América Latina é a região mais violenta do mundo para mulheres, diz ONU

A região que inclui América Latina e Caribe é a que tem maior índice de violência contra as mulheres no mundo, uma situação que é mais crítica na América Central e no México, destaca um relatório da ONU apresentado no Panamá nesta quarta-feira (22).

De acordo com o relatório da ONU Mulheres e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o fenômeno de agressão a mulheres persiste apesar da aprovação de leis severas para freá-lo na região.

“O tema da violência contra a mulher na América Latina é crítico. É a região mais violenta do mundo contra as mulheres fora de um contexto de guerra”, declarou à AFP Eugenia Piza-López, líder da equipe de gênero do PNUD para a América Latina.

Estupro e feminicídio em alta

Segundo o relatório, América Latina e Caribe apresentam a maior taxa do mundo de violência sexual contra as mulheres fora de um relacionamento e a segunda maior por parte do parceiro atual ou anterior.

Três dos 10 países com as taxas mais altas de estupro de mulheres e meninas estão no Caribe, enquanto o feminicídio “está tomando uma magnitude e crueldade devastadora na América Central”, onde duas em cada três mulheres assassinadas morrem simplesmente por serem mulheres.

“Em alguns países se tornou uma crise severa. No Triângulo Norte (Honduras, El Salvador e Guatemala) e no México, o problema do feminicídio e da violência contra a mulher está representando níveis epidêmicos, muitas vezes relacionados ao crime organizado”, advertiu Piza-López.

Em um exemplo da violência de gênero na região, a representante da ONU Mulheres na Guatemala, a colombiana Adriana Ordóñez, alertou para a situação das mulheres no país centro-americano, onde proliferam os feminicídios e a gravidez na adolescência, a maior parte resultante de abuso sexual.

“Reduzir a brecha da violência é um dos maiores desafios na Guatemala, onde, em média, 88 mulheres e meninas foram assassinadas a cada mês até outubro deste ano”, disse Ordóñez, durante coletiva de imprensa na Cidade da Guatemala.

De acordo com dados oficiais, em 2016 foram registrados 1.161 feminicídios no país, número que superou as cifras de 2014 e 2015, respectivamente de 876 e 867 casos.

Leis insuficientes

O relatório regional do PNUD constata que 24 dos 33 países de América Latina e Caribe contam com leis contra a violência doméstica, mas somente nove deles sancionaram leis que tipificam uma variada gama de expressões de violência contra as mulheres.

Também destaca que 16 países tipificaram penalmente o feminicídio e alguns enquadraram na legislação os novos contextos de criminalidade, como narcotráfico, crime cibernético, expressões de violência política e ataques com ácido.

Mas “apesar dos valiosos avanços” dos governos para enfrentar a violência contra as mulheres, “este flagelo continua sendo uma ameaça” para os direitos humanos, a saúde pública e a segurança cidadã, indica o documento.

Para enfrentar o problema, a ONU recomenda reforçar as instituições, dar continuidade às políticas públicas que combatam a violência e empoderem as mulheres, além de fornecer mais recursos para executá-los.

Também pede a mudança dos “padrões culturais patriarcais” que, baseados em tradições e crenças religiosas, “estão fundados nas relações de desigualdade entre homens e mulheres”.

O relatório da ONU assinala que em todo o mundo 35% das mulheres foram vítimas de violência por parte de seu parceiro, ou de agressão sexual por pessoas diferentes de seu parceiro.

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Fotos chocantes de pessoas que vivem em ”quartos” minúsculos no Japão

Todos nós já ouvimos falar sobre os extraordinários “hotéis de cápsulas” do Japão, mas as fotos íntimas do fotógrafo Won Kim nos dão uma noção pessoal em um conjunto de quartos fechados – um hotel escondido em Tóquio que foi projetado como uma pousada para mochileiros.

Kim tropeçou no hotel ao passar pelo Japão e retornou 2 anos depois para fotografá-lo. Ele morou lá por vários meses, fazendo amizade com os moradores e fotografando os pequenos espaços que eles chamam de lar.

Todo o hotel está localizado em um único andar de um prédio de escritórios à nordeste de Tóquio. Alguns dos residentes são visitantes de curto prazo, enquanto outros, dizem kim, são residentes permanentes.

“Para mim, o interesse real dos retratos é a forma como cada residente usou um espaço tão pequeno e confinado”, escreve Kim. “Em cada caso, o espaço bem definido e seus conteúdos dizem algo sobre a personalidade do seu ocupante e sua capacidade de funcionar em um ambiente tão estranho e fechado”.

