Temer: viagem ou fuga?

REUTERS/Ueslei Marcelino

O presidente Temer sai hoje em viagem para a Rússia e a Noruega. Uma viagem no mínimo imprudente dadas as circunstâncias em que o seu governo e o seu mandato se encontram. Ainda mais se tratando de uma viagem para países que são parceiros econômicos e políticos relativamente periféricos de nosso país.

Nessa semana a Polícia Federal concluirá o inquérito sobre a delação da JBS e o procurador Janot poderá abrir um processo destruidor contra Temer. O cenário político brasileiro se afunila em uma guerra persistente e impiedosa da rede Globo e do judiciário contra esse governo.

Uma última reunião do presidente, antes dessa viagem, envolveu o general Etchegoyen e outros membros do alto escalão do governo. Um cenário muito atípico, com um cheiro forte de que nos bastidores esse governo está, de fato, por um fio.

Temer poderá enfrentar as circunstâncias locais, com sua arrogância costumeira. Provaria, com isso, que possui a certeza de que poderá conduzir as reformas trabalhista e previdenciária que tanto desejam os banqueiros, mas… que já não causam tanto entusiasmo para setores importantes de uma elite patrimonialista que acredita que essas reformas ameaçam seus privilégios de classe.

Restam apenas 18 meses para o fim de seu mandato. É de causar estranheza a impaciência dos donos do poder com um governo que, a princípio, estaria a seu serviço. Essa impaciência é a prova de que os poderosos estão divididos e, em razão disso, talvez tenhamos uma semana histórica em nosso país.

Aqui nos deparamos com um aforismo: sempre possuímos a tendência de olhar o presente sob o espectro do passado. E junto a ele tentamos, de alguma forma, nos guiarmos.

E o que o passado pode nos ensinar?

Uma crise dessa envergadura tem dois paralelos na História do Brasil. O primeiro se deu no período posterior ao suicídio de Vargas. No fim, os militares – liderados pelo general Lott – deram um “golpe preventivo” diante de um cenário de caos institucional. Dessa forma, garantiram-se as eleições e a sucessão eleitoral de Juscelino Kubitscheck.

O segundo paralelo foi a renúncia de Jânio. Tivemos novamente um caos político que começou com a posse do vice João Goulart em um sistema parlamentarista e acabou com o golpe militar de 1964.

Caso Temer resolva renunciar em viagem, poderá pedir asilo político em algum país que lhe garantirá imunidade aos processos criminais que enfrentará. Não é possível afirmar se o Reino da Noruega seria um destino provável para tal pedido…

Porém, uma renúncia poderia estabelecer um “breve período de exceção” onde uma reforma política – com o auxílio de nossos nobres juristas do STF – estabeleceria, enfim, aquele “semi-presidencialismo” que o ministro Gilmar Mendes mencionou no seu voto de Minerva que inocentou a chapa Dilma-Temer.

Com isso garantiria-se uma nova ordem eleitoral, com as eleições de 2018 igualmente garantidas. Nesse cenário o Lula teria carta branca para vencer as eleições, pois se eleito não teria, na prática, nenhum poder político.

E os crimes financeiros cometidos pelas empresas, partidos e políticos poderiam também ficar “para trás” em uma nova “anistia ampla, geral e irrestrita”. Tudo em nome da “estabilidade institucional e da ordem econômica do país”.

Essas são hipóteses possíveis… Quem poderia duvidar? Afinal de contas, não foram as elites brasileiras que já deram 8 golpes de Estado em menos de 100 anos na História da República brasileira? E quem já anistiou torturadores e seus crimes financeiros da época da Ditadura, não poderia agora fazer uma nova anistia?

Com isso, Temer sairia do Brasil por alguns meses e depois voltaria, da mesma forma que fez Jânio Quadros. Com seu patrimônio financeiro intacto.

No fim, o grande problema de tentarmos nos guiar pelo passado brasileiro é o fato de que sempre nos deparamos com uma História muito instável e inusitada… essa História por vezes parece uma piada… um quadro perfeito do que é uma legítima “República das Bananas”.

Nesse país, podemos dormir um dia e acordarmos, “do nada”, em 2018 com o Lula Presidente e Sérgio Moro como Primeiro Ministro… E essas estravagâncias poderão ocorrer por décadas a fio… até o dia em que o povo brasileiro, enfim, acorde e tome em suas mãos aquilo que lhe pertence: o Brasil.

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