.

No final de setembro, a Petrobras havia anunciado aumento de 6,9% no preço do gás residencial, citando os impactos da tempestade Harvey na principal região exportadora do produto, além de uma situação da baixa oferta.

Via Extra

Receita descobre esquema de venda de dados da Receita

Via: ESTADÃO

Operação Spy, deflagrada em conjunto com a Polícia Federal nesta terça-feira, 10, cumpre oito mandados de prisão preventiva, inclusive contra três servidores públicos no Rio Grande do Sul, envolvidos na comercialização de documentos extraídos de sistemas internos do Fisco

A Polícia Federal, em conjunto com a Corregedoria da Receita, deflagrou nesta terça-feira, 10, a Operação Spy, que apura a comercialização de dados extraídos de sistemas internos da própria Receita. Segundo a PF, a operação foi denominada Spy por se tratar de um caso de espionagem industrial, em nível internacional.

Cerca de 60 policiais federais e 10 auditores da Receita cumprem oito mandados de prisão preventiva, inclusive três servidores públicos, além de 12 mandados de de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

A Operação Spy, segundo informa a Polícia Federal, atribui aos integrantes do esquema os crimes de corrupção ativa e passiva, e lavagem de dinheiro.

A investigação teve início em setembro de 2016, a partir de informações da Corregedoria da Receita, que indicavam a atuação ilegal de servidores do Fisco Dados relacionados à atividade de comércio exterior eram extraídos de sistemas internos e repassados, mediante pagamento, por intermediários, a empresas que desempenham atividades de exportação ou importação.

As ordens judiciais de prisões e buscas foram decretadas pela 7.ª Vara Federal de Porto Alegre e se destinam à obtenção de informações complementares sobre as práticas investigadas.

Os decretos de prisão têm fundamento na garantia da ordem pública, da ordem econômica e por conveniência da instrução criminal.

Gasolina vai aumentar de novo na terça-feira e bate novo recorde de preço

Da VEJA

O preço do combustível chegou a R$ 3,887 na última semana, o valor mais alto registrado no ano; litro do etanol teve queda, a R$ 2,628

O preço médio do litro da gasolina chegou a 3,887 reais na última semana, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foi a oitava semana consecutiva de alta, e o valor mais alto registrado pela ANP neste ano. A pesquisa levou em conta os preços cobrados dos consumidores em 3.168 postos pelo país.

O Diesel também registrou alta no período, para 3,362 reais por litro, o quarto aumento semanal consecutivo. Já o etanol teve queda, indo de 2,637 reais para 2,628 na última semana, de acordo com levantamento feito em 2.858 postos.

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira que vai reajustar o preço da gasolina nas distribuidoras em 1,5% a partir de terça. O valor cobrado pelo diesel cairá em 1,3%.

A mudança faz parte da política da estatal anunciada em junho, que permite reajustes diários no preço das refinarias para equipará-los aos do  mercado internacional. Desde então, houve aumento de 8,6% na gasolina e 13,6% no diesel pago pelos distribuidores, segundo os dados da Petrobras. A alta na gasolina foi o principal impacto na inflação de setembro, de acordo com o IBGE.

Esperavam 1 Milhão: 328 mil pessoas votam favorável em plebiscito “O Sul é Meu País”

Via: ParanaPortal/UOL

O plebiscito informal realizado pelo movimento separatista “O Sul é Meu País” teve 341.775 votos recolhidos no último sábado (7), dos quais 328.552 se posicionaram favorável a separação dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do restante do Brasil.

Até a manhã desta segunda-feira (9), 82 das 83 as urnas lançadas para votação foram auditadas. A previsão inicial era de que a apuração dos votos fosse concluída na noite de sábado, mas o movimento afirmou que teve problemas técnicos na postagem de votos. O resultado está disponível aqui.

Quem votou no chamado “Plebisul” também assinou um projeto de lei de iniciativa popular que prevê a separação dos estados.  O projeto deve ser apresentado oficialmente ao poder legislativo de cada estado, em maio do ano que vem. Para isso é necessário a assinatura de 1% dos eleitores de cada um dos três estados, número de assinaturas que já foi recolhida pelo movimento.

A votação não tem validade legal, o objetivo é saber a opinião do público. A expectativa do movimento era que 1 milhão de pessoas participassem da votação. O presidente do movimento, Celso Deucher afirmou que o número de votos foi baixo devido a demora para a assinatura do projeto de lei e a quantidade de dados necessários.