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“QUERO QUE AS RAÇAS SE FODAM” DIZ SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DO RIO NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

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“QUERO QUE AS RAÇAS SE FODAM” DIZ SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DO RIO NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Em uma postagem absurda em seu perfil no Facebook, o secretário municipal da educação do Rio, Cesar Benjamin, destilou seu ódio contra o dia da consciência negra. Em uma atitude bastante exemplar da “democracia racial”, dizendo ser contra a “racialização do Brasil”, defendendo a “conquista” do conceito de “povo brasileiro”, Benjamin tenta esconder, mas acaba escancarando, seu racismo e a postura característica da classe dominante brasileira.

Para ilustrar sua posição ele faz indiretas às denúncias de racismo de Taís Araújo, que falou publicamente sobre o racismo que seu filho – mesmo sendo pertencente a uma quase inexistente parcela de negros com situação econômica privilegiada no Brasil – sofre também. Para desqualificar a denúncia dela, diz que ela e seu filho são “lindos e cheirosos” e afirma que a sua queixa contra o racismo é uma “idiotice” que as pessoas replicam.

Seguindo seu desfile de absurdos, Benjamin diz que “Quero que as raças se fodam”.

E passa a tentar fazer seus malabarismos teóricos simplesmente nojentos para esconder uma das mais grotescas manifestações do racismo no país: o das prisões superlotadas de negros – muitos dos quais que sequer passaram por julgamento.

Procurando retomar conceitos que a burguesia brasileira sempre tentou disseminar para camuflar seu racismo, ele afirma que nas cadeias, no tempo em que esteve preso em Bangu “Os negros eram uma pequena minoria”, tal como os brancos, e a maioria era de “morenos”. O que Benjamin finge não saber é que é essa massa de “morenos” que são os negros de nosso país, que sofrem o racismo cotidiano não apenas nas mãos da polícia e do sistema penal, mas com os piores empregos e salários, com discriminação em cada aspecto da sua vida. Se Benjamin finge não saber quem são os negros no Brasil, a polícia e os patrões sabem exatamente quem são, e os discriminam a todo momento.

É um escândalo, um absurdo inadmissível, que na cidade que abrigou o porto onde mais se receberam negros escravizados trazidos da África em todo o mundo, o secretário da educação diga impunemente tamanhos absurdos racistas. Lembremos que seu chefe, o prefeito Crivella, tem também no currículo diversas manifestações de racismo, como o livro que escreveu insultando de forma absurda as religiões africanas.

Repudiamos com todas as forças essa declaração de Benjamin, e todo o racismo que ela representa e que é parte do DNA do Estado brasileiro.

Veja abaixo a postagem de Benjamin na íntegra:

https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fcesar.benjamin.58%2Fposts%2F1524764727558900&width=500

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Via: http://www.esquerdadiario.com.br/Quero-que-as-racas-se-fodam-diz-Secretario-da-Educacao-do-Rio-no-dia-da-Consciencia-Negra

“QUERO QUE AS RAÇAS SE FODAM” DIZ SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO DO RIO NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Em uma postagem absurda em seu perfil no Facebook, o secretário municipal da educação do Rio, Cesar Benjamin, destilou seu ódio contra o dia da consciência negra. Em uma atitude bastante exemplar da “democracia racial”, dizendo ser contra a “racialização do Brasil”, defendendo a “conquista” do conceito de “povo brasileiro”, Benjamin tenta esconder, mas acaba escancarando, seu racismo e a postura característica da classe dominante brasileira.

Para ilustrar sua posição ele faz indiretas às denúncias de racismo de Taís Araújo, que falou publicamente sobre o racismo que seu filho – mesmo sendo pertencente a uma quase inexistente parcela de negros com situação econômica privilegiada no Brasil – sofre também. Para desqualificar a denúncia dela, diz que ela e seu filho são “lindos e cheirosos” e afirma que a sua queixa contra o racismo é uma “idiotice” que as pessoas replicam.

Seguindo seu desfile de absurdos, Benjamin diz que “Quero que as raças se fodam”.

E passa a tentar fazer seus malabarismos teóricos simplesmente nojentos para esconder uma das mais grotescas manifestações do racismo no país: o das prisões superlotadas de negros – muitos dos quais que sequer passaram por julgamento.

Procurando retomar conceitos que a burguesia brasileira sempre tentou disseminar para camuflar seu racismo, ele afirma que nas cadeias, no tempo em que esteve preso em Bangu “Os negros eram uma pequena minoria”, tal como os brancos, e a maioria era de “morenos”. O que Benjamin finge não saber é que é essa massa de “morenos” que são os negros de nosso país, que sofrem o racismo cotidiano não apenas nas mãos da polícia e do sistema penal, mas com os piores empregos e salários, com discriminação em cada aspecto da sua vida. Se Benjamin finge não saber quem são os negros no Brasil, a polícia e os patrões sabem exatamente quem são, e os discriminam a todo momento.

