JORNAL LES ECHOS VÊ O BRASIL EM UMA SITUAÇÃO LIMITE

Rádio França Internacional Com chamada de capa, o maior jornal econômico francês, Les Echos, publica três reportagens nesta segunda-feira (22) sobre a crise política no Brasil e as consequências das repetidas denúncias de corrupção envolvendo os políticos brasileiros.

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O correspondente do jornal em São Paulo, Thierry Ogier, explica que o presidente Michel Temer é investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da justiça. As revelações do empresário Joesley Batista, da JBS, que afirmou ter pago milhares de dólares de propina a Temer, aos ex-presidentes Dilma e Lula, e à cúpula do PMDB e do PSDB, entre outros partidos, comprometem a governabilidade do país.

A situação é tão preocupante, relata Les Echos, que a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, diz em entrevista ao jornal que “a única saída para o Brasil é criar um comitê de salvação pública nacional”. Em um momento turbulento da história da França, logo depois da Revolução Francesa, o país não foi governado por um presidente. Durante dois anos, de 1793 a 1795, um grupo de cerca de 12 deputados foi eleito mensalmente para tomar as melhores decisões para o país de modo a preservar os ganhos da revolução e salvar a república.

Les Echos também informa que a França investiga se houve pagamento de propina no contrato de construção de quatro submarinos brasileiros pela empresa francesa DCNS. Dois investigadores franceses, Eliane Houlette, responsável pelo polo financeiro do Ministério Público francês, e Thomas de Ricolfis, o policial que comanda a agência nacional de luta contra a corrupção na França, estiveram no Brasil há 15 dias para discutir uma colaboração com o procurador Rodrigo Janot. O contrato de cerca de US$ 6,7 bilhões, assinado pelos ex-presidentes Lula e Sakozy, tem como parceiro local a Odebrecht. A francesa DCNS nega ter pago propina para obter o negócio, mas Les Echos afirma que a Lava Jato mostrou que nenhum contrato do setor público brasileiro parece escapar da corrupção.

É o que aconteceu, por exemplo, com a JBS, explica o diário Les Echos em uma terceira reportagem. O BNDES tornou-se acionista do grupo frigorífico brasileiro para financiar a compra de empresas nos Estados Unidos e em outros países. O esquema imaginado pelo ex-presidente Lula era criar grandes empresas brasileiras competitivas no mercado internacional. O objetivo era nobre, mas as contrapartidas bem menos, conclui Les Echos.

Temer contra o relógio

O jornal Le Monde, que tem acompanhado diariamente a crise no Palácio do Planalto, diz que Temer corre contra o relógio. Até quarta-feira (24), quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve se pronunciar sobre o pedido dos advogados do presidente para suspender o inquérito contra ele, Temer vai tentar costurar um acordo com partidos da base aliada. O PSDB ainda não decidiu se desembarca ou não do governo. Restam os pedidos de impeachment apresentados ao Congresso.

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