“Nós não imaginávamos que iria demorar tanto para assinarem o projeto. Não era só marcar sim ou não, precisava por dados, inclusive o número do título de eleitor. Teve fila, só os mais persistentes ficaram. Além disso, várias urnas foram desativadas por erro do movimento e o público não esperava ter a responsabilidade de assinar um projeto de lei. Algumas pessoas, que votaram no ano passado, não votaram esse ano pensando em que a votação não tem validade legal e, da última vez, nada aconteceu. As chuvas e tempestades que atingiram todo o Sul fecharam urnas e mudaram locais”, afirmou.

No ano passado, foram cerca de 600 votos nos três municípios do estado, com 95% de sim para a separação dos países.

Pós Golpe: De advogado a professor, diplomados viram moradores de rua em São Paulo

VIA: FOLHA

Moradores de rua também têm sua “classe média”, gente outrora mais abastada que entrou numa espiral de decadência da qual não conseguiu sair e, hoje, acode aos albergues da Prefeitura de São Paulo em busca de segurança e de apoio para sobreviver com as próprias pernas. É um subgrupo que não pratica a mendicância, evita dormir ao ar livre e usufrui da estrutura pública de assistência social por meses, às vezes, anos.

Sua penúria tem as mesmas origens de quase toda população excluída –desemprego, despejo, separação conjugal, doenças psiquiátricas e vício em álcool e drogas.

Mas seu tombo social costuma ser maior: até se verem sem nada e atingirem o esgotamento, passaram a maior parte da vida com trabalho e carteira assinada, fizeram cursos universitários, tiveram uma família, falam duas línguas ou mais e viajaram o mundo por conta da carreira ou por aventura.

“A gente vê que muitos moradores de rua são qualificados –tem ex-advogado, dono de posto de gasolina, piloto de avião”, diz o secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Filipe Sabará, que substituiu a vereadora Soninha Francine (PPS) no comando da pasta na gestão João Doria (PSDB) há seis meses.

“E normalmente o maior problema é emocional, a pessoa entra num ciclo de miséria e não acredita mais nela mesma. A mente não acredita mais que pode dar a volta por cima”.

Segundo ele, há, nessa categoria, uma alta incidência de homens abandonados pela mulher e pela família, por causa do uso abusivo de álcool e drogas, que, por uma questão de orgulho, se tornam invisíveis para a sociedade e somem do mapa sem deixar rastros. Muitos não querem ser encontrados. Outros têm celular e podem ser contatados com mais facilidade.

“Meus problemas começaram quando minha mulher me deixou e voltou para a Ásia”, diz o coreano Oh Eu Kweon, 55, ex-comerciante que vive hoje num albergue municipal na rua Prates, no centro de São Paulo e faz bicos para viver.

De acordo com a prefeitura, vivem hoje em situação de rua entre 20 mil e 25 mil pessoas, um aumento de cerca de 40% em relação ao último levantamento oficial feito, em 2015, pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que detectou 15,9 mil pessoas nessa condição, entre albergados e errantes.

A crise econômica explica esse crescimento exponencial de mais de 2.000 almas por ano. A imensa maioria dessa população é de homens, 88,6%. As mulheres caem em desgraça mais raramente e com frequência vão para as ruas acompanhando seus maridos ou companheiros.

Do total da população em situação de rua, mais ou menos a metade se instala nos albergues públicos, que oferecem cerca de 12 mil vagas.

Editoria de Arte/Folhapress
Moradores de rua

Nesses locais, há quatro refeições por dia, banho, acompanhamento psiquiátrico e de outros problemas de saúde, cursos profissionalizantes, regularização de documentos e encaminhamento para encontrar trabalho.

“É um lugar que dá oportunidade para se recuperar, escapar da violência e procurar emprego”, afirma o professor de inglês André da Mata, 46, morador do albergue Arsenal da Esperança, o maior da cidade, com 1.200 lugares.

Diferentemente do que se costuma imaginar, a maior parte dessa população trabalha. Entre os acolhidos em albergues, 17,9% estão empregados com ou sem registro em carteira e 57,7% atuam por conta própria, em geral no comércio de rua ou na catação de lixo e fazendo bicos.

Mesmo entre aqueles que moram na rua, 4,8% estão empregados.

A população de rua é muito heterogênea e o indicador mais palpável da classe média é a alta escolaridade.

O último levantamento da Fipe detectou que apenas 9% das 15,9 mil pessoas em situação de miséria tem curso superior completo ou incompleto. (A grande maioria dessa população, 80,6%, não terminou o ensino médio, 9,6% é analfabeta).