É um escândalo, um absurdo inadmissível, que na cidade que abrigou o porto onde mais se receberam negros escravizados trazidos da África em todo o mundo, o secretário da educação diga impunemente tamanhos absurdos racistas. Lembremos que seu chefe, o prefeito Crivella, tem também no currículo diversas manifestações de racismo, como o livro que escreveu insultando de forma absurda as religiões africanas.

Repudiamos com todas as forças essa declaração de Benjamin, e todo o racismo que ela representa e que é parte do DNA do Estado brasileiro.

Veja abaixo a postagem de Benjamin na íntegra:

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“Quero que as raças se fodam” diz Secretário da Educação do Rio no dia da Consciência Negra

Em uma postagem absurda em seu perfil no Facebook, o secretário municipal da educação do Rio, Cesar Benjamin, destilou seu ódio contra o dia da consciência negra. Em uma atitude bastante exemplar da “democracia racial”, dizendo ser contra a “racialização do Brasil”, defendendo a “conquista” do conceito de “povo brasileiro”, Benjamin tenta esconder, mas acaba escancarando, seu racismo e a postura característica da classe dominante brasileira.

Para ilustrar sua posição ele faz indiretas às denúncias de racismo de Taís Araújo, que falou publicamente sobre o racismo que seu filho – mesmo sendo pertencente a uma quase inexistente parcela de negros com situação econômica privilegiada no Brasil – sofre também. Para desqualificar a denúncia dela, diz que ela e seu filho são “lindos e cheirosos” e afirma que a sua queixa contra o racismo é uma “idiotice” que as pessoas replicam.

Seguindo seu desfile de absurdos, Benjamin diz que “Quero que as raças se fodam”.

E passa a tentar fazer seus malabarismos teóricos simplesmente nojentos para esconder uma das mais grotescas manifestações do racismo no país: o das prisões superlotadas de negros – muitos dos quais que sequer passaram por julgamento.

Procurando retomar conceitos que a burguesia brasileira sempre tentou disseminar para camuflar seu racismo, ele afirma que nas cadeias, no tempo em que esteve preso em Bangu “Os negros eram uma pequena minoria”, tal como os brancos, e a maioria era de “morenos”. O que Benjamin finge não saber é que é essa massa de “morenos” que são os negros de nosso país, que sofrem o racismo cotidiano não apenas nas mãos da polícia e do sistema penal, mas com os piores empregos e salários, com discriminação em cada aspecto da sua vida. Se Benjamin finge não saber quem são os negros no Brasil, a polícia e os patrões sabem exatamente quem são, e os discriminam a todo momento.

É um escândalo, um absurdo inadmissível, que na cidade que abrigou o porto onde mais se receberam negros escravizados trazidos da África em todo o mundo, o secretário da educação diga impunemente tamanhos absurdos racistas. Lembremos que seu chefe, o prefeito Crivella, tem também no currículo diversas manifestações de racismo, como o livro que escreveu insultando de forma absurda as religiões africanas.

Repudiamos com todas as forças essa declaração de Benjamin, e todo o racismo que ela representa e que é parte do DNA do Estado brasileiro.

Veja abaixo a postagem de Benjamin na íntegra:

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Judith Butler escreve sobre sua teoria de gênero e o ataque sofrido no Brasil

RESUMO A filósofa norte-americana Judith Butlerescreve sobre sua recente passagem pelo Brasil. Ela comenta os ataques que sofreu, explica sua teoria de gênero e procura entender o ódio dirigido a um pensamento que defende a dignidade e os direitos sexuais e que condena a violência contra mulheres e pessoas trans.

Via: ESTADÃO

*

Desde o começo, a oposição à minha presença no Brasil esteve envolta em uma fantasia. Um abaixo-assinado pedia ao Sesc Pompeia que cancelasse uma palestra que eu nunca iria ministrar. A palestra imaginária, ao que parece, seria sobre “gênero”, embora o seminário planejado fosse dedicado ao tema “Os fins da democracia” (“The ends of democracy”).

Ou seja, havia desde o início uma palestra imaginada ao invés de um seminário real, e a ideia de que eu faria uma apresentação, embora eu estivesse na realidade organizando um evento internacional sobre populismo, autoritarismo e a atual preocupação de que a democracia esteja sob ataque.

Não sei ao certo que poder foi conferido à palestra sobre gênero que se imaginou que eu daria. Deve ter sido uma palestra muito poderosa, já que, aparentemente, ela ameaçou a família, a moral e até mesmo a nação.

Para aqueles que se opuseram à minha presença no Brasil, “Judith Butler” significava apenas a proponente de uma ideologia de gênero, a suposta fundadora desse ponto de vista absurdo e nefasto, alguém —aparentemente— que não acredita em restrições sexuais, cuja teoria destrói ensinamentos bíblicos e contesta fatos científicos.

Como tudo isso aconteceu e o que isso significa?

A TEORIA

Consideremos o que eu de fato escrevi e no que de fato acredito e comparemos isso com a ficção interessante e nociva que deixou tanta gente alarmada.

No final de 1989, quase 30 anos atrás, publiquei um livro intitulado “Gender Trouble” (lançado em português em 2003 como “Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade”, Civilização Brasileira), no qual propus uma descrição do caráter performativo do gênero. O que isso significa?

A cada um de nós é atribuído um gênero no nascimento, o que significa que somos nomeados por nossos pais ou pelas instituições sociais de certas maneiras.

Às vezes, com a atribuição do gênero, um conjunto de expectativas é transmitido: esta é uma menina, então ela vai, quando crescer, assumir o papel tradicional da mulher na família e no trabalho; este é um menino, então ele assumirá uma posição previsível na sociedade como homem.

No entanto, muitas pessoas sofrem dificuldades com sua atribuição —são pessoas que não querem atender aquelas expectativas, e a percepção que têm de si próprias difere da atribuição social que lhes foi dada.

A dúvida que surge com essa situação é a seguinte: em que medida jovens e adultos são livres para construir o significado de sua atribuição de gênero?

Eles nascem na sociedade, mas também são atores sociais e podem trabalhar dentro das normas sociais para moldar suas vidas de maneira que sejam mais vivíveis.

E instituições sociais, incluindo instituições religiosas, escolas e serviços sociais e psicológicos, também deveriam ter capacidade de apoiar essas pessoas em seu processo de descobrir como viver melhor com seu corpo, buscar realizar seus desejos e criar relações que lhes sejam proveitosas.

Algumas pessoas vivem em paz com o gênero que lhes foi atribuído, mas outras sofrem quando são obrigadas a se conformar com normas sociais que anulam o senso mais profundo de quem são e quem desejam ser. Para essas pessoas é uma necessidade urgente criar as condições para uma vida possível de viver.

LIBERDADE E NATUREZA

Assim, em primeiro lugar e acima de tudo, “Problemas de Gênero” buscou afirmar a complexidade de nossos desejos e identificações de gênero e se juntar àqueles integrantes do movimento LGBTQ moderno que acreditavam que uma das liberdades fundamentais que precisam ser respeitadas é a liberdade de expressão de gênero.

O livro negou a existência de uma diferença natural entre os sexos? De maneira nenhuma, embora destaque a existência de paradigmas científicos divergentes para determinar as diferenças entre os sexos e observe que alguns corpos possuem atributos mistos que dificultam sua classificação.

Também afirmei que a sexualidade humana assume formas diferentes e que não devemos presumir que o fato de sabermos o gênero de uma pessoa nos dá qualquer pista sobre sua orientação sexual. Um homem masculino pode ser heterossexual ou gay, e o mesmo raciocínio se aplica a uma mulher masculina.

Mas o objetivo dessa teoria era gerar mais liberdade e aceitação para a gama ampla de identificações de gênero e desejos que constitui nossa complexidade como seres humanos.

Esse trabalho, e muito do que desenvolvi depois, também foi dedicado à crítica e à condenação da violação e da violência corporais.

Além disso, a liberdade de buscar uma expressão de gênero ou de viver como lésbica, gay, bissexual, trans ou queer (essa lista não é exaustiva) só pode ser garantida em uma sociedade que se recusa a aceitar a violência contra mulheres e pessoas trans, que se recusa a aceitar a discriminação com base no gênero e que se recusa a transformar em doentes e aviltar as pessoas que abraçaram essas categorias no intuito de viverem uma vida mais vivível, com mais dignidade, alegria e liberdade.

Meu compromisso é me opor às ofensas que diminuam as chances de alguém viver com alegria e dignidade. Assim, sou inequivocamente contra o estupro, o assédio e a violência sexual e contra todas as formas de exploração de crianças.

Liberdade não é —nunca é— a liberdade de fazer o mal. Se uma ação faz mal a outra pessoa ou a priva de liberdade, essa ação não pode ser qualificada como livre —ela se torna uma ação lesiva.

VIOLÊNCIA DE GÊNERO

De fato, algo que me preocupa é a frequência com que pessoas que não se enquadram nas normas de gênero e nas expectativas heterossexuais são assediadas, agredidas e assassinadas.

As estatísticas sobre feminicídio ilustram o ponto. Mulheres que não são suficientemente subservientes são obrigadas a pagar por isso com a vida.

Pessoas trans e travestis que desejam apenas a liberdade de movimentar-se no mundo público como são e desejam ser sofrem frequentemente ataques físicos são mortas.

Camile Sproesser
Ilustração de Camile Sproesser para a Ilustríssima

Mães correm o risco de perder seus filhos se eles saírem do armário; muitas pessoas ainda perdem seus empregos e a relação com seus familiares quando saem do armário. O sofrimento social e psicológico decorrente do ostracismo e condenação social é enorme.