Entre 2010 e 2015, houve um crescimento do número de pessoas formadas em universidades vivendo em situação de rua, tanto na população acolhida em albergues quanto na que dorme nas calçadas, de 1,9% para 4%.

“A gente encontra famílias de classe média, ex-empresários e gente que teve uma boa vida num passado recente”, diz o padre Julio Lancelotti, coordenador da Pastoral dos Moradores de Rua.

“O que pode explicar isso é a história de vida de cada um, mas normalmente essas pessoas enfrentam uma sucessão de perdas, que envolve a sanidade, a profissão e os laços familiares.”

A Folha ouviu cinco desses homens aparentemente bem preparados que perderam o rumo.

MIGUEL DI DOMENICO, FERRAMENTEIRO, 56

Há pouco mais de mês, uma combinação perversa levou o ferramenteiro argentino Miguel Di Domenico, 56, a morar nas ruas e praças do centro de São Paulo.

Misturou-se um problema de saúde –um coágulo no coração que o levou a ficar um ano sem trabalhar e a uma internação no Instituto Dante Pazzanese, na zona sul– com um golpe que afirma ter tomado de um sócio na sua pequena empresa.

Somou-se a isso o afastamento de mais de uma década da ex-mulher e das duas filhas, hoje com 19 e 24 anos, e a equação destrutiva se fechou. Miguel se viu sem ninguém, sem dinheiro e sem ajuda, que também não pediu a nenhum amigo por orgulho.

Com apenas uma mochila de roupas e um saco de tralhas, partiu para uma jornada sem rumo pela cidade.

No último dia 12, Domenico, que morou na Itália muitos anos e, nos velhos tempos, fazia negócios com prata em países como Espanha e Suíça, zanzava pela praça da Sé atrás de uma vaga de pernoite em algum albergue da prefeitura.

Buscava, também, um prato de comida em meio ao cenário de disputa de almas em que a praça se converte durante a noite, onde grupos de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus dividem espaço com católicos e assistentes sociais da administração pública para acudir os homens e as mulheres das ruas.

O argentino parecia um pouco atordoado, mas conformado com seu destino.

Enquanto não consegue uma vaga definitiva em um albergue, ele tem passado seus dias andando pelas ruas e deitado nas calçadas –começou sua jornada errante na rua Boa Vista, perto de um posto policial, onde se sentiu mais seguro, e agora começa a entender a nova vida.

“É um lugar novo para mim e nunca pensei que pudesse chegar a essa situação –tudo o que podia dar errado deu errado”, diz Domenico com um sorriso plácido no rosto e com sotaque italiano. “É um submundo desconhecido que ainda estou tentando entender e que você só conhece mesmo quando vive.”

Avener Prado/Folhapress
Miguel Di Domenico. Pessoas na classe média que faliram e foram morar em albergues. Foto feita na praça da Sé.
O ferramenteiro argentino Miguel Di Domenico, 56

ANDRÉ DA MATA, PROFESSOR, 46

Em março deste ano, o artesão de bijuterias e professor de inglês André da Mata, 46, ficou 20 dias largado nas ruas de São Paulo, jogado no mundo, sem tomar banho ou trocar de roupa. Por conta de sua dependência em álcool, decidiu se internar no Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), do governo do Estado, onde ficou mais 33 dias.

Atualmente hospedado no albergue Arsenal da Esperança, ele toma medicamentos para suportar a abstinência. Diz que, enquanto se trata, está juntando dinheiro com a venda de seu artesanato para comprar uma barraca.

“Durmo na rua, mas me defino como um viajante”, afirma. “Leio muito Humberto Rohden, autor de ‘A Experiência Cósmica’, e a Bíblia, além de fazer meditação.”

Mata nasceu em Jacareí (SP), cresceu em Brasília e diz que sempre foi um homem errante. Fez curso de letras, mas não terminou. A primeira oportunidade para uma longa viagem apareceu em 1995, após ser batizado na Igreja mórmon. Foi convidado a servir como missionário e ficou dois anos em Nova York.

Depois de uma rápida escala em Brasília, onde trabalhou algum tempo na agência de turismo do pai, foi para Salt Lake City, nos EUA, sede da igreja. “Viajei por 25 Estados americanos e passei seis anos por lá sobrevivendo com a venda de artesanato”.

Esse período terminou com uma deportação para o Brasil, mas Mata não perdeu tempo. Assim que chegou em Brasília embarcou para Israel, onde passou alguns meses, e depois circulou quatro anos pela Europa. Morou na Itália, França, Suíça, República Checa e Espanha, onde acabou sendo deportado novamente.