A injustiça radical do feminicídio deveria ser universalmente condenada, e as transformações sociais profundas que possam tornar esse crime impensável precisam ser fomentadas e levadas adiante por movimentos sociais e instituições que se recusam a permitir que pessoas sejam mortas devido a seu gênero e sua sexualidade.

No Brasil, uma mulher é assassinada a cada duas horas. A tortura e o assassinato recente de Dandara dos Santos, em Fortaleza, foi apenas um exemplo explícito da matança generalizada de pessoas trans no Brasil, uma matança que valeu ao Brasil a fama de ser o país mais conhecido pelo assassinato de pessoas LGBT.

São esses os males sociais inequívocos e atrocidades aos quais me oponho, e meu livro —bem como o movimento queer no qual ele se insere— procura promover um mundo sem sofrimento e violência desse tipo.

IDEOLOGIA

A teoria da performatividade de gênero busca entender a formação de gênero e subsidiar a ideia de que a expressão de gênero é um direito e uma liberdade fundamentais. Não é uma “ideologia”.

Em geral, uma ideologia é entendida como um ponto de vista que é tanto ilusório quanto dogmático, algo que “tomou conta” do pensamento das pessoas de uma maneira acrítica.

Meu ponto de vista, entretanto, é crítico, pois questiona o tipo de premissa que as pessoas adotam como certas em seu cotidiano, e as premissas que os serviços médicos e sociais adotam em relação ao que deve ser visto como uma família ou considerado uma vida patológica ou anormal.

Quantos de nós ainda acreditamos que o sexo biológico determina os papéis sociais que devemos desempenhar? Quantos de nós ainda sustentamos que os significados de masculino e feminino são determinados pelas instituições da família heterossexual e da ideia de nação que impõe uma noção conjugal do casamento e da família?

Famílias queers e travestis adotam outras formas de convívio íntimo, afinidade e apoio. Mães solteiras têm laços de afinidade diferentes. A mesma coisa se dá com famílias mistas, nas quais as pessoas se casam novamente ou se juntam com famílias, criando amálgamas muito diferentes daqueles vistos em estruturas familiares tradicionais.

Encontramos apoio e afeto através de muitas formas sociais, incluindo a família, mas a família é também uma formação histórica: sua estrutura e seu significado mudam ao longo do tempo e do espaço. Se deixamos de afirmar isso, deixamos de afirmar a complexidade e a riqueza da existência humana.

IGREJA

A ideia de gênero como ideologia foi introduzida por Joseph Ratzinger em 1997, antes de ele se tornar o papa Bento 16. O trabalho acadêmico de Richard Miskolci e Maximiliano Campana1 acompanha a recepção desse conceito em diversos documentos do Vaticano.

Em 2010, o argentino Jorge Scala lançou um livro intitulado “La Ideologia de Género”, que foi traduzido ao português por uma editora católica [Katechesis]. Esse pode ter sido um ponto de virada para as recepções de “gênero” no Brasil e na América Latina.

De acordo com a caricatura feita por Scala, aqueles que trabalham com gênero negam as diferenças naturais entre os sexos e pensam que a sexualidade deve ser livre de qualquer restrição. Aqueles que se desviam da norma do casamento heterossexual são considerados indivíduos que rejeitam todas as normas.

Vista por essa lente, a teoria de gênero não só nega as diferenças biológicas como gera um perigo moral.

No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, uma das mulheres que me confrontaram começou a gritar coisas sobre pedofilia. Por que isso? É possível que ela pense que homens gays são pedófilos e que o movimento em favor dos direitos LGBTQI nada mais é do que propaganda pró-pedofilia.

Então fiquei pensando: por que um movimento a favor da dignidade e dos direitos sexuais e contra a violência e a exploração sexual é acusado de defender pedofilia se, nos últimos anos, é a Igreja Católica que vem sendo exposta como abrigo de pedófilos, protegendo-os contra processos e sanções, ao mesmo tempo em que não protege suas centenas de vítimas?

Será possível que a chamada ideologia de gênero tenha virado um espectro simbólico de caos e predação sexual precisamente para desviar as atenções da exploração sexual e corrupção moral no interior da Igreja Católica, uma situação que abalou profundamente sua autoridade moral?

Será que precisamos compreender como funciona “projeção” para compreendermos como uma teoria de gênero pôde ser transformada em “ideologia diabólica”?

BRUXAS

Talvez aqueles que queimaram uma efígie minha como bruxa e defensora dos trans não sabiam que aquelas que eram chamadas de bruxas e queimadas vivas eram mulheres cujas crenças não se enquadravam nos dogmas aceitos pela Igreja Católica.

Ao longo da história, atribuíram-se às bruxas poderes que elas jamais poderiam, de fato, ter; elas viraram bodes expiatórios cuja morte deveria, supostamente, purificar a comunidade da corrupção moral e sexual.

Considerava-se que essas mulheres tinham cometido heresia, que adoravam o diabo e tinham trazido o mal à comunidade em lugares como Salem (EUA), em Baden-Baden (Alemanha), nos Alpes Ocidentais (Áustria) e na Inglaterra. Com muita frequência esse “mal” era representado pela libertinagem.

O fantasma dessas mulheres como o demônio ou seus representantes encontra, hoje, eco na “diabólica” ideologia de gênero. E, no entanto, a tortura e o assassinato dessas mulheres por séculos como bruxas representaram um esforço para reprimir vozes dissidentes, aquelas que questionavam certos dogmas da religião.

Quem pôs fim a esse tipo de perseguição, crueldade e assassinato foram pessoas sensatas de dentro da Igreja Católica, que insistiram que a queima de bruxas não representava os verdadeiros valores cristãos. Afinal, queimar bruxas era uma forma de feminicídio executado em nome de uma moralidade e ortodoxia.

Embora eu não seja estudiosa do cristianismo, entendo que uma de suas grandes contribuições tenha sido a doutrina do amor e do apreço pela preciosidade da vida —muito longe do veneno da caça às bruxas.

DEMOCRACIA

Embora apenas minha efígie tenha sido queimada, e eu mesma tenha saído ilesa, fiquei horrorizada com a ação.

Nem tanto por interesse próprio, mas em solidariedade às corajosas feministas e pessoas queer no Brasil que estão batalhando por maior liberdade e igualdade, que buscam defender e realizar uma democracia na qual os direitos sexuais sejam afirmados e a violência contra minorias sexuais e de gênero seja abominada.

Aquele gesto simbólico de queimar minha imagem transmitiu uma mensagem aterrorizante e ameaçadora para todos que acreditam na igualdade das mulheres e no direito de mulheres, gays e lésbicas, pessoas trans e travestis serem protegidos contra violência e assassinato.

Pessoas que acreditam no direito dos jovens exercerem a liberdade de encontrar seu desejo e viverem num mundo que se recusa a ameaçar, criminalizar, patologizar ou matar aqueles cuja identidade de gênero ou forma de amar não fere ninguém.

Essa é a visão do arcebispo Justin Welby, da Inglaterra, que destacou recentemente o direito dos jovens explorarem sua identidade de gênero, apoiando uma atitude mais aberta e acolhedora em relação a papéis de gênero na sociedade.

Essa abertura ética é importante para uma democracia que inclua a liberdade de expressão de gênero como uma das liberdades democráticas fundamentais, que enxergue a igualdade das mulheres como peça essencial de um compromisso democrático com a igualdade e que considere a discriminação, o assédio e o assassinato como fatores que enfraquecem qualquer política que tenha aspirações democráticas.

Talvez o foco em “gênero” não tenha sido, no final, um desvio da pergunta de nosso seminário: quais são os fins da democracia?

Quando violência e ódio se tornam instrumentos da política e da moral religiosa, então a democracia é ameaçada por aqueles que pretendem rasgar o tecido social, punir as diferenças e sabotar os vínculos sociais necessários para sustentar nossa convivência aqui na Terra.

Eu vou me lembrar do Brasil por todas as pessoas generosas e atenciosas, religiosas ou não, que agiram para bloquear os ataques e barrar o ódio.

São elas que parecem saber que o “fim” da democracia é manter acesa a esperança por uma vida comum não violenta e o compromisso com a igualdade e a liberdade, um sistema no qual a intolerância não se transforma em simples tolerância, mas é superada pela afirmação corajosa de nossas diferenças.

Então todos começaremos a viver, a respirar e a nos mover com mais facilidade e alegria —é esse o objetivo maior da corajosa luta democrática que tenho orgulho de integrar: nos tornarmos livres, sermos tratados como iguais e vivermos juntos sem violência.

1. MISKOLCI, Richard; CAMPANA, Maximiliano. “Direito às diferenças: notas sobre formação jurídica e as demandas de reconhecimento na sociedade brasileira contemporânea”. “Hendu “” Revista Latino-Americana de Direitos Humanos”, abril de 2017.

*

JUDITH BUTLER, 61, referência nos estudos de gênero e teoria queer, é codiretora do programa de teoria crítica da Universidade da Califórnia em Berkeley. Lança o livro “Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo” pela Boitempo.

CAMILE SPROESSER, 32, é artista plástica.

Evangélicos doam R$ 11 mil para reforma de terreiro alvo de atentados

Iniciativa liderada por pastora luterana teve início depois que barracão foi incendiado em Duque de Caxias

VIA: IG

Rio – Depois de oito atentados, o terreiro de candomblé Kwe Cejá Gbé de Nação Djeje Mahin, da mãe de santo Conceição d`Lissá, em Duque de Caxias, será reformado com uma doação de R$ 11 mil da Igreja Luterana. “O valor financeiro não é o mais importante, mas sim o gesto de união. Não é uma igreja reformando outra igreja. Mas uma igreja contribuindo para reformar um templo religioso que parte do segmento evangélico persegue como se fosse demônio. É a prova do amor ao próximo e do respeito à diferença”, comemora o babalawo Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à intolerância Religiosa (CCIR).