Entre 2008 e 2014, trabalhou no setor hoteleiro e deu aulas de inglês em Brasília e no Rio Grande do Sul. “Há três anos, me desiludi com tudo, vendi um carro que meus pais tinham me dado e fui para a Chapada Diamantina orar e meditar para encontrar meu eu divino”, diz. “Acho que lá começou minha nova história.” Mata espera se recuperar do alcoolismo para retomar sua jornada.

Marcelo Justo/Folhapress
Andre da Mata,46, morador do albergue Arsenal da Esperança, que fica na Mooca. A reportagem busca mostrar entre os moradores do local, casos de paulistanos de classe média que faliram e foram morar em albergues.
O professor de inglês André da Mata, 46

RAMON COSTA OLIVEIRA, REPRESENTANTE COMERCIAL, 41

O baiano Ramon Costa Oliveira se orgulha de seus feitos na natação e de seus tempos de atleta. Fez quatro travessias marítimas da Grande Salvador percorrendo 14 quilômetros de distância e, em uma delas, conseguiu um honroso 6º lugar.

Cursou até o segundo ano de educação física antes de ser cativado pela atividade de representante comercial que exerceu até três anos atrás. No seu caminho profissional passou por seguradoras, como a SulAmérica, e grandes empresas alimentícias como Bunge e Master Foods.

“Era um bom nadador e sempre soube fazer negócios”, diz Oliveira. “A minha decadência começou por causa do contato com as drogas e o álcool.” Seu último trabalho depois de deixar a representação da Master Foods, em 2010, foi no negócio de venda de sacos de lixo. Tinha três funcionários contratados e atuava na região de Sorocaba e Itu, no interior de São Paulo atendendo o comércio varejista.

“O problema é que veio a crise e o custo do negócio subiu muito. Fiz alguns investimentos mal planejados e fiquei preso aos financiamentos”, explica. Juntou-se a isso a separação da mulher. Oliveira tem um filho adolescente.

Como resultado, teve que demitir seus funcionários e encerrar sua empresa no final de 2014. Desde então vive uma peregrinação para tentar arrumar um novo emprego. “Fiquei completamente liso”, diz. Chegou a voltar para Salvador para se recolocar no mercado e ficar mais perto do filho, mas não conseguiu nada.

“Depois que fechei a empresa, cheguei a ficar dormindo várias semanas no carro”, lembra. Logo depois teve que vender o carro. Enfrentou também uma recaída no uso de drogas. Acabou voltando para São Paulo no começo deste ano e ficou 12 dias dormindo na rodoviária do Tietê, por não ter onde morar. Foi resgatado por assistentes sociais da prefeitura e, atualmente, está no albergue da rua Prates.

“Continuo em busca de trabalho e por enquanto estou tranquilo”, conclui. “Mas no momento em que me vem a frustração, sinto que meus vícios podem voltar.”

Avener Prado/Folhapress
Ramon Costa Oliveira. Pessoas na classe média que faliram e foram morar em albergues.
O representante comercial Ramon Costa Oliveira, 41

OH EU KWEON, VENDEDOR, 55

O coreano Oh Eu Kweon, 55, viu sua vida ruir nos últimos três anos, quando todas as portas de trabalho se fecharam para ele.

Trabalhou sempre com importações e exportações, primeiro na Coreia, onde estudou computação, e depois na América do Sul, por conta de relações de comércio. Decidiu emigrar para a região por causa do clima quente e porque viu oportunidades para se desenvolver profissionalmente.

Morou primeiro no Paraguai e, depois de duas viagens de turismo para o Brasil, quando fez alguns contatos de negócios, decidiu se radicar em São Paulo no final dos anos 1980. Antes, voltou à Coreia para se casar e ter uma mulher para cuidar dele, como diz. Retornou casado e conseguiu a identidade de estrangeiro em 1989.

“É muito difícil ver um coreano nas ruas, mas eu desandei por causa de algumas decepções e do álcool, que sempre me atraiu”, afirma Kweon, que declarou ter bebido umas boas doses de cachaça Corote para conseguir dar entrevista. “Não sei dizer onde eu falhei, mas fiz coisas que não funcionaram.”

Ao longo de sua vida profissional, Kweon trabalhou em várias lojas na rua 25 de Março e no Bom Retiro como vendedor e gerente. Envolveu-se no ramo de confecções e depois entrou no comércio popular de bijuterias, setor dominado hoje pelos coreanos da rua 25 de Março.

A situação para Kweon começou a desandar na última década, quando a mulher decidiu voltar para a Coreia por causa de dificuldades para aprender português e para se adaptar, ele conta. Os dois tiveram um filho brasileiro, que acompanhou a mãe.