Um café da manhã com representantes das duas religiões acontecerá no dia 22 de novembro, às 10h, no próprio terreiro (Rua G, lote 9, quadra H. Jardim Vale do Sol, Taquara – Duque de Caxias). “É um encontro para o mundo todo celebrar e seguir”, comemora Santos.

A mãe de santo Conceição d’LissáDivulgação

Em 2014, o terreiro tinha sido mais uma vez destruído e a pastora luterana Lusmarina Campos Garcia, então presidente do Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro (CONIC-Rio), teve a ideia de reformar o espaço e foi iniciada uma campanha. Depois de um hiato, a iniciativa foi retomada e ganhou ainda novos aportes. “Eu acho que o pessoal do bem deveria copiar esse exemplo. Nem todos evangélicos destilam ódio e eles estão mostrando isso em suas ações”, afirma o interlocutor.

O babalawo reforça que não se pode generalizar, mas que a destilação de ódio, racismo e preconceito são atitudes reprováveis e deploráveis. Segundo ele, o poder público poderia ser mais atuante. “Infelizmente, o poder público não faz nada. As casas estão destruídas e as investigações não chegam ao final. Não vira inquérito, os culpados não são denunciados e não vão à justiça. Isso precisa mudar. Temos que combater o ódio, o preconceito e o racismo religioso com respeito, igualdade e amor”, defende.

Ataque em junho de 2014

Em 26 de junho, o terreiro foi incendiado durante a madrugada. O fogo atingiu o segundo andar da casa e destruiu teto, móveis, eletrodomésticos, roupas de santos e de integrantes do terreiro.

Não é a primeira vez que Maria da Conceição Cotta Baptista – Conceição d’Lissá – é vítima de ataques. “Já atearam fogo no meu carro, que na época estava quebrado e parado dentro do barracão. E dispararam tiros contra a minha casa e no portão do barracão. Deram nove tiros.” Equilibrada, ela evita apontar suspeitos. Cabe à polícia, afirma, descobrir quem cometeu o incêndio e os outros ataques.

Na época, o presidente do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, o babalaô Ivanir dos Santos, chamou atenção para o fato de as agressões serem persistentes. “Não é a primeira vez. Se as medidas tivessem sido tomadas anos atrás, pode ser que tivessem cessado. A polícia tem de ser mais rigorosa”.

Juiz barra lei de Escola Sem Partido em Jundiaí

Ao conceder liminar, magistrado do Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou que a ‘norma’ pode ‘arretar prejuízos, com eventuais lesões de difícil reparação aos munícipes’

VIA: ESTADÃO

O juiz do órgão especial do Tribunal de Justiça de São Paulo Moacir Peres concedeu liminar que suspendeu os efeitos da lei que institui o Escola Sem Partido em Jundiaí, no interior do Estado. O magistrado acolheu pedido do Sindicato dos Servidores Públicos do Município.

O programa do Movimento Escola Sem Partido foi redigido pelo procurador paulista Miguel Nagib, em 2004 e tem como foco o combate ao que o autor chama de “a doutrinação política e ideológica em sala de aula e nos livros didáticos”. As ideias têm sido adotadas para projetos de lei em âmbito municipal e estadual desde então e enfrentam resistência de educadores e entidades ligadas ao ensino.

O projeto foi aprovado na cidade de Jundiaí no dia 25 de outubro, pela Câmara Municipal.

Ao pedir a suspensão do projeto, a entidade afirmou que a lei, ao vedar qualquer abordagem de temas ligados à sexualidade, pretende omitir a discussão de fundo, que se relaciona com os preconceitos sofridos pelas mulheres e a comunidade LGBT’.

A entidade ainda comentou ‘sobre a violência resultante de discriminação de gênero no Brasil’ e alegou que ‘a
norma impugnada interfere de forma indevida no processo educativo’. Os advogados do Sindicato lembraram ainda sobre a competência exclusiva da União para legislar sobre ‘Diretrizes e Bases da Educação’.

“Por entender relevantes os fundamentos do pedido cautelar (fumus boni iuris) e considerando a possibilidade de a norma em questão acarretar prejuízos, com eventuais lesões de difícil reparação aos munícipes (periculum in mora), concedo a liminar, com efeito ex nunc, para suspender a eficácia da Emenda à Lei Orgânica do Município de Jundiaí nº 73, de 26 de setembro de 2017”, anotou o magistrado, ao conceder a liminar.

Moradora de rua é assassinada por estudante de medicina e lutador de MMA

“Tudo indica que este é mais um crime de ódio, um ataque intolerável aos mais empobrecidos”. Estudante de medicina e lutador de MMA assassinam moradora de rua enquanto ela dormia

Após quase um mês de investigações, a Polícia Civil do Rio de Janeiro acredita que elucidou o assassinato da moradora de rua Fernanda Rodrigues dos Santos, de 40 anos. Ela foi assassinada com um tiro no peito enquanto dormia sob uma marquise na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na zona sul da capital fluminense.

Nesta terça-feira (14), policiais da Delegacia de Homicídios da capital prenderam o estudante de Medicina Rodrigo Gomes Rodrigues, de 28 anos, e o lutador profissional de MMA Cláudio José Santos, de 42. Os dois são acusados pelo homicídio.

Os agentes descobriram também uma quantidade significativa de drogas na casa de Cláudio José, em Copacabana, incluindo 142 gramas de cocaína, 96 gramas de crack, dez gramas de maconha e uma balança de precisão. Ele também será indiciado por tráfico de drogas.

Rodrigo Gomes está cursando o 10º semestre de Medicina.

De acordo com a polícia, Fernanda Rodrigues era “uma pessoa carismática e muito adorada” em Copacabana. Vivia há quatro anos na localidade, sempre dormindo por ali. E costumava passear pelas ruas carregando várias sacolas com seus objetos pessoais.

O presidente da comissão de população em situação de rua da Câmara Municipal do Rio, vereador Reimont Luiz (PT), afirmou que justiça começa a ser feita com a prisão dos suspeitos.

Tudo indica que este é mais um crime de ódio, um ataque intolerável aos mais empobrecidos”, lamentou em post no Facebook. “Que a punição rápida e justa dos assassinos sirva de exemplo para coibir a intolerância, para que a morte da Fernanda tenha algum significado de mudança em nossa sociedade.”

A motivação do crime não foi divulgada pela polícia. A defesa dos suspeitos ainda não se manifestou.

No próximo sábado (18), haverá um ato em memória à Fernanda na Praça do Lido, próximo ao local onde ela viveu nos últimos anos.

Diego Iraheta, HuffPost

Empresário baiano adapta veículo para levar banho quentinho a pessoas em situação de rua

Via: TERRA

Cada um pode fazer a diferença na vida das pessoas, o empresário Cláudio Lacerda, uma vez por semana, oferece água quentinha para os moradores em situação de rua de Vitória da Conquista, sudoeste da Bahia, poderem tomar banho e fazer a higiene pessoal.

A iniciativa não começou de uma hora pra outra, a aproximação foi gradual. Primeiro, Lacerda começou a andar pelas ruas do centro da cidade para perguntar aos sem-teto como eles faziam para tomar banho. Um dos moradores relatou que eles pediam um balde de água num posto de gasolina e dividiam a água entre si.

O empresário Cláudio Lacerda criou o “Banho Solidário” (Foto: Blog do Anderson)

A partir disso, o empresário baiano teve a ideia de criar o Banho Solidário. O veículo possui um banheiro masculino e outro feminino, cada um equipado com um chuveiro. A água, transportada por uma caminhonete, é de poço artesiano, 100% sustentável.

A iniciativa só é possível graças ao veículo, que tem em sua fabricação o aço, cuja as matérias primas Minério de Ferro e Pelotas – encontradas na natureza na forma de rochas, são essenciais e tem como maior produtora mundial a Vale.

O trabalho do Banho Solidário é  completo: além da água quentinha – a temperatura varia entre 39 e 41 graus, via aquecedor solar, os desabrigados recebem shampoo, toalha, escova, pasta de dente, entre outros materiais para o cuidado com a saúde.

O reservatório de água comporta até 800 litros: o suficiente para 30 banhos de 10 minutos cada um – o projeto atende, em média, 20 pessoas por dia. O projeto já existe há quase dois anos e, desde então, várias pessoas apareceram interessadas em colaborar com a iniciativa. Algumas procuram o empresário oferecendo apoio financeiro, mas ele afirma que o que mais precisa são voluntários com o coração aberto para dar atenção a quem precisa. Lacerda também conta com o apoio da família, que sai com ele durante as visitas aos sem-teto.

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Mas, Lacerda sabe que os moradores, mais do que um banho, precisam de alguém com quem possam conversar, sobre assuntos do interesse deles. Muitos são dependentes químicos e desejam largar o vício das drogas. Por isso, é comum eles pedirem à Lacerda e aos outros voluntários do projeto informação sobre instituições que oferecem tratamento para sua recuperação.

No final da noite, o Banho Solidário oferece a essas pessoas muito mais do que um banho quentinho e sustentável: acolhimento, atenção e informação. E a ideia se espalhou pelo país, onde outras pessoas estão replicando a iniciativa!