Além disso, perdeu um bom emprego porque seu patrão foi à falência depois de ter vários contêineres de bijuteria retidos pela Receita Federal.

Nos últimos tempos, Kweon depende dos albergues municipais para viver com alguma segurança. Perdeu todos os documentos e conta com a ajuda dos assistentes sociais para conseguir as segundas vias. “Gosto daqui, mas sinto vergonha e sofro preconceito por ser oriental”, afirma.

Avener Prado/Folhapress
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 05-09-2017: Oh Eun Kweon. Pessoas na classe média que faliram e foram morar em albergues. Foto feita no Complexo Prates, abrigo da prefeitura para pessoas sem teto. (Foto: Avener Prado/Folhapress, COTIDIANO) Código do Fotógrafo: 20516 ***EXCLUSIVO FOLHA***
O vendedor coreano Oh Eu Kweon, 55

RICARDO LUDKE, GERENTE, 57

Com dois cursos superiores incompletos –tecnologia em cooperativismo e processamento de dados–, ambos feitos em Santa Maria, onde cresceu, o gaúcho Ricardo Ludke, 57, teve uma boa carreira ao longo dos anos 1990, na rede de supermercados Real, hoje Big. Era gerente do setor de self-service e servia refeições para 1.700 pessoas por dia.

Casou, teve um filho, mas a vontade de se aventurar falou mais alto. Deixou o emprego e migrou para a Bahia, terra da mulher. Tentou a sorte em Salvador, mas como não conseguiu um bom trabalho, decidiu tentar de novo em Boston (EUA). Emigrou em situação ilegal e deixou a mulher e o filho no Brasil para resgatá-los quando estivesse em melhores condições financeiras.

Ao longo de seis anos, tentou a vida no exterior à base de subempregos. Trabalhou como jardineiro, lavador de carros, pedreiro e aprendeu a falar inglês fluentemente. Não conseguiu dinheiro para resgatar a família e, no começo de 2006, voltou para o Brasil. “A crise nos Estados Unidos começou a me afetar, faltavam vagas mesmo em serviços gerais e havia muita concorrência”, lembra.

Com algumas economias, decidiu voltar a Santa Maria e montou uma creperia, que sobreviveu por poucos anos. Desde 2010, Ludke vinha trabalhando em churrascarias e restaurantes pelo Brasil como garçom e preparador de carnes. Ganhava entre R$ 2.000 e R$ 3.000 por mês.

“O álcool foi meu problema e a rotina de trabalho me levava a beber mais –nos dias de folga não fazia outra coisa.” Trabalhou em churrascarias em Brasília e em SP. O último emprego foi em um restaurante em Caieiras, na Grande SP. Quando foi demitido, morou uma semana nas ruas antes de arrumar vaga no albergue da rua Prates, no centro.

Ludke tem quase 20 anos de contribuição para o INSS e, recentemente, tentou obter o Bolsa Família, mas não conseguiu. Vem fazendo tratamento contra o alcoolismo no Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Perdeu contato com a mulher e o filho. “Temo muito a violência das ruas e ainda quero me acertar”, diz.

Avener Prado/Folhapress
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 05-09-2017: Ricardo Ludke. Pessoas na classe média que faliram e foram morar em albergues.Foto feita no Complexo Prates, abrigo da prefeitura para pessoas sem teto. (Foto: Avener Prado/Folhapress, COTIDIANO) Código do Fotógrafo: 20516 ***EXCLUSIVO FOLHA***

Depois de ser Condenado por Trabalho escravo, agora Governo pede penhora de bens de Ratinho

VIA: ÉPOCA

Governo pede penhora de bens de Ratinho para garantir pagamento de dívida

Defesa do apresentador contesta cobrança de débitos de R$ 74 milhões na Justiça

 A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão do Ministério da Fazenda, promove uma blitz contra o empresário e apresentador de televisão Ratinho. Busca na Justiça bens para quitar uma dívida tributária de R$ 74 milhões referente ao Imposto de Renda. Entre os bens penhorados para garantir o pagamento da dívida está uma fazenda no Acre, avaliada em R$ 225 milhões. A Justiça também determinou à Agência Nacional de Aviação Civil que informe aeronaves em nome dele. A defesa de Ratinho discorda da metodologia aplicada para calcular o imposto e contesta a cobrança na Justiça.
Leia sobre Condenação de Ratinho por Trabalho escravo: http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2016/07/apresentador-ratinho-e-condenado-por-trabalho-escravo-em-fazenda